Gênero e sexualidade

LGBTs EM LUTA NO #30J

Lésbicas, Gays, Bi, Trans: Greve geral no #30J em nossas mãos

Somos gays, lésbicas, bisssexuais, pansexuais, curiosos, dentro e fora do armário. Somos trans, homens e mulheres, não binários heterossexuais e não heterossexuais. Somos pais, amigos, companheiros, companheiras, apoiadores da luta contra as opressões e pela livre expressão da sexualidade e da identidade de gênero; Somos você, seu melhor amigo, sua filha, namorado ou namorada, seu aluno. Somos o trabalhador da bilheteria do Metrô, o motorista do ônibus, a cabeleireira, a professora, mas também somos milhares de desempregados, os que ocupam os postos mais precários da limpeza, do telemarketing e na prostituição.

Virgínia Guitzel

ABC Paulista | @virginiaguitzel

segunda-feira 12 de junho| Edição do dia


Ocuparemos as ruas nesta Parada LGBT com todo o nosso orgulho para dizer em alto e bom som: Estamos ao lado dos trabalhadores na Greve Geral do 30J

Desde o show de horrores da votação do Impeachment que significou um golpe institucional em nosso país, vemos claramente a direita mais reacionária levantando a cabeça para defender torturadores e proferir todo seu ódio as sexualidades e identidades não normativas. Exigem maior exploração e opressão retirando direitos fundamentais da classe trabalhadora e também das mulheres, LGBT e da população negra. Após a força dos trabalhadores que paralisaram o país no 15M, fizeram uma greve geral histórica no 28 de Abril e ocuparam Brasília no 24M, estamos mais fortalecidos que nunca para lutar pelo fim de todas as formas de opressão.

Temer, Feliciano, Silas Malafaia, Bolsonaro e tantos nomes que nos vem a cabeça quando pensamos nossos inimigos, são os mesmos inimigos dos trabalhadores que querem que trabalhemos até morrer. Querem que sigamos pagando pela crise que eles criaram, mas gritamos: Nossas vidas valem mais do que seus lucros!

Não começamos a luta hoje. São anos que carregamos a heroica batalha de StoneWall com um ódio organizado contra a violência policial, os assassinatos, o Estado capitalista que administra nossa opressão e a exploração das massas trabalhadoras, e toda a cadeia de violência e opressão naturalizada que nos impõem uma miséria de nossa sexualidade, nossa liberdade sobre nossos corpos e identidades e em última instância, de poder viver plenamente.

Quando nos levantamos, ainda no governo de Dilma por questões essenciais como a igualdade, liberdade e saúde sexual das mulheres cis e LGBT`s – como o kit anti-homofobia nas escolas e a campanha de prevenção às DST`s e AIDS – essas foram vetadas pela presidente ou sequer pautadas – como a legalização do aborto e a separação da Igreja do Estado. Ainda assim, o golpe institucional veio para retirar o pouco conquistado rasgando a Constituinte de 88’, que já se mostrava insuficiente para garantir uma verdadeira igualdade na vida, e teve seu principal desvio nas mobilizações por Diretas Já em 84’, mantendo partidos da ditadura e LGBTfobicos no Congresso Nacional.

Da luta contra a Cura Gay e da permanência de Marco Feliciano na Secretária de Direitos Humanos à Junho de 2013, a juventude rompeu a ideia de conquistas a pouco a pouco, e tomou as ruas de todo o país exigindo para agora melhorias nos serviços públicos, igualdade para mulheres e homens, brancos e negros, e heterossexuais e pessoas cis aos LGBT. Desde então, a mídia e distintos mercados vem se apoiando em nossa luta para tentar apresentar uma saída individual, onde pela via do consumo pode-se alcançar o empoderamento e uma suposta emancipação individual.

Queremos uma Parada LGBT para derrotar Temer e as reformas! E que também mostre nossa vontade de criar um mundo novo, contra o capitalismo!

Em meio a maior crise política e econômica de nosso país, ocorre mais uma Parada LGBT onde saimos as ruas para gritar que não apenas existimos, mas estamos espalhados por todos os cantos. Se parecemos poucos assim, quando nos juntamos e vamos as ruas exigir nossos direitos, somos milhares e arrastamos conosco outros milhares que nos apoiam e também anseiam por uma sociedade sem opressão e violência. Se por um lado, desconfiamos deste parlamento que permitiu a chegada do golpista Temer a presidência, tampouco confiamos no Congresso Nacional ou na Lava Jato como uma alternativa para levar a frente nossas bandeiras. Precisamos construir uma saída independente do Estado capitalista e dos partidos que querem avançar contra nossos direitos.

Por isso levantamos a bandeira da Separação da Igreja do Estado, para questionar a falsa ideia de Estado Laico que mantém a bancada fundamentalista administrando os direitos reprodutivos e sexuais sob repressão. A proposta de "Diretas Já" não nos desce a garganta, porque os mesmos que se diziam a favor de nossos direitos, governaram o país por mais de 13 anos e só fortaleceram nossos inimigos até serem expulsos do governo. Precisamos eleger verdadeiros representantes que tenham poder de mudar todas as regras do jogo, começando pela anulação das reformas que querem descarregar nas nossas costas, e construindo uma nova constituinte que separe a igreja do Estado, reparta a jornada de trabalho entre todas as mãos para acabar com o desemprego e a prostituição compulsória, a construção de hospitais e prontos de atendimento especializados a população trans garantido com impostos progressivos a grandes fortunas, educação sexual nas escolas e casas transitórias para vitimas de violência LGBTfobica que permita dar passos para a igualdade na vida.
Para impor esta nova Constituinte precisamos tomar em nossas mãos a luta contra as reformas e batalhar dentro do movimento para dar uma resposta profunda contra os capitalistas e seus representantes de classe no parlamento.

Intervimos na linha de frente no combate cotidiano a opressão LGBTfobica em cada local de trabalho, em cada escola e universidade. Mas não separamos em momento algum estas batalhas da luta por uma nova sociedade onde possamos ser verdadeiramente livres. Vencemos muitas vezes, mas também perdemos outras. Por isso, quando lutamos por melhorias salarias, por permanência nas universidades, cotas para a população negra e trans, e em cada uma dessas lutas também dizemos que é preciso preparar, organizar, planejar uma estratégia capaz de vencer de maneira definitiva nossos inimigos. Que é preciso que dediquemos nossas vidas para seguir o apaixonante desafio, que os bravos lutadores que nos antecederam não conseguiram, de derrubar de uma vez por todas o capitalismo. Para nós, a única visão realista para alcançar este objetivo, é estarmos ao lado da classe trabalhadora por um governo de ruptura com o capitalismo, que possa garantir iguais condições de vida para a maioria.

Por isso hoje concentramos todas as nossas forças na construção da Greve Geral do dia 30 de Junho, para que cada LGBT se coloque lado a lado com os trabalhadores para derrubar Temer, os golpistas e as suas reformas e contra o capitalismo. E queremos convidar você para estar conosco!




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