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Lenín Moreno endurece a repressão e o toque de recolher, enquanto a CONAIE chama ao diálogo

O presidente equatoriano decretou toque de recolher a partir das 15:00, para reprimir os manifestantes que fazem barricadas em Quito. Ao mesmo tempo a direção da CONAIE chamou ao diálogo, aceitando “revisar” o decreto do pacote de ataques.

Juan Andrés Gallardo

Buenos Aires | @juanagallardo1

domingo 13 de outubro| Edição do dia

Na décima jornada de manifestações no Equador contra o mega pacote do FMI e Lenín Moreno, o governo deu um salto repressivo ao anunciar a extensão do toque de recolher na cidade de Quito a partir das 15:00 (hora local). Trata-se de um endurecimento na militarização quando já caíram 7 mortos, centenas de feridos e detidos.

O anúncio de Moreno aconteceu poucas horas antes da direção da Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (CONAIE), que vem encabeçando as manifestações, emitisse um comunicado na qual se mostrava aberta ao diálogo. Pela primeira vez desde que começaram as mobilizações, a CONAIE aceitou abrir uma mesa de negociação sem que se cumpra a demanda básica que é a revogação do decreto 883 que retirava o subsídio aos combustíveis. No comunicado manifestam que “Após um processo de consulta às comunidades, organizações, povos, nacionalidades e organizações sociais decidimos participar no diálogo direto com o presidente sobre a revogação ou revisão do decreto 883.

Comissão Política

Esta decisão da direção da CONAIE chega em um momento no qual se multiplicaram as cenas de barricadas e enfrentamentos no sul de Quito, nas proximidades do Parque do Arbolito (na vizinhança da Assembleia Nacional) e na periferia da cidade. Milhares de jovens e habitantes dos bairros populares, que em sua maioria não respondem à direção da CONAIE, se concentraram em diferentes pontos da cidade para manifestações contra o mega pacote do FMI, e para pedir a renúncia de Lenín Moreno.

A extensão do toque de recolher busca implementar uma brutal repressão contra estes setores que estão nas ruas, e para eles Morelo utilizou o argumento utilizado pela própria CONAIE “contra os violentos”, dividindo o movimento e criminalizando os que estão nas ruas.

É por isso que Moreno, em cadeia nacional, disse : “Tudo está claro, e vantajosamente está claro também para os irmão indígenas: são os traficantes, os narco traficantes, são os correistas os que se dedicam a estes atos vândalos. Vantajosamente os indígenas já os detectaram e se estão separando de suas fileiras. É importante que este chamado ao diálogo tenha sido acolhido por eles e lhes agradeço e felicito. Vamos reestabelecer a ordem todo o Equador, iniciamos com o toque de recolher em Quito, organizei Comando Conjunto das Forças Armadas para imediatamente tomar as medidas e operações que sejam necessárias, reestabeleceremos a ordem em todo Equador. Possibilitem que implementem o toque de recolher em Quito. Cidadãos, disto vamos sair juntos e que Deus nos abençoe.”
Para deixar o objetivo de dividir os setores da base indígena em evidência, dos manifestantes que saíram massivamente às ruas neste sábado fazendo barricadas, a secretaria de Comunicação da Presidência emitiu um comunicado chamando as bases da CONAIE a se resguardar na Ágora da Casa da Cultura, enquanto os militares e a política reprimam os manifestantes que estão nas ruas.

Esta operação política que tenta desativar as manifestações por meio da negociação com a direção da CONAIE, enquanto reprime os setores de vanguarda que seguem lutando, foi possibilitada rapidamente após comunicado oficial da missão da ONU que disse que os contatos entre as partes deveriam ser iniciados imediatamente para estabelecer uma mesa de negociação.

Esta política da direção da CONAIE não apenas não acaba com o mega pacote, mas dá à Moreno ferramentas para reprimir sem riscos dezenas de milhares que sabem que o ajuste do FMI arruinará ainda mais suas condições de vida, e ainda seguem nas ruas para enfrentar o governo de Moreno.

Como dissemos na declaração da Fração Trotskista publicada nesta quinta-feira “Para expulsar o FMI é necessário derrotar Moreno efetivamente e impor uma saída independentes dos trabalhadores, indígenas e do povo pobre. Contra qualquer posicionamento que pretenda desviar a mobilização de massas dos últimos dias à mesa de diálogo dando ao governo uma sobrevida ou pavimentar uma volta de Correa, é necessário impor sob as ruínas do regime uma Assembleia Constituinte com a mobilização popular que aborde todos os grandes problemas que garantem a submissão do país”.

Ver também: Equador: Abaixo os ajustes do FMI e de Moreno! Por uma saída operária, camponesa e popular para preparar a greve geral!




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