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CORONAVÍRUS

Leite define o Distanciamento Controlado no RS de acordo com os interesses dos empresários

Na confusão das bandeiras do Distanciamento Controlado de Eduardo Leite pesam muito mais as pressões dos empresários com as prefeituras e parlamentares do que os dados do avanço da COVID-19 no Estado e o colapso dos leitos de UTIs. Atender aos interesses capitalistas de abertura da economia é a prioridade do governo gaúcho. Enquanto os patrões se mantém bem protegidos jogam os trabalhadores e a população ao risco de contágio.

segunda-feira 22 de junho| Edição do dia

A falta de testes massivos para a população ainda é uma crise que o governo do Rio Grande do Sul e as prefeituras mantém para amenizar, pela subnotificação, os números reais de contágio e de mortes pelo novo coronavírus. Ainda assim os números avançam projetando uma alta taxa de hospitalizações e ocupação das UTIs em todo o Estado. Em Caxias do Sul por exemplo, que passou para bandeira vermelha na semana passada, passa para a bandeira laranja nessa semana, no mesmo dia que é divulgado os 412 casos confirmados em frigorífico da JBS.

Eduardo Leite fala que a determinação das bandeiras passa pela análise de 11 indicadores que determinam os riscos em cada região. Porém qual confiança podemos ter nesses indicadores se não há testes massivos? E como podemos saber se as próprias prefeituras não manipulam esses indicadores para atender aos interesses dos grandes empresários?

Leite que se coloca como “sensato” e afirma ter uma política “racional” para pandemia não garante a medida mais urgente que são testes massivos para saber quem de fato está infectado para que sejam isolado e para que seja feita uma quarentena racional. A questão é que o empresariado e o governo gaúcho não querem gastar dinheiro para salvar vidas, gastar só se for para salvar empresas e lucros, jogam assim os mais pobres e a classe trabalhadora a própria sorte pegando ônibus e trens lotados como na região de Porto Alegre, que aliás agora passa para bandeira vermelha ao se aproximar do colapso do sistema de saúde.

Assim a pandemia se alastra pela região, e esse vai e volta de bandeiras será a prática para manter o comércio aberto e os trabalhos não essenciais funcionando normalmente. Em outras palavras muito mais pessoas poderão perecer para o vírus, essa é a visão deste governo que diz se opor a Bolsonaro, mas não toma medidas sérias e contundentes para sanar a crise sanitária. As mortes no entanto não serão da classe que o governador representa, serão pessoas da classe trabalhadora e dos setores mais oprimidos deste sistema capitalista, com menos acesso a tudo nessa sociedade de exploração e opressão. Pessoas que são responsáveis pela produção das riquezas capitalistas e que só possuem sua força de trabalho para vender. Tudo o que construímos e produzimos com nossa força é apropriado pela grande burguesia empresarial. É preciso mostrar que sem a classe trabalhadora eles não são nada.

A saída é tomar a produção nas próprias mãos, convertendo, sob controle dos trabalhadores, as indústrias para a produção somente do essencial durante a pandemia, como álcool em gel, máscaras, respiradores e equipamentos hospitalares. É preciso exigir que as fortunas capitalistas acumuladas durante décadas de exploração da nossa classe estejam neste momento disponíveis para salvar vidas. É preciso se auto organizar e exigir que os dirigentes sindicais e as centrais como CUT e CTB, que dirigem a maior parte dos sindicatos do país, saiam de sua paralisia e de suas quarentenas seguras enquanto os trabalhadores amargam mais e mais ataques a cada dia.

Somente um grande movimento dos trabalhadores e da juventude que ocupe as ruas, as fábricas e os serviços pode impor que sejam taxadas as grandes fortunas, que sejam confiscados os bens dos grandes sonegadores de impostos por exemplo. Com esses recursos nas mãos dos trabalhadores poderemos providenciar testes para todos. E ainda exigir que imóveis vazios, pousadas e hotéis sirvam de centro de quarentena e mais leitos para os infectados, com alimentação saudável e tratamento digno. Se a burguesia não pode dar uma resposta em defesa das vidas pelo caráter de seus interesses nós trabalhadores podemos. Porque nossas vidas valem muito mais do que os lucros deles!




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