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EDUCAÇÃO

Leite chama manifestação de rua pelo retorno às aulas presenciais em meio a pandemia no RS

Na live dessa quinta-feira, Eduardo Leite fala demagogicamente que educação é prioridade e essencial, enquanto isso, promove fechamento de escolas e de matrículas de EJA, não paga em dia os educadores e não investe para que o ensino remoto seja viável.

sexta-feira 25 de setembro| Edição do dia

A fala do governador gaúcho foi ofensivamente pensada para jogar a sociedade contra os professores e funcionários de escola, chamando, inclusive, manifestação de rua pelo retorno às aulas, colocando a responsabilidade pela precarização da educação nas costas dos educadores, e não do governo que corta recursos para educação e fecha salas de aula e escolas. Esses cortes na educação seguem a lógica do governo de precarizar para privatizar.

"Muitas pessoas que sempre defenderam a educação nesse momento não querem que a educação volte (...) As pessoas deviam estar nas ruas, sim, demandando a volta as aulas, a volta das escolas” afirmou o governador Eduardo Leite.

As professoras e funcionárias de escola temem por seus empregos, querem retornar, mas também zelam pelas suas famílias e pelos cuidados com as crianças. O retorno que Leite propõe é totalmente irracional assim como vem sendo o seu combate à pandemia, sem testes massivos para identificar e isolar os infectados e as pessoas com quem tiveram contato.

Um retorno às aulas antes de uma vacina precisa envolver a construção de muito mais espaço escolar, novas escolas e novas salas de aula. Para diminuir drasticamente o número de alunos por turma e garantir assim o distanciamento. Um plano de obras públicas de emergência poderia garantir esses espaços para iniciar as aulas no ano que vem com segurança, além de combater o desemprego que assolam as comunidades. Ligado a isso seriam necessários muito mais profissionais da educação e inclusive da saúde para trabalharem nas escolas, orientando e garantindo os cuidados sanitários. O que geraria ainda mais emprego. É preciso exigir a suspensão das avaliações nesse ano para que nenhum aluno seja prejudicado pelo mal planejado e excludente ensino remoto. Os trabalhadores da educação junto com as comunidades e conselhos escolares devem se auto organizar para tomar em suas mãos essas decisões que não partirão do governo.

A política de Eduardo Leite é extremamente oposta a isso, sua política concreta está a serviço dos interesses dos grandes empresários gaúchos, e, para salvar esses empresários da crise com dinheiro público, seja deixando de arrecadar os já mais de 7 bilhões sonegados, seja concedendo 2,4 bilhões em programas como o FUNDOPEM, o governo do Estado do RS retira da educação pública e do salário dos educadores.

É papel do sindicato criar os canais de organização dos trabalhadores. O CPERS sindicato, dirigido por partidários do PT/PCdoB/PDT, poderia estar usando todos os seus recursos para uma imensa campanha midiática de conscientização, denúncias e exigências ao governo Leite, com outdoors, carros de som e chamadas na mídia tradicional em horário nobre. É preciso levantar uma política para que sejam esses empresários milionários e bilionários, para quem o Estado destina grande parte do nosso dinheiro público, que paguem pela crise. Uma grande campanha que mobilize os trabalhadores de cada escola junto com as comunidades por meio dos conselhos escolares para decidirem os rumos da educação e impor a esse governo, pela luta, quando e como retornar às aulas presenciais.




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