Política

ESQUERDA DIÁRIO IMPRESSO

Leis eleitorais ainda mais antidemocráticas! É possível usar as eleições para a organização dos trabalhadores?

Em 2015 aprovaram uma “reforma política” que é, na verdade, uma contrarreforma. Tornaram as leis eleitorais ainda mais restritivas para a expressão da esquerda.

Leandro Lanfredi

Rio de Janeiro | @leandrolanfrdi

sexta-feira 19 de agosto| Edição do dia

Enquanto gastam fortunas com propaganda para mostrar como as eleições são o ponto alto da “cidadania” escondem que organizam as regras do jogo para o benefício dos empresários, latifundiários e reacionários, e querem até instituir uma clausula de barreira para proibir pequenos partidos, ou seja, a esquerda.

O que mudou?

As eleições sempre foram marcadas pelo poder das empresas, da mídia e das igrejas, mas a atual contrarreforma tornou isso pior, casada com um momento nacional de golpe institucional, pois querem com essas medidas fazer um processo com ainda menos debates para fortalecer partidos como PSDB e PMDB.

Proibiram as doações legais das empresas, mas sabemos que elas encontrarão outros caminhos para favorecer seus candidatos. As regras estão organizadas para impedir que as ideias da esquerda e os trabalhadores se expressem.

Proíbem o uso dos meios mais baratos de campanha, como carros de som, que um trabalhador com esforço de amigos pode alugar, mas não impede que os milionários contratem milhares de cabos eleitorais. A lei proíbe propaganda em redes sociais, onde poucos reais permitem chegar a dezenas de milhares, mas permite que empresários comprem outdoors, espaço nos jornais.

A contrarreforma chega ao cúmulo de excluir candidatos dos debates na TV. Antes a lei já excluía o PSTU, PCB e PCO, agora torna “facultativa” a participação de candidatos oriundos de partidos com até 9 deputados, o que exclui também o PSOL. Para candidatos desses partidos participarem é preciso que a emissora queira e nenhum outro candidato vete a participação. Democrático não é?

Estas regras, cada vez piores, visam aumentar a dificuldade da participação da esquerda e dos movimentos sociais. Para concorrer a um cargo de vereador em alguma cidade é preciso criar um partido nacional, em 9 estados, com 500 mil assinaturas! É por esta restrição que os revolucionários do MRT estão apresentando candidaturas com filiação democrática pelo PSOL, ou seja, sem se comprometer politicamente com as candidaturas majoritárias.

Se as eleições são tão antidemocráticas, por que e para que participar?

Porque apesar das cartas marcadas da influência dos poderosos, as eleições são um momento especial de politização e nós queremos erguer uma voz que ajude a questionar o capitalismo, uma vez que os trabalhadores ainda apostam suas fichas para que as mudanças ocorram por dentro desse sistema. Por isso vamos denunciar todos esses elementos antidemocráticos, exigindo que todas candidaturas da esquerda (e não só PSOL) possam participar dos debates de TV, e vamos lutar contra esse regime político. As candidaturas do MRT lutam para que todos os cargos políticos, até mesmo os juízes, sejam eleitos e revogáveis e todos ganhem como um professor!

Com tanta corrupção, seja do PT ou dos golpistas, tanto parlamentar de direita falando tudo que é tipo de ódio e preconceito, muitos estão desgastados com os principais partidos e com a política parlamentar, e essas leis visam justamente afastar ainda mais essa “grande política podre” do dia à dia das pessoas, nós queremos dar voz à organização dos trabalhadores em cada local de trabalho para lutar contra o capitalismo. As candidaturas do MRT, que buscam fazer no Brasil o que os parlamentares do PTS na Frente de Esquerda e dos Trabalhadores na Argentina fazem (como estar lado a lado dos trabalhadores nas lutas, ganhar como professores e doar seus salários para as lutas, ecoando o grito anticapitalista nos parlamentos dos poderosos)buscam levar adiante a sua voz anticapitalista, de cada fábrica, de cada universidade, de cada Call Center, de cada luta das mulheres, dos LGBTs e dos negros, para se enfrentar com esse sistema de privilegiados e mercenários.




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