Política

O EMBRÓGLIO DO JUDICIÁRIO PARA PARECER NEUTRO

Lava-Jato mira ex-governadores tucanos e busca parecer isenta para se fortalecer

Após prisão de Lula, a operação Lava-Jato abriu inquérito contra Alckmin e outros 4 ex-governadores, sendo dois tucanos, um do PSD e outro do MDB. Com a arbitrariedade do processo contra o petista escancarada, agora o judiciário procura preservar sua imagem e posar de isento.

quarta-feira 11 de abril| Edição do dia

O primeiro passo da movimentação da Lava-Jato em direção aos tucanos se deu com a prisão do engenheiro Paulo Vieira de Souza, conhecido operador do PSDB e ex-diretor da Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S.A.). Ele é acusado de desvios de R$ 7,7 milhões nas obras do Rodoanel entre 2009 e 2011.

Não por coincidência, a prisão ocorreu no mesmo dia em que Moro determinou que Lula deveria se entregar para a PF. Era já uma defesa contra os fatos que estão à luz do dia, de que a prisão do ex-presidente petista escancara a arbitrariedade do judiciário e seu papel como continuador do golpe institucional.

Na segunda-feira, 9, o MPF pediu à Procuradoria-Geral da República que fossem enviados dados sobre repasses da Odebrecht às campanhas de Geraldo Alckmin (PSDB) em 2010 e 2014. Eles querem apurar se há conexão entre os desvios de Paulo Vieira e o ex-governador. No ofício, o órgão pede “urgência, tendo em vista o andamento avançado de outras apurações correlatas”. Ele é apontado como sendo mais próximo de nomes como Serra e Aloysio Nunes, mas foi Alckmin quem o indicou para o cargo na Dersa.

Agora, o MPF pediu que investigações contra cinco governadores que deixaram seus cargos recentemente e deixaram de gozar de foro privilegiado sejam retiradas do STJ e enviadas para os tribunais comuns de primeira instância. O ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, faz parte da lista junto com Beto Richa (PSDB-PR), Marconi Perillo (PSDB-GO), Confúcio Moura (MDB-RO) e Raimundo Colombo (PSD-SC).

A força-tarefa do MP pediu ao vice-procurador da República Luciano Mariz Maia que remeta “o mais rápido possível” o inquérito de Alckmin, num documento que conta com a assinatura de nove procuradores da República, incluindo o vice-procurador-geral, Luciano Mariz Maia.

Alckmin foi citado por delatores da Odebrecht presos pela Lava-Jato como tendo sido beneficiário de desvios de recursos para suas campanhas eleitorais. As investigações incluem crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, desvio de recursos públicos, peculato e infrações eleitorais (Caixa 2).

Como analisamos aqui, frente ao escancaramento da arbitrariedade da prisão de Lula, que é denunciado amplamente até mesmo por setores direitistas como Reinaldo Azevedo e diversos órgãos da imprensa mundial, o judiciário se vê frente ao desafio de tentar esconder seu papel explicitamente golpista, maquiando sua arbitrariedade para poder se fortalecer e seguir com a legitimidade de que desfruta hoje, independente de qual seja o resultado da prisão de Lula.

Assim, podem avançar sobre nomes do MDB ou PSDB para se recompor, mas os riscos a cada movimentação sua são grandes: podem gerar novos tensionamentos e contra-ataques dos representantes do carcomido regime ao judiciário, levando a novas situações imprevisíveis. Por outro lado, um recuo em relação a Lula com a possível revogação da prisão em segunda instância poderia gerar respostas pela direita.

A prisão de Paulo Preto é um movimento discreto, mas significativo, e acende as luzes de alerta para o PSDB paulista.




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