Política

ODEBRECHT

Lava Jato e empreiteira Odebrecht fazem um acordo para dar uma pena branda a Marcelo Odebrecht.

Os advogados da empresa Odebrecht e o Ministério Público Federal fecharam um acordo para que o herdeiro da construtora, Marcelo Odebrecht, permaneça preso em regime fechado até dezembro de 2017. De acordo com a apuração da Folha, na negociação de delação premiada, os procuradores envolvidos na Operação Lava Jato e os representantes do empreiteiro acertaram que a pena total será total será de dez anos, sendo dois anos e meio em regime fechado.

Guilherme de Almeida Soares

São José dos Campos

quarta-feira 2 de novembro| Edição do dia

Foto: REUTERS/Rodolfo Buhrer

Marcelo Odebrecht está preso desde junho do ano passado no Paraná por estar envolvido no esquema de desvio da Petrobras. Este período de um ano e quatro meses será descontado da pena total, de acordo com as negociações. A partir de dezembro de 2017, o empresário entraria em progressão de regime cumprindo pena no semiaberto e aberto, inclusive o domiciliar.

No começo de outubro, a Folha de São Paulo revelou que os investigadores da Lava Jato apresentaram proposta para que ele cumprisse pena de quatro anos em regime fechado. Porém a defesa do empresário conseguiu negociar a redução da punição, alegando que era muito rígida diante do conteúdo apresentado pelo empresário, envolvendo políticos de alto calibre e contratos públicos de valores elevados.

A esposa do empreiteiro, Isabela Odebrecht, já começou a reformar o escritório que fica na casa do casal em São Paulo, para que o marido possa trabalhar quando for libertado em regime semiaberto.

Se de um lado a Lava Jato representa os interesses das grandes empresas diretamente imperialistas que querem ganhar mais espaço no mercado brasileiro e para isso precisa avançar contra as empresas "nacionais", do outro lado a tendência desta operação é para que se caminhar rumo ao grande acordo onde que os grandes empresários e políticos envolvidos em corrupção recebam penas cada vez mais brandas.

Sabemos que nestas empresas envolvidas no caso de corrupção da Petrobrás, possui diretamente ou indiretamente o investimento do capital estrangeiro. Para não se chocar com estes investidores, não é de interesse da turma do Sérgio Moro levar este caso até situações extremas. Isto mostra que assim como ocorreu na operação Mãos Limpas da Itália, a Lava Jato não irá punir os corruptos.

Conforme estamos denunciando, isso mostra que o real interesse da Lava Jato não é de combater a corrupção, mas sim de fazer com que os ataques contra os trabalhadores e setores populares da sociedade aconteçam. Durante o ex-governo de Dilma, a Lava Jato foi uma das principais armas da direita para dar o golpe institucional, pois a ex-presidenta não conseguiu impor as medidas impopulares que o imperialismo exigia. Agora, Michel Temer segue na mira da Lava Jato, pois caso não consiga impor os ataques no prazo que prometeu, o seu governo pode ser derrubado.

Mais uma vez a Lava Jato mostra o seu caráter arbitrário. A mesma Lava Jato que pede para que liguem Lula com a Odebrecht, é a que da uma pena branda para o filho do dono desta empresa. Lembrando sempre que apesar do caráter antidemocrático da Lava Jato, isso não "limpa a barra" de Lula de fazer acordos com os grandes empresários e a direita.

A única maneira de se combater a corrupção é através da luta independente dos trabalhadores e demais setores populares da sociedade. Para dar uma resposta a raiz deste problema, é preciso questionar este regime que carrega no seu DNA a corrupção.




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