Política

LAVA-JATO

Lava Jato do Rio prende deputados acusados de serem operadores do “mensalão da ALERJ”

Logo após as eleições, o judiciário entra novamente na arena política e prende diversos deputados acusados de cobrarem para votar em apoio ao grupo político de Sérgio Cabral.

sexta-feira 9 de novembro| Edição do dia

A lava jato volta a atacar no Rio. Desta vez o alvo são os deputados acusados de receberem propinas para votarem a favor do governo MDB. O esquema ficou conhecido como “mensalão da ALERJ” e foi usado para o governo aprovar diversas medidas, entre elas a venda da CEDAE, o aumento da contribuição previdenciária dos servidores do estado, 11% para 14%, e a aprovação do regime de recuperação fiscal, todas medidas que além de atacar a população, colocam o estado em uma situação cada vez maior de vulnerabilidade. Na verdade, o Rio de Janeiro vem sendo usado como “ponta de lança” no programa de ataques promovido pelos golpistas.

É importante ressaltar que a mesma direita que se diz defensora da moral e dos bons costumes é sempre também quem pratica a corrupção. E em particular, no estado do Rio de Janeiro, a corrupção tem uma dimensão de estado, servindo para mediar toda forma de controle social exercido na sociedade fluminense, desde as igrejas evangélicas até as milícias. É preciso sim combater essa estrutura verdadeiramente corrupta de opressão e exploração que alimenta o capitalismo do Rio de Janeiro, mesmo quando vem da esquerda, como por exemplo o PT que assimilou esses métodos próprios da burguesia para conseguir o seu espaço na superestrutura política.

No entanto esta operação, longe de resolver estes problemas, aparenta ter o intuito de fortalecer ainda mais o judiciário como uma força política no estado do Rio de Janeiro, redesenhando o tradicional modelo de “toma lá, dá cá” praticado no atual regime político, para algo mais coercitivo, ao mesmo que age consolidando a troca nos blocos de poder, que voltarão a praticar os mesmos esquemas escusos. É preciso romper esse ciclo para encontrar uma solução ao problema da corrupção, e isto só pode acontecer através de uma profunda mudança na relação de forças entre as classes sociais, para que os trabalhadores consigam impor uma agenda contra este sistema que se alimenta da corrupção.

Como viemos denunciando há tempos, a Lava-Jato não tem nenhum intuito de combater a corrupção, e sim de fortalecer o autoritarismo do judiciário junto a s setores mais reacionários. Exemplo disso é o fato que Sérgio Moro ocupará o Ministério da Justiça no governo Bolsonaro, ao lado de vários nomes acusados de corrupção. O estado do Rio já é um dos estados com a lava jato mais forte, e agora parece que ela de fato irá se integrar na estrutura de poder, a partir da ascensão de setores conservadores, como o juiz Wilson Witzel. O candidato eleito, usando de seu cargo de juiz para se apresentar como anticorrupção, faz parte de um partido com vários candidatos denunciados pelo crime. Esse discurso no fundo visa apenas medidas ainda mais reacionárias, como suas recentes declarações incitando a violência policial, ou quando o juiz apareceu ao lado do deputado que quebrou a placa de Marielle Franco.

Por isso, temos que denunciar impiedosamente os passos do autoritarismo judiciário em sua tentativa reacionária de atuar como apoio para setores mais reacionários aplicarem ataques mais pesados ainda aos trabalhadores. Frente a isso levantamos que todo juiz seja eleito e com mandato revogável, ganhando o mesmo que uma professora!

Que todo caso de corrupção seja julgado por júri popular!




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