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Lava Jato bloqueia bens de seu antigo apoiador, Geraldo Alckmin

A pedido da Polícia Federal, Judiciário bloqueia R$ 11,3 mi de Alckmin e toma imóveis do ex-governador de São Paulo. A decisão foi deferida a partir de desdobramentos da “Lava Jato eleitoral”, na qual o tucano é réu por caixa dois.

quinta-feira 6 de agosto| Edição do dia

Foto: Sebastião Moreira/EFE

A medida, determinada pelo juiz Marco Antônio Martin, da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, também autorizou o bloqueio de até R$ 9,3 mi do tesoureiro de campanha de Alckmin em 2014, Marcos Antônio Monteiro, e do ex-assessor da Secretaria de Planejamento no mandato como governador, Sebastião Eduardo Alves de Castro. De acordo com o Ministério Público Eleitoral, o ex-governador recebeu R$ 2 milhões em espécie da Odebrecht na campanha para o Executivo de São Paulo em 2010 e R$ 9,3 milhões quando disputou a reeleição em 2014. Os outros nomes teriam recebido repasses ilegais do tucano.

Com isso, o PSDB, grande entusiasta do autoritarismo judiciário, apoiador do golpe e da operação imperialista da Lava Jato, vê mais uma vez o feitiço se voltar contra o feiticeiro. Mais uma tradicional figura tucana, que viu na operação Lava Jato uma oportunidade para debilitar o PT e se alçar como alternativa burguesa para aprofundar os ajustes que o PT já buscava aplicar na crise, é alvo. Alckmin teve seus planos frustrados quando, em 2018, o debilitamento de Lula diante de sua prisão arbitrária nas eleições manipuladas pela justiça alçou fortemente a figura do reacionário Bolsonaro - que hoje junto com Mourão e os militares atacam os direitos da classe trabalhadora nesse momento de crise sanitária - no pleito contra Haddad. Ainda assim, com personalidades como Doria, buscou surfar no autoritarismo judiciário na campanha BolsoDoria.

A mesma mídia burguesa, como o Estadão, que foi defensora do processo golpista em 2016 e da prisão de Lula, agora dá destaque à defesa de Alckmin e do PSDB. Ambas as defesas chamam o patrimônio e o padrão de vida de Alckmin de “modestos”, sendo que, em 2018, quando registrou a candidatura no TSE, o tucano declarou patrimônio de R$ 1,4 milhão. O mesmo partido que vem defendendo e votando as reformas e os ataques contra a classe trabalhadora, neste momento espremida entre a marca de quase cem mil mortos e a miséria, agora afronta o sofrimento das massas chamando essa riqueza milionária de “modesta”.

Diante de mais um episódio nesta semana em que frações burguesas, como a PGR de Aras e a força-tarefa de Curitiba, disputam os rumos da Operação, com divisões no próprio Supremo Tribunal Federal, é necessário ressaltar que não somente todas essas alas foram parte de se valer do autoritarismo judiciário para degradar o regime à direita a serviço dos ajustes contra os trabalhadores, como são todas incapazes de responder ao problema da corrupção.

Para isso, é necessário que os juízes sejam eleitos e tenham mandatos revogáveis e que os casos de corrupção sejam julgados com júris populares e que todos os bens sejam confiscados. Contra a casta política privilegiada, mais do que nunca apartada da agonia das massas populares neste momento de fome, os salários dos políticos precisam ser o equivalente ao salário de uma professora. Por sua vez, a saída definitiva contra a corrupção precisa enfrentar um regime burguês intrinsecamente relacionado às empresas e aos seus interesses, que transforma o Estado em seu balcão de negócios e tem a corrupção como sua natureza.




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