ATAQUES AOS INDÍGENAS

Latifundiários invadem 480 mil hectares de terras indígenas em MT e tem aval de Salles

A Fundação Nacional do Índio, a Funai, editou recentemente medida que permite ocupação e vendas de terras indígenas que não foram homologadas pelo presidente. Assim, legaliza invasões e exploração em terras indígenas e com isso latifundiários conseguiram aval para invadir mais de 480 mil hectares de terras indígenas só no Mato Grosso desde que a medida foi aprovada. Como vimos em reunião ministerial ontem, essa medida é aclamada por Weintraub que odeia os indígenas e por Salles que quer desregulamentar qualquer empecilho para ocupação de terras pelo latifúndio.

sábado 23 de maio| Edição do dia

Segundo a “De olho nos ruralistas”, logo após a medida adotada pela FUNAI em 22 de abril, mais de 70 fazendas que invadem territórios indígenas foram certificados pelo governo, isso equivale a mais de 480 mil hectares de terras, é mais que o triplo da área da cidade de São Paulo nas mãos dos latifundiários do Mato Grosso.

A maior parte das invasões ocorre ao norte do planalto dos Parecis e não à toa é um polo da expansão de algodão, milho, soja e pecuária no estado. As reservas Manoki, dos Irantxe, e Menkü, dos Myky, juntas, somam 249 mil hectares invadidos, é mais que o dobro do município do Rio de Janeiro.

“O caso dos Myky é inaceitável e assustador, porque o processo de ocupação da terra passou por cima deles”, diz a coordenadora do Programa de Direitos Indígenas da Operação Amazônia Nativa (Opan), Andreia Fanzeres. “Tratoraram aldeias inteiras, literalmente”.

O deputado Nelson Barbudo do PSL dedicou a vitória dessa decisão da Funai à Associação dos Produtores Rurais Unidos de Brasnorte. E como se não bastasse, no estado do Mato Grosso o governador Mauro Mendes (DEM) enviou um projeto estadual que é análogo à decisão da Funai, querem aprofundar o saqueio das terras indígenas em nome do agronegócio no Brasil.

Veja: Ricardo Salles quer usar pandemia para destruir Amazônia: “A oportunidade é passar desregulamentação”

Um governo que se ajoelha ao agronegócio e quer fazer do Brasil um fazendão que bate continência ao Imperialismo é o que vimos na recente divulgação dos vídeos da reunião ministerial, com Weintraub, ministro da educação, dizendo que odeia o termo “povo indígena” e dizendo que existe apenas “povo brasileiro”, e com Salles, ministro do meio-ambiente, declarando que vai desregulamentar tudo que possível para “passar a boiada” e queimar a Amazônia.

"Odeio o termo povos indígenas". Veja integra da fala de Weintraub na reunião ministerial

Um governo que se pudesse desaparecia com os povos indígenas, odiados por Bolsonaro e sua corja de militares. Frente a tamanhos ataques, os sindicatos de trabalhadores precisam tomar para si as demandas dos que mais sofrem com esse governo, começando por se colocar contrários a cada uma dessas medidas que vão contra a demarcação de terras indígenas e levantar a necessidade de um Fora Bolsonaro e Mourão e de uma nova constituinte, livre e soberana, em que o povo possa decidir os rumos da política e defender a reforma agrária e a demarcação de terra indígenas já, contra os sanguessugas do latifúndio.




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