CRIME CAPITALISTA

Lama da Samarco/Vale atinge reserva de tartarugas-gigantes no ES

sexta-feira 27 de novembro de 2015| Edição do dia

Mesmo com a ação de ambientalistas, que tentaram salvar as tartarugas em Regência, Linhares, na região Norte do Espírito Santo, por meio da retirada dos animais, os berçários de caranguejos e de peixes, conhecidos como igarapés, foram atingidos pela lama barrenta que chegou à região.

A primeira tentativa de ambientalistas para evitar essa situação foi barrar os resíduos com a instalação de 9 quilômetros de boias na região, há aproximadamente uma semana. Na ocasião, a mineradora informou que tal medida reteria até 80% dos resíduos, o que não aconteceu.Nem perto disto, esta tecnologia usada para conter hidrocarbonetos que boiam acima da água se mostrava evidentemente ineficiente para um rio que inteiro estava barrento e carregando metais pesados.

Segundo o chefe da Reserva de Comboios, Antônio de Pádua Almeida, os ninhos das tartarugas que estavam próximos à foz do Rio Doce foram retirados previamente, para que a lama não os atingisse, mas a chegada dos rejeitos à parte norte da reserva ameaça outros ninhos.

"Conseguimos retirar os filhotes que nasceram e os soltamos em outro ponto no mar como medida de emergência, mas não sabemos se eles serão ou não contaminados. Se o grosso dessa lama vier e ficar depositado tanto na foz quanto nas praias, não sabemos o impacto que vai trazer para a biodiversidade", disse Almeida.

Famílias sem sustento, a única indenização justa é expropriar a empresa e colocá-la para produzir sob controle dos trabalhadores

Pescadores cadastrados na Federação das Colônias e Associações dos Pescadores e Aquicultores do Espírito Santo (Fecopes) entraram na Justiça com um pedido de liminar para que sejam mensalmente indenizados pela Samarco, cujos donos são a Vale e a anglo-australiana BHP Billiton.

Um audiência de conciliação foi agendada para o dia 2 de dezembro. Em nota, a Samarco informou que ainda não foi notificada da intimação citada. Tal como está sendo acusada em diversos municípios a Samarco/Vale finge não estar sabendo que já há milhares de pessoas atingidas pelo desastre que sua busca do lucro e conivência de governos produziu.

Os lucros bilionários desta empresa contrastam com o crime de valor inestimável que causou. Não há multa que possa ser aplicável que compense o que foi feito. Para garantir o efetivo atendimento das necessidades de toda população afetada e a recuperação do meio-ambiente é preciso expropriar a empresa sem lhe entregar um centavo, já lucrou bilhões e deixou uma devastação no país. Produzindo sob o controle dos trabalhadores junto a especialistas em meio-ambiente os recursos naturais do país poderiam estar à serviço de recuperar a região e populações devastadas e não o lucro.

Esquerda Diário / Agência Estado




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