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SAÚDE PÚBLICA DE MG

Laboratórios da UFMG podem ajudar a fazer testes de Covid-19. Que o Estado forneça todo recurso necessário para que haja testagem massiva da população!

Representantes de laboratórios da UFMG se reuniram e concluíram que eles podem ajudar a fazer testes de Covid-19. Com os recursos que os laboratórios têm hoje, calculam que conseguem realizar 2000 testes. O Estado deve fornecer os recursos necessários para que haja testagem massiva da população!

Maria Eliza

Estudante de Biologia da UFMG

sexta-feira 20 de março| Edição do dia

Foto: Cerumar

Em meio à pandemia de Covid-19, que está mostrando seus primeiros efeitos no Brasil com 7 mortos, ao menos 621 infectados, demissões em massa, dentre outros graves problemas, pesquisadores do Instituto de Ciências Biológicas, Medicina, Farmácia, Veterinária dentre outros da UFMG se reuniram para discutir a possibilidade de os laboratórios da universidade produzirem testes para identificar infecção por coronavírus, para ajudar o SUS. Atualmente, a responsabilidade por realizar esses testes em MG é da Fundação Ezequiel Dias (Funed), vinculada à Secretaria de Saúde do Estado de MG, e alguns laboratórios do da UFMG atuariam de forma auxiliar.

Já foi realizado um levantamento e, com os insumos e recursos já existentes nestes laboratórios, poderiam ser realizados 2000 testes pelo método qPCR (reação em cadeira da polimerase em tempo real – o mais utilizado no mundo hoje). Segundo o professor do Departamento de Morfologia do ICB, Gustavo Menezes, seria possível realizar 150 a 300 testes por dia com base em amostras inativadas do vírus. Para isso, seriam necessários ajustes em alguns laboratórios e credenciamento pela Anvisa.

Esta é uma importante contribuição, já que é imprescindível a testagem na população, sabendo que a transmissão em MG está acontecendo de forma comunitária, e os infectados podem transmitir o vírus antes mesmo de apresentarem algum sintoma da infecção. Com a testagem massiva para todos que desejam seria possível que os infectados, mesmo os que trabalham em serviços essenciais, se isolem enquanto são tratados, para conter a pandemia.

Mas justamente devido aos sucessivos cortes e desmonte nas universidades (atingindo em cheio a UFMG e, dentre sua comunidade universitária, recaindo em primeiro lugar sobre as costas dos trabalhadores terceirizados, sendo a maioria mulheres e negros), toda potencialidade da ciência fica muito aquém do que poderia ser utilizada. Os governos de Romeu Zema e de Jair Bolsonaro deveriam aplicar tanta verba quanto necessário para que os professores e estudantes da UFMG, que estão se dispondo a abrir mão de sua quarentena para colaborar com a resolução desta crise, possam fazê-lo. E que esse investimento seja investimento por via de impostos progressivos sobre as grandes fortunas. Se outras universidades se dispõem a seguir este exemplo, não se pode medir esforços: que os lucros das empresas que nos exploram dia a dia, como é a assassina Vale em MG, sejam confiscados e implementados nesta tarefa. O controle da produção e distribuição dos testes deve ser feito pelos trabalhadores, estudantes e cientistas da UFMG e da Funed em aliança com os trabalhadores do SUS.

Parece ironia que há pouco menos de um ano das absurdas declarações do governo federal, segundo o qual nas universidades públicas só há “balbúrdia”, hoje a importância destas universidades e do conhecimento produzidos nelas seja provado de forma tão trágica. Nós, da Juventude Faísca, sempre defendemos a educação e a ciência contra os cortes que vinham sendo aplicados em governos anteriores e se intensificaram desde o golpe institucional. Mas também sempre batalhamos para que o conhecimento produzido na UFMG estivesse a serviço dos trabalhadores e da população, e não dos lucros das empresas.

Este é um excelente exemplo de como usar nossa estrutura e conhecimento com este objetivo, e chamamos toda a comunidade universitária a transformar toda a UFMG e fazer dela um espelho para outras universidades. Que não só durante esta crise, mas permanentemente, não hajam empresas privadas atreladas às pesquisas na universidade; que nenhum estudante seja prejudicado pela falta de assistência estudantil e por aulas e atividades online; que acabe a terceirização, com a imediata contratação destes trabalhadores pela reitoria como efetivos para ceder-lhes licença remunerada, sem risco de demissão. Para que seja possível investir em saúde, educação e ciência, desde já, é urgente a completa revogação da EC do tetos dos gastos (95) e o fim do pagamento da dívida pública, que é um mecanismo de saque da economia brasileira para favorecer os imperialistas.

Leia também: Que a reitoria efetive e dê licença remunerada já aos trabalhadores terceirizados




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