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Kroton expande seu império no Ensino Básico para a região Norte do país

segunda-feira 24 de setembro| Edição do dia

A Kroton, que se tornou o maior monopólio de educação do mundo no governo do PT, amplia seu império agora no Ensino Básico e para a região Norte, ao comprar o Centro Educacional Lato Sensu, que conta com quatro unidades em Manaus-AM e uma em Rio Branco-AC, adicionando mais de 3,8 mil alunos à sua base de estudantes. A ação mostra uma ofensiva da Kroton-Anhanguera sobre o ramo da educação básica no país, que já neste ano comprou o Centro Educacional Leonardo Da Vinci (ES) e a empresa Somos Educação, do grupo Civita, o que rendeu uma base de mais de 35 mil estudantes.

Esse grande monopólio educacional, que endivida a juventude trabalhadora – em 2016, 47% beneficiários do FIES estavam endividados –, atualmente conta com mais de 1 milhão de estudantes no Ensino Superior e contou com um aumento vertiginoso durante o governo Dilma, quando seus lucros entre 2010 e 2014 aumentaram em 20.000% (sic!).

O primeiro grande período de desenvolvimento dos monopólios começa com a crise internacional da indústria na década de 1870. Agora, quase um século e meio depois, os grandes capitalistas se aproveitam da crise internacional para descarregá-la nas costas da classe trabalhadora, e se retroalimentam dessa mesma crise a fim de aumentar cada vez mais seus lucros.

A política de Estado de financeirização e mercantilização da educação para grandes grupos ultra concentrados mostra muito bem o recorte de classe e a quem o Estado serve. É um programa de privatizações e de aumento dos lucros dos grandes empresários, defendido pela maioria dos candidatos golpistas da direita e pela extrema-direita na figura de Bolsonaro.

Há um ano, na cúpula que reúne os 20 países mais ricos do mundo, o golpista Michel Temer afirmou enfaticamente: “não há crise no Brasil”. E ele não estava errado. A crise no Brasil atinge tão somente a classe trabalhadora e os setores mais explorados do país, com congelamento de gastos como a PEC 55, que congelou investimento na saúde e educação por 20 anos e a alta precarização do trabalho com os ajustes e reformas implementados pelo governo Temer, como expressão da política entreguista da burguesia nacional aos interesses imperialistas, que leva a sociedades semicoloniais como o Brasil a, como diz Florestan Fernandes, “sofrerem uma cirurgia estrutural que atinge o esqueleto, o coração e a alma da sua capacidade de ser e de sobreviver”

Esse modelo de aparato estatal para a disseminação da educação privada lucrativa no Brasil, tão fortemente aplicado pelo governo do PT, é uma continuidade do que foi construído na ditadura militar, no contexto da Reforma Universitária de 1968. Esse é mais um reflexo claro da transição “lenta e gradual”, pactuada com os ditadores, para o atual regime que está em decadência, a tal “Nova República”, resultado da Constituição de 1988.

A decadência de tal regime de pactos, iniciada com a crise e aprofundada pelo golpe institucional e a interdição do direito do sufrágio universal, mostra a urgência de se batalhar, exigindo que os sindicatos, as entidades estudantis e os movimentos sociais defendam a construção de uma nova Assembleia Constituinte Livre e Soberana que seja imposta por meio da luta. Não podemos continuar permitindo que esses grandes monopólios de educação controlem nosso conhecimento e direito de estudar.

Com a Constituinte, defenderemos a expropriação sem indenização de todos os tubarões do ensino, a revogação de todos os ajustes de Temer, a estatização e o controle pelos estudantes e trabalhadores de tais instituições e o não pagamento da fraudulenta e ilegal dívida pública, para que ampliemos o orçamento para a educação pública, garantindo-a para toda a população, livre de todo e qualquer interesse capitalista.




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