Sociedade

GREVE TRABALHADORES UNICAMP

Knobel e PSB de França querem destruir o Hospital e o CAISM na Unicamp

Por que a população de Campinas deve apoiar a luta dos trabalhadores da Unicamp?

quinta-feira 14 de junho| Edição do dia

Os trabalhadores da Unicamp seguem em greve desde o dia 22, reivindicando reajuste salarial e melhores condições de trabalho, já que os reitores das três universidades paulistas oferecem 1,5%, quando já se somam perdas de mais de 12,5% de salário no últimos anos. Além disso, a greve tem forte expressão dos trabalhadores da área da saúde, que mostram que o ataque do governador Márcio França (PSB), mesmo partido que o prefeito de Campinas Jonas Donizette, e do reitor da Unicamp Marcelo Knobel é um ataque não só aos trabalhadores da universidade, mas à toda a população, já que querem uma universidade de costas para os trabalhadores e o povo pobre e abraçada às empresas.

Não é novidade para ninguém que para muitos a Unicamp é somente um hospital, e cada dia mais precário. Isso porque na Unicamp 80 mil jovens ficam de fora de seus muros todos os anos, pelo filtro social do vestibular, e é justamente no único setor que a população tem acesso à que o governador do Estado e a reitoria querem mais atacar, tornando-a cada vez mais elitista.

Já na greve de 2016 lutamos contra os cortes que significavam 10 milhões de reais a menos para o HC, um ataque enorme à população, num momento em que faltavam até medicamentos e utensílios de higiene no hospital. Neste ano, como estamos denunciando aqui no Esquerda Diário, a situação se agrava a cada dia mais, tanto no CAISM quanto no HC a situação é de filas enormes e falta de contratação de funcionários.

No CAISM, que é um hospital de referência à saúde à mulher, a situação denunciada pelos próprios trabalhadores, é de acompanhantes de pacientes que são obrigados a dormir no chão, já que não existem locais adequados para dormir, gerando diversas situações-limite dentro do hospital. Ou mesmo equipamentos de exames médicos que são novos e caríssimos, mas que não funcionam há meses, ou que funcionam parcialmente, fazendo pacientes doentes repetirem os exames diversas vezes para se chegar ao diagnóstico, expondo assim os pacientes à radiação.

No HC, além de também enormes filas, falta de funcionários de acordo com a demanda, ainda há falta de anestesistas, fazendo pacientes que necessitam de cirurgias ficarem internados um longo tempo esperando pela cirurgia. E há denúncias de trabalhadores colocando como a Unicamp não respeita nem mesmo a deliberação do COFEN, de que para pacientes com cuidados mínimos a relação deve ser de 6 pacientes por funcionário da enfermagem, quando no HC chega até mesmo a 16 pacientes de média/alta complexidade por trabalhador.

Temer, França, Jonas e Knobel estão juntos contra a saúde

Precarizando os hospitais universitários, França, seguindo o legado do PSDB com Alckmin, tem como projeto avançar na privatização da saúde, atacando o SUS. Para isso, conta como braço direito com o ex-reitor da USP, Marco Antônio Zago, que avançou contra o HU, dizendo que o hospital era "parasita do orçamento", chegando a fechar o pronto-socorro infantil e avançar nos PDVs, diminuindo assim o quadro de funcionários, tentando também sucatear o hospital para desvinculá-lo da USP.

Além disso, não é só em São Paulo que França tem um cúmplice para seus planos de destruir a saúde pública e entregá-la nas mãos das empresas. Em Campinas, o prefeito Jonas Donizette, do mesmo partido de França, o PSB, está sujo na lama da corrupção do hospital Ouro Verde, que envolve a OS responsável pela gestão do hospital, a Vitale, e teve como projeto a demissão de mais de 1500 trabalhadores do hospital, já evidenciando a quem serve a privatização da saúde. Também é responsável pelo fechamento da UPA no centro da cidade. Atacando a saúde de Campinas, também colabora para que a demanda ao HC aumente, enquanto, na realidade, seu partido e a reitoria atacam os trabalhadores ali e precarizam as condições de atendimento à população.

Toda essa situação dos hospitais universitários e da saúde em geral são parte do projeto golpista também de atacar o SUS, aprofundando a transferência de dinheiro público para as grandes empresas de convênio que já ocorria nos governos do PT. Não à toa, além da PEC do fim do mundo que congela investimentos em saúde, no dia 10 de abril, aconteceu o "1º Fórum Brasil - Agenda Saúde: a ousadia de propor um Novo Sistema de Saúde", um debate que reuniu a alta cúpula do governo golpista de Temer, deputados e senadores para diretamente discutirem como vão repassar mais verbas públicas para os grandes convênios, abrindo mais espaço à privatização da saúde.

Por qual saída devemos batalhar?

Não dá mais para a saúde de milhões de trabalhadores e do povo pobre ficar nas mãos dos governos, que seguem retirando o orçamento da saúde enquanto pagam a fraudulenta dívida pública, que só querem favorecer os acordos que têm com as empresas, como vimos no caso do prefeito de Campinas, ou de uma burocracia universitária que quer que a universidade produza conhecimento para servir diretamente aos lucros milionários do setor privado, enquanto vira as costas para a população da cidade, sucateando a cada dia mais a situação da saúde.

Por isso, precisamos colocar a saúde nas mãos dos trabalhadores e da população, com um SUS 100% estatal, geridos pelos próprios trabalhadores da saúde, que mais do que ninguém sabem as necessidades do hospital, controlado pela população. Os hospitais universitários, com os trabalhadores à frente, em aliança com os usuários e estudantes da saúde, podem ser uma trincheira nessa luta por uma saúde que não seja mercadoria, e assim também por uma universidade que sirva aos interesses dos trabalhadores e de toda a população pobre e possamos avançar na luta por uma outra saúde e uma outra medicina que atenda as necessidades humanas, se livrando das amarras do capitalismo.

Os estudantes mais do que nunca, e assim como nós da juventude Faísca já viemos batalhando em cada assembleia, devem se ligar à greve dos trabalhadores da Unicamp, que hoje é quem pode ser capaz de derrotar os planos da reitoria e de Márcio França e assim se colocar em luta em defesa da educação e da saúde, lutando também para que se abram as contas da universidade para que os estudantes junto aos trabalhadores possam decidir sobre os rumos de cada centavo da Unicamp, para assim corresponder ao HC e CAISM que nós queremos, servindo aos trabalhadores e à toda a população.

Nesse processo, devemos superar a burocracia acadêmica que hoje dirige a universidade, com altos privilégios, agora favorecida pelo aumento do teto do funcionalismo público, enquanto alegam que não há verbas para pagar os salários dos trabalhadores, lutando pelo fim da reitoria e dissolução do conselho universitário, impondo um governo de estudantes, trabalhadores e professores de acordo com sua proporção real na universidade.




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