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Kátia Abreu, rainha do latifúndio, expulsa do PMDB como "mártir democrata"

Grande representante do agronegócio durante o governo Dilma, Katia Abreu agora sofre represálias de seu partido por ter ido longe demais na defesa da ex-presidente.

sábado 3 de setembro| Edição do dia

O acalorado discurso da melhor amiga do latifúndio durante o processo do impeachment no Senado talvez tenha sido a gota d’água para o PMDB. O jornalista Matheus Leitão divulgou em seu blog no G1 que, segundo fontes do partido que não são citadas, a senadora será expulsa no próximo período pois "muda de posição, de partido e de lado com muita facilidade e rapidez" e está na vida política de passagem.

Na verdade, Katia Abreu sempre esteve de um lado bem definido e seleto. O lado da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), o lado do agronegócio, o lado dos latifundiários que assassinam os sem-terra e a população indígena que luta pela demarcação de suas terras, o lado dos devastadores do meio ambiente em nome do lucro, dos que mantém trabalho escravo em suas fazendas. Nunca saiu do lado dos grandes pecuaristas, dos grandes proprietários de terra do país, que garantem seus privilégios às custas de muita exploração e de uma verdadeiro genocídio dos povos indígenas. É esse o lado que Kátia Abreu está, e esses interesses que ela sempre defendeu.

Em outras palavras, a acusação do PMDB não sai dos limites da classe dominante. Kátia Abreu não está, no momento, ao lado dos golpistas, mas também não se opõe ao golpe institucional por estar ao lado de quem mais sofrerá com as medidas decorrentes dele. Como expressou em seu discurso no Senado, continua defendendo os interesses da classe dominante, e defende Dilma pois, segundo ela, foi quem mais investiu e deu poder ao agronegócio.

O partido golpista se incomodou com a defesa que Katia Abreu fez do governo Dilma, reivindicando todos os retrocessos e todas as vantagens que os latifundiários tiveram no período, como a mudança no Código Florestal. Desde o início do processo a senadora e ex-ministra se opôs ao impeachment, mas parece que foi longe demais ao dizer que ele nasce de uma "vingança sórdida de Eduardo Cunha" e ganha forma na "ganância sem limites de um pequeno grupo pelo poder". Essa defesa do governo Dilma, além de reafirmar o PT como um conciliador que, fatalmente, beneficiou muito mais a burguesia latifundiária do que os indígenas e os sem-terra, escancara fissuras no PMDB. Ela será expulsa pois não serve mais às necessidades do partido nessa nova fase, encabeçando o governo golpista.

Na pasta de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, antes comandada por Kátia Abreu, pouco muda após sua saída. O novo ministro é Blairo Maggi, megaempresário conhecido como "rei da soja". Um dos maiores produtores de soja do mundo e também um dos maiores responsáveis pela devastação do meio ambiente no Brasil. Mais um convicto representante do agronegócio, que garantirá ainda mais retrocessos na reforma agrária, ainda mais chacina contra os povos indígenas e ainda mais privilégios para os latifundiários.




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