KÁTIA ABREU VICE DE CIRO

Kátia Abreu “Motosserra de Ouro” será vice de Ciro Gomes

Amanhã, segunda-feira (6), a senadora e "melhor amiga do agronegócio", Kátia Abreu, será anunciada como vice de Ciro Gomes, compondo uma chapa reacionária que tenta passar uma imagem de "progressista".

domingo 5 de agosto| Edição do dia

Kátia Abreu ganhou o epíteto "Motosserra de Ouro" quando, em 2010, foi agraciada com o prêmio de mesmo nome oferecido pela ONG Greenpeace àquelas pessoas que “contribuem” para o aumento do desmatamento no Brasil. Há 8 anos, Abreu ainda pertencia ao DEM, era líder da bancada ruralista e presidente Confederação da Agricultura e Pecuária no Brasil (CNA), entidade patronal que, entre outras coisas, defende que “há muita terra para pouco índio” para assim promover a retirada de suas terras.

Embora tenha recusado o simbólico prêmio, o apelido “motosserra de ouro” pegou e, a este, outros se juntaram: “rainha dos latifundiários”, “defensora dos agrotóxicos”, “melhor amiga do agronegócio” e “inimiga dos indígenas, dos sem-terra e do meio ambiente”. De lá para cá, com passagens pelo PSD e pelo MDB (antigo PMDB, do qual foi expulsa como “mártir da democracia”), Kátia vem tentando vender uma imagem de "progressista". Talvez por isso, ao ter sua candidatura à vice-presidente na chapa de Ciro Gomes anunciada, estejam tentando fazer colar um novo apelido: “aliada de Dilma”.

O presidente do PDT declarou à Folha de S.Paulo: “Ela é uma mulher de honra e que foi firme contra o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff”. Abreu foi ministra da Agricultura de Dilma em seu segundo mandato, interrompido pelo golpe institucional que continua se aprofundando. Foi naquele momento que ganhou certa notoriedade como figura supostamente "progressista", devido, sobretudo, ao seu discurso inflamado em defesa da petista, em setembro de 2016, numa construção de imagem dessa aliança oportunista quem muito flertava com a ideia de “sororidade”.

Mas antes de essa aproximação significar uma "união de mulheres progressistas contra o legislativo machista", a relação entre as “melhores amigas” escancara os acordos que o próprio PT fez com esse que representa um dos setores mais reacionários da burguesia nacional, o agronegócio, tão bem representado na figura da Motosserra de Ouro. A aproximação de Kátia Abreu ao PT, que inclusive chegou a defender recentemente sua candidatura ao governo do Tocantins, diz muito mais sobre as apostas de conciliação de classe do partido e de Dilma e Lula quando presidentes, os quais, aliás, parecem nada ter aprendido com o golpe.

Veja também: Unidade para reconstruir o Brasil agora é também com Kátia Abreu, a "motossera de ouro".

Essa união de Ciro Gomes, defensor declarado de hidrelétricas à energia nuclear, que só se coloca ao lado do trabalhador de maneira hipócrita e por meio de bravatas vazias, com Kátia Abreu, a “dama do agronegócio”, antes de significar uma chapa progressista, como tentam vender, representa a união do que há de mais reacionário na política brasileira.

Como já bem notaram alguns comentaristas no Twitter, o PDT poderia, sem nenhum prejuízo, mudar seu nome de Partido Democrático Trabalhista para Partido da Devastação da Terra.




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