Educação

GREVE EDUCAÇÃO INFANTIL BH

Kalil corta ponto das educadoras infantis de BH que resistem em greve há quase cinquenta dias

Tassia Arcenio

Contagem, Minas Gerais

segunda-feira 11 de junho| Edição do dia

As educadoras infantis de Belo Horizonte decidiram em assembleia no dia 05 de abril, que entrariam em greve no dia 23 do mesmo mês, caso o prefeito da cidade, Alexandre Kalil do PHS, não negociasse com a categoria. A partir daí, fizeram um calendário de mobilização com plenárias de representantes da educação infantil, reuniões com as comunidades, panfletagens e mobilização nas regionais.

Frente à intransigência de Kalil, no dia 23 as educadoras iniciaram a greve reivindicando carreira docente única, valorização do trabalho, contra o fechamento dos berçários e redução do atendimento nas UMEIs, entre outras pautas.

Nesse mesmo dia 23, as educadoras infantis protagonizavam um importante ato pós-assembleia, quando foram brutalmente reprimidas pela Polícia Militar, que utilizou o “caveirão” e jatos d’água, bombas de efeito moral, balas de borracha, spray de pimenta e gás lacrimogênio, além de prender dois professores diretores do SindREDE-BH (Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal de Belo Horizonte), como denunciamos aqui e aqui.

Diante dessa escandalosa repressão feita por Pimentel e apoiada por Kalil, o Sindrede chamou paralisação total da rede municipal de educação e junto às centrais sindicais convocou um ato na frente da prefeitura para repudiar a brutal repressão e manifestar o apoio à greve que nesse momento ganhou importante apoio popular.

A partir daí, várias medidas e ações foram realizadas pelas educadoras em greve: aulões públicos, carreatas, passeatas, visitas às escolas e UMEIs, intervenção no clássico de futebol no Independência, panfletagem e ato na feira de artesanatos no centro de BH, manifestação nas redes sociais, audiência pública, futebol de mulheres, rodas de conversas, intervenções artísticas, ato na Secretaria Municipal de Educação (SMED), gravação de documentário sobre mulheres na educação, ato-caça à Ângela "Dalmal" na UFMG, arraial, vigília, campanha de arrecadação de cesta básica, além de inúmeras reuniões do comando de greve eleito e assembleias da categoria.

Todas essas ações são de extrema importância, pois buscam massificar a greve, aumentando o número de educadoras e escolas e UMEIs paralisadas, ao mesmo tempo, que permitem um diálogo maior com a população, com entendimento que a educação de qualidade para as crianças é uma causa de todos.

Só a massificação da greve e a construção da luta das educadoras como uma luta de toda a população é que pode levar o movimento a obter vitórias, especialmente em uma conjuntura nacional reacionária, que reflete em cada canto do país, e que após o golpe institucional, tivemos aprovação da reforma trabalhista, a prisão arbitrária de Lula e o avanço do autoritarismo do judiciário, o assassinato da vereadora do PSOL no Rio, Marielle Franco, e mais recentemente, o bloqueio dos caminhoneiros dirigidos pelos empresários do transporte, que negociaram subsídios que garantem seus lucros às custas de cortes na educação.

Somado a isso, estão as traições das grandes centrais sindicais, como a CUT, dirigida pelo PT, que em Minas Gerais freou a luta dos educadores da rede estadual através da direção central do SindUTE e nacionalmente traiu a greve dos petroleiros, além de inúmeros outros exemplos. Se essas categorias tivessem tido suas pautas de conjunto atendidas, a correlação de forças para cada nova greve seria outra.

Não há justificativa também, para a CUT não jogar todo o peso de seu aparato na defesa da greve da educação infantil, mobilizando as categorias que dirige por suas demandas em apoio à greve em curso, a começar pelo SINDIBEL, sindicato dos servidores públicos municipais de Belo Horizonte. Como parte de um plano de lutas unificado contra os ataques dos governos municipais e estadual de Pimentel, contra o escandaloso atraso de salário da educação e da saúde, contra a reforma trabalhista que vem sendo implementada nos locais de trabalho e nas fábricas. Um plano de lutas que tenha como uma das tarefas unir os trabalhadores contra os ataques dos governos e da patronal e fazer a greve das educadoras infantis vencer.

As educadoras infantis que resistem em meio a esse cenário adverso, após um mês de greve, montaram um acampamento na frente da prefeitura de BH, como forma de protesto contra o autoritarismo de Kalil, que fechou as negociações com as educadoras, deixando evidente que não só não se preocupa com a categoria e com a educação, como não se importa que as crianças sigam sem escola por sua responsabilidade.

Desmascarando por completo seu discurso de que não é um "político", Kalil mostra com toda clareza que é um político a serviço dos interesses da classe dominante, mantendo a precarização do trabalho das educadoras e após as diversas ameaças feitas por notas das secretarias, concretizando o absurdo corte de ponto, ferindo o direito de greve e deixando centenas de famílias sem sustento.

Quando as educadoras refletiam as propostas feitas pela prefeitura antes da mesma suspender a negociação, Kalil retrocedeu no que já havia apresentado, mostrando mais uma vez que além de não ter nenhuma seriedade enquanto homem público, é um político que joga contra a educação pública de qualidade.

Nós do Esquerda Diário, colocamos todas nossas forças à disposição das educadoras em greve, para que ecoem suas vozes e sua luta por todos os cantos do país. Desde a agrupação de mulheres Pão e Rosas, nos solidarizamos e discutimos com companheiras estudantes a importância dessa luta e o exemplo dessas mulheres linha de frente da greve, pautando essa mobilização dentro da UFMG, na Biologia, Belas Artes e Arquitetura:

Também na UFMG, no dia de mobilização estudantil em defesa da educação pública, a Juventude Faísca fez sua intervenção propagandeando a greve da educação infantil e a importância da unificação das lutas e da aliança entre estudantes e trabalhadoras:

A próxima assembleia é nessa terça-feia, 12/06, às 14 horas e deve ser cercada de apoio e solidariedade, para que as mulheres educadoras de Belo Horizonte saibam que sua disposição de luta é um exemplo para toda a classe trabalhadora.




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