Juventude

CRISE CORONAVÍRUS

Juventude Precarizada: População de “alto risco” frente COVID-19

A realidade daqueles que enfrentam as piores condições de trabalho nos mostram a necessidade de tomar medidas de emergência que somente a esquerda vem apresentando.

quinta-feira 19 de março| Edição do dia

Artigo original escrito em espanhol: Juventud precarizada: población de "alto riesgo" ante el Covid-19, no La Izquerda Diario.

“Não podemos ir estudar, mas sim ir trabalhar?”, é um questionamento que fez uma jovem estudante em um depoimento entre tantos que chegaram ao La Izquierda Diario nos últimos dias. A juventude deveria significar uma vantagem diante de uma fenômeno como a expansão de uma pandemia. No entanto, devido a precariedade no trabalho e na vida que afronta a maior dos e das jovens, fazem parte da população com maior exposição às consequências ao COVID-19.

A juventude que trabalha sem registro, como monotributista, terceirizados, contratados temporariamente, que novas medidas é necessário para que essa nova crise não caia sobre eles?

Primeiro devemos ter algumas considerações:

- Quanto maior a precarização, menos garantias teremos que nossos patrões cumpram as medidas adotas pelo governo para que ser tomadas no meio privado. O Estado que permite que estejamos na irregularidades e que também nos precariza na administração pública, vai controlar e sancionar os patrões que não cumprem com os dispositivos necessários para que não se propague o vírus? Quem controlará a empresas privadas que mais precarizam?

- Alguns setores como os e as monotributistas ficam fora das medidas anunciadas pelo ministro do trabalho, Claudio Moroni, em uma coletiva de imprensa que deu junto a secretaria de administração e emprego público, Ana Castellani. Alí, se referiram ao setor público e ao privado. Que acontece com aqueles que trabalham, por exemplo, no Rappi? Sabem que não somos “empreendedores independentes”. Se sabe que o monotributo - modalidade que o próprio estado contrata - é um tipo de precarização oculta. Um forma muito barata de exploração sem que as empresas privadas ou mesmo o Estado tenham vínculo de dependência. Como se pensa que Rappi, Glovo e Uber não sigam expondo milhares e milhares a sair de casa durantes horas e horas?

- Quanto maior a precarização, piores as condições de segurança e higiene existem nos locais de trabalho. Os call centers, geralmente, são locais mal ventilados onde centenas trabalham aglomerados, um grande exemplo de como se combinam a precarização com ambientes inumano. Trabalhadores do Burguer King denunciam que as pessoas que atendem o caixa são permitidas a lavar as mão uma vez a cada uma hora e meia, há escassez de álcool em gel e que não é fornecido máscaras. Estamos falando de tarefas que implicam em atender pessoas, manusear contas, cartão de crédito e dinheiro. Dizem que antes do Covid-19 é permitido lavar as mãos uma vez a cada 5 horas aproximadamente. Um nojo.

- Normalmente, os sindicatos são notáveis por sua ausência nos locais de trabalho onde predomina a precarização. A organização sindical é mais perseguida e os patrões ficam mais impunes para poder demitir por qualquer razão, como por exemplo em ofícios como na área da alimentação e comércio. O trabalho sem registro é predominante nos empregos onde a maioria é composto por jovens. Ainda, onde há representação sindical, como os grandes supermercados, como Wallmart, as direções são parte da maquinaria montada para prejudicar com a terceirização ou os contratos indesejados.

- A situação de milhões de mulheres empregadas domésticas é um claro exemplo de como a precarização afeta com mais força a vida das mulheres. As péssimas condições de trabalho são a regra em empregadas domésticas e as terceirizadas da área da limpeza por exemplo, em tarefas que as expõem a uma exposição alta. E as mulheres mais precarizadas, ao mesmo tempo, são as que menos recebem e que mais dificuldade em poder pagar alguém para cuidar de seus filhos e filhas. Menos chances tem de faltar ao seus trabalhos caso precisem ficar em casa quando não há ninguém para ajudá-las. Quanto maior a precarização, menor a possibilidade de preservar a sua saúde e a de sua família.

- A precarização não se resume só a determinadas condições de trabalho. O direito ao acesso a saúde em nossa país está diretamente relacionada com a forma que trabalhamos. A precarização do trabalho é a precarização da vida: Trabalho formal, com direitos sociais, não é o mesmo que viver sem nenhuma proteção. Na Argentina, a saúde é pública, isso não é garantia de ser realmente um direito para todos e todas. Acessar a uma consulta em um hospital público é uma missão quase impossível. Uma pessoa precarizada tem que perder um dia de trabalho para conseguir uma consulta no hospital. Uma pessoa precarizada muda tantas vezes de trabalho ou de horário que ao final de sua jornada de trabalho acaba, não há como comparecer. A precarização é não poder faltar por enfermidade e implica que muitos e muitas não tenham se quer um tempo para cuidar de sua saúde. A juventude se vê obrigada a rotina cotidiana e deixar sua própria saúde de lado. Diante do desabastecimento e a saturação do sistema público, nenhum precarizado está em condições de enfrentar com suas economias consultas em clínicas particulares.

Pode alguém pensar no precarizado? Sim, a esquerda!

Nesta quarta-feira o deputado nacional pelo PTS e FIT participará de uma reunião com o Presidente e outros líderes da oposição. Como manifestado em comunicado, levará uma série de propostas promovidos pela esquerda, como medidas de emergência diante da crise sócio sanitária em curso. Entre elas um subsídio 20 mil pesos por pessoas na informalidade, que na Argentina alcança 35% da população assalariada. A realidade da juventude precarizada apresentam a verdadeira necessidade que se tomem medidas que só a esquerda está propondo e que tal discussão exige que o congresso se reuna em sessão:

- Sistema único de saúde, nas mãos do Estado e controlado pelos trabalhadores e trabalhadoras. É necessário fazer o mesmo absorvendo a saúde privada e também a produção nos laboratórios. Somente assim se pode ter garantia da produção e o acesso ao álcool em gel, sabão, alvejante, luvas e máscaras suficientes para todos e todas, incluindo quem não tem cobertura médica, podendo assim, ter acesso ao direito à saúde.

- Que ninguém seja despedido, nem suspensão com corte de salários. Não é nossa responsabilidade!

- Licença para cuidar dos nossos filhos e filhas em casa!

- Comissões de segurança e higiene nos locais de trabalho, a cargo dos trabalhadores e trabalhadoras.

Com que recursos se pode alcançar essas medidas? Em primeiro lugar rechaçando a dívida pública. Uma dívida que só beneficia aos grandes empresários credores e ao FMI.

Está claro que a direção dos sindicatos não vão levar a frente a nossa defesa pela sua própria vontade e que o Governo está mais preocupado com garantias dos negócios dos patrões do que nossa integridade. Os trabalhadores e as trabalhadoras dos shoppings já começaram a organizar-se para exigir o fechamento de seus locais de trabalho. Devemos seguir seu exemplo e o de outros e outras que vem se organizando em distintos locais do país diante da crise do coronavírus, no contexto de outra pandemia que cada vez se estende e aprofunda mais entre a juventude: A precarização do trabalho.




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