RACISMO

Justificando o racismo e ódio aos pobres, Doria defende sua esposa de críticas nas redes sociais

O governador João Doria saiu em defesa de sua esposa, Bia Doria, após inúmeras críticas feitas à sua esposa pela fala racista e com enorme ódio aos pobres em um vídeo publicado junto com outra socialite, Val Marchiori, em que dizia que as pessoas em situação de rua não devem receber alimentos e que "gostam de ficar na rua".

terça-feira 7 de julho| Edição do dia

Nesta segunda-feira (06), João Doria saiu em defesa de Bia Dória, sua esposa, em entrevista coletiva onde com muito malabarismo, o governador tentou argumentar que o vídeo que circula pelas redes sociais que mostra sua esposa, ao lado da socialite Val Marchiori, falando "porque a pessoa tem que se conscientizar que ela tem que sair da rua, porque a rua hoje é um atrativo [...] eles gostam de ficar na rua", é uma edição parcial que descontextualiza a fala da Primeira Dama.

Contudo, o vídeo completo é mais repugnante que somente o trecho que viralizou, onde Bia Dória afirma que as pessoas “gostam da rua”, que “precisam se conscientizar” de que precisam sair dessa situação e concorda com a ridícula afirmação da socialite e empresária Val Marchiori, que os moradores de rua “não querem responsabilidade”. Vemos aqui uma típica conversa da hipócrita classe dominante: culpabilizam os explorados e oprimidos pelas condições de vida que eles mesmo impõem a amplas camadas da classe trabalhadora, ainda mais em momentos de crise econômica. E ainda fingem como se governadores como João Doria não tivessem batido palmas a MP da Morte de Bolsonaro que tem permitido cortes de salários e suspensões contratos ou então deixado de dar alimentação mínima aos filho do setores mais precários da classe trabalhadora, que tinham como principal refeição a merenda da escola.

Doria em sua fala tenta ao máximo apagar a escancarada fala racista e anti-pobre da primeira Dama e sua colega empresária, colando que o assunto da conversa era sobre a política de acolhimento, das CTAs (fundadas pelo próprio governador) e do Fundo Social (que é presidida pela primeira Dama, por nomeação de marido, logo, que está subjugada aos interesses do governo deste empresário direitoso). Tenta mostrar que seleção daquele trecho foi uma edição “maldosa” que distorce o quão benfeitora tem sido as políticas de seu governo com prefeito de São Paulo, já que as CTAs foi de sua criação, é agora de seu governo enquanto governador, porém não é somente o trecho ou este por completo que escancaram seu elitismo, a toda a carreira política e empresarial do governador.

Mesmo se olharmos sob as desculpas esfarrapadas do governador e olharmos o contexto como um todo, veremos que é ainda pior. No vídeo vemos as duas mulheres brancas e ricas falando de quanto ajudam os pobres, na suas ações de "caridade", ao mesmo passo que desde o Palácio do Bandeirantes que está vazio, falam que depois da pandemia alugarão seu espaço para eventos das elites, enquanto este e muito outros o hotéis e clubes de luxo poderiam estar sendo usados para não só abrigar os moradores de rua, mas também moradores das favelas e localidades precárias que não tem estrutura para possibilitar um quarentena viável e eficaz.

Uma clara demonstração que se depender da burguesia e sua casta política, estes espaços continuaram sendo usados para eventos dos grandes empresários ou então para se fazer vídeos toscos como o de Bia Doria e Val Marchipro para fazer propaganda de golpistas como Dória, e não para salvar vidas.

Ao contrário do que o governador tentar transparecer em sua fala, do quanto seu governo e sua esposa tem feito pelos moradores de rua e mais pobres, na verdade estes foram os mesmos responsáveis pela violência policial contra os professores que lutavam contra a reforma da previdência em SP, foi com seu mando que a polícia brutalizou a juventude negra de Paraisópolis e é sua gestão que não tem dado comida, agora na pandemia, para as crianças que necessitavam da merenda das escolas. Nem precisamos falar que o bom samaritano que é Dória bateu palmas para a MP da Morte de Bolsonaro, que tem permitido cortes de salários e suspensões de contrato em massa por todo o país, que levado milhares a rua e a fome.

Dória ao defender sua esposa reafirma o que está falou no vídeo: que os moradores de rua não querem responsabilidade, que só querem benefícios, mas é essa casta política da burguesia que não tem nenhuma responsabilidade com a população e que vivem de privilégios. Em plena crise sanitária não querem perder nada de seus lucros e super-salários como políticos, enquanto falam que em tempos de crise é preciso austeridade. Austeridade para quem? Já se era previsto o colapso do sistema público de saúde e os impactos econômicos da pandemia, mas até agora os governos só tem buscado formas de flexibilizar a quarentena e de atacar os trabalhadores em suas condições de vida. Enquanto nada fizeram para ampliar o sistema de saúde, com contratação de profissionais e reconversão industrial para se ter ventiladores, EPIs e teste massivos.

Nenhum plano econômico concreto contra as demissões e contra a desigualdade estrutural para o isolamento social e recuperação dos adoentados. São poucos como a socialite que pode pegar a COVID-19 com plena tranquilidade e logo depois falar que alugará um dos espaços do Palácio para um almoço enquanto o povo fica em filas gigantescas esperando para retirar seu auxílio que nunca chega.

O combate à situação de rua, que é determinada pelo combate ao desemprego e a desigualdade social, só é possível com uma perspectivas de superação do capitalismo, que estruturalmente produz desempregados e moradores de rua, que são usados como exército de reserva para baixar salários e, quando tratados com migalhas pelas elites e seus políticos, para enobrecer os “ricos caridosos”, “responsáveis” como o governador, sua esposa, sua amiga empresária ou todo o Governo Bolsonaro, que faz muita demagogia, mas é agente direto da precarização das vidas destes trabalhadores.




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