Política

CRISE NO RIO

Justiça quer tomar gado de agricultores expropriados por Cabral e Eike Batista

quarta-feira 14 de junho| Edição do dia

Em defesa de acordo entre Cabral e Eike Batista, a justiça estadual decidiu expropriar o gado de agricultores que tiveram suas terras expropriadas por decreto de Cabral de 2010. Cabral "criou" um distrito "industrial" nas terras destes agricultores, expropriando todo o V Distrito de São João da Barra e dando de presente a Eike Batista construir o Porto de Açu, que supostamente seria um complexo industrial e portuário onde hoje se encontra uma área completamente abandonada.

Na época, Cabral e a prefeita de São João da Barra Carla Machado atuaram juntos para decretar a venda obrigatória dos terrenos do V distrito de São João da Barra para a Companhia de Desenvolvimento Industrial (CODIN) e a Porto de Açu S/A, dando 100 vezes menos pelo valor da terra. Cerca de 80% dos moradores não aceitou a decisão e foram expropriados mesmo assim, à força pela polícia, e até hoje não receberam.

A justiça, claro, ficou e fica do lado de Cabral até hoje, e atua para manter as terras mesmo com todas irregularidades, nas mãos da Porto de Açu e da CODIN. Como pudemos verificar em inúmeras reportagens, inclusive na imprensa burguesa, nada foi construído na região, mesmo assim, a justiça segue atuando sob os interesses de Eike Batista e Cabral, ordenando a expropriação do gado dos agricultores que voltaram a ocupar as terras que são suas por direito.

A decisão da comarca de São João da Barra no dia de ontem foi noticiada aqui, e é mais uma demonstração de que, apesar de condenar Cabral, a justiça absolve todos seus crimes contra os trabalhadores e o povo pobre. Esta decisão inédita, que dá poder à CODIN e à Porto de Açu S/A para expropriar o gado, é mais uma tentativa de tirar o sustento destes agricultores, que até agora não foram ressarcidos pelos estragos causados pelo governo de Cabral, muito pelo contrário. Pagam pela conta da crise junto aos servidores do estado que estão sem receber e a população que sofre com o sucateamento dos serviços públicos para o pagamento da dívida pública e a farra das isenções e empréstimos milionários para financiar os capitalistas do Rio de Janeiro.

Leia mais sobre a decisão: Conflito agrário no Porto do Açu: uma sentença e suas muitas curiosidades




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