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Justiça exige explicação de secretário de Comunicação de Bolsonaro por contratos suspeitos

Justiça do Distrito Federal determinou um prazo de cinco dias para que o chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom), Fábio Wajngarten, conceda explicações sobre contratos suspeitos. Fábio Wajngarten é sócio majoritário da empresa de comunicações, FW Comunicações e Marketing, que possui como clientes agências e emissoras de TV que recebem recursos do governo.

segunda-feira 20 de janeiro| Edição do dia

Após Ação Popular assinada pelo deputado do PSOL, Ivan Valente, e o presidente do mesmo partido, Juliano Medeiros, Justiça do Distrito Federal determinou um prazo de cinco dias para que o chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom), Fábio Wajngarten, conceda explicações sobre contratos suspeitos. Fábio Wajngarten é sócio majoritário da empresa de comunicações, FW Comunicações e Marketing, que possui como clientes agências e emissoras de TV que recebem recursos do governo. Devido a clara situação de conflito de interesse a Ação Popular pede a demissão imediata do secretário do governo. O escândalo envolvendo o chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), Fabio Wajngarten é que ele recebe, por meio de uma empresa da qual é sócio, dinheiro de emissoras de TV e de agências de publicidade contratadas pela própria secretaria. Isso sem falar dos ministérios e estatais do governo Bolsonaro.

No Brasil, a Lei de Conflito de Interesses estabelece que membros da cúpula do governo não podem manter negócios com empresas que podem ser afetadas por suas decisões. Tal prática implicaria em improbidade administrativa. Apesar de Fábio Wajngarten afirmar que se afastou dos negócios antes de assumir o cargo, a empresa Artplan, cliente de sua empresa, passou a ser a primeira em recebimento de verbas da pasta durante sua gestão. Anteriormente a agência mais beneficiada era a Calia Y2. Não suficiente, Fábio Wajngarten participou de quase 70 reuniões com atuais e antigos clientes de sua empresa. Segundo reportagem da Folha de São Paulo o recebimento da agência aumentou em 36% durante a gestão de Fábio Wajngarten. O mesmo, também, prorrogou o contrato da agência com a Secom e concedeu um aumento de R$127 milhões.

A Artplan não é a única cliente de Wajngarten a ser beneficiada nas relações com a Secom. As emissoras Band e Record também estão entre as clientes do secretário que aumentaram o recebimento de verba do governo e ministérios para realizarem as principais campanhas do governo como da Reforma da Previdência e do Pacote anticrime de Sérgio Moro. Claramente, o governo Bolsonaro não só encabeça ataques históricos aos trabalhadores, como beneficia com verba pública funcionários da cúpula do governo e amigos através de contratos milionários de publicidade.

O governo Bolsonaro defendeu que não existe indício de ilegalidade. Por sua vez, Fábio Wajngarten respondeu a reportagem da folha em tom de ameaça evidenciando sua visão de cargo público como um negócio pessoal: “E se determinados grupos de comunicação ou institutos de pesquisa tinham em mim a tentativa de construção de uma ponte de diálogo, essa ponte foi explodida hoje”.

A decisão da juíza federal Solange Salgado estabelece que o prazo para explicações se estende para o secretário-adjunto da Secom, Samy Liberman, para o Ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni e para o próprio Bolsonaro.




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