Gênero e sexualidade

DESPEJO

Justiça do Rio despeja Moradores da Casa Nem, centro de acolhimento aos LGBTs no RJ

Na manhã dessa segunda feira (24) a Casa Nem, centro de acolhida de LGBTs em situação de vulnerabilidade, localizada em Copacabana no Rio de Janeiro, foi cercada pelo batalhão da polícia militar por conta da determinação da Justiça carioca de reintegração de posse do prédio ocupado.

segunda-feira 24 de agosto| Edição do dia

Desde cedo a polícia militar e a guarda municipal estão cercando a Casa Nem em Copacabana para realizar a reintegração de posse do prédio. A ocupação existe desde julho do ano passado e, segundo os moradores, os vizinhos contam que o prédio estava abandonado há mais de dez anos. A determinação da Justiça é absurda e com ela escancara sua maior preocupação com imóveis vazios dos empresários do que com a vida da população LGBT pobre.

A Casa Nem, além de acolhimento, oferece refeições gratuitas todos os dias e auxílio jurídico à população LGBT, ou seja, muito mais do que a Justiça burguesa tem feito para salvar a vida dos LGBTs em meio a pandemia. As moradoras e os moradores da Casa Nem estão chamando quem puder para ajudar a resistir ao despejo. Através das redes está sendo impulsionada a hashtag #CasaNemCasaViva, denunciando o despejo que irá deixar 47 pessoas na rua, incluindo crianças.

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No mesmo país em que existem milhões de imóveis vazios, também existem milhões de pessoas morando nas ruas. Esse desequilíbrio escandaloso proporcionado pelo sistema capitalista se aprofunda cada vez mais com as consequências da pandemia, como vemos no aumento recorde no número de desempregados ou ingresso no trabalho informal. Nas favelas e periferias a população é deixada à própria sorte, muitas vezes sem o mínimo como saneamento básico. Ao invés de resolver esses problemas emergenciais, a Justiça decide justamente aprofundá-los, escancarando que não podemos confiar nessa Justiça para resolver os problemas de desigualdade. É completamente absurdo que ocorram despejos em meio a uma pandemia! Nos apoiemos no movimento contra despejos e na greve de alugueis que ocorreram nos EUA para impedir que casos como o da Casa Nem ocorram.

Oferecemos todo apoio e solidariedade à Casa Nem. Não à reintegração de posse! Nós do MRT defendemos que todas as moradias vazias precisam ser ocupadas imediatamente por todos que estão em situação de rua ou situações precárias como são muitas moradias nas favelas. Além disso, é preciso que haja uma reforma urbana radical sob controle dos trabalhadores que ofereça saneamento básico imediato e moradias dignas a toda população. Basta de colocar o lucro dos empresários na frente das vidas dos LGBTs, negros e negras, mulheres e trabalhadores. É esse programa e essa defesa intransigente dos explorados e oprimidos que a pré-candidata revolucionária pelo MRT por filiação democrática no PSOL Carolina Cacau irá levar a frente.

A irracionalidade do capitalismo que permite milhões de imóveis vazios enquanto moradores de rua morrem de frio, como tristemente aconteceu recentemente em São Paulo, precisa acabar. Para isso é preciso uma organização independente dos trabalhadores e de toda população oprimida, para lutar contra a política racista de Witzel, Bolsonaro, Mourão e todos que permitem ataques aos explorados e oprimidos de conjunto, como é o caso do Congresso e o STF.




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