RACISMO E CORONAVÍRUS

Justiça determina registro obrigatório de raça/cor em casos de Covid-19

A pandemia do coronavírus escancarou problemas estruturais do capitalismo, podemos ver isso na grave crise sanitária e de saúde que afetou inúmeros países, inclusive potências imperialistas como os EUA. Os negros e negras passaram a entrar também nesse cenário de crise como os principais afetados, no Brasil a mortalidade por covid-19 entre negros é 63% maior que em brancos. Dados como esses são uma amostra da forma perversa como se apresenta o racismo estrutural nas sociedades capitalistas, e a falta de testes massivos podem apontar uma realidade ainda mais profunda, uma vez que as subnotificações fazem com que esses números sejam ainda maiores.

quinta-feira 7 de maio| Edição do dia

A determinação da liminar da Justiça Federal do Rio de Janeiro, atendendo a um pedido da Defensoria Pública e da ONG Luiz Gama, torna obrigatória à União expedir diretrizes para as secretaria de Saúde a fim de preencher de formulários que indiquem os marcadores étnico-raciais segundo as categorias do IBGE. Segundo o defensor regional de Direitos Humanos da DPU-RJ, Thales Arcoverde, esses dados têm importância ao revelar a desigualdade racial e do racismo frente a pandemia do novo coronavírus.

A decisão está em caráter liminar, na prática não sabemos e vai se efetivar ou não, fato é que no Brasil já são 126 mil casos e 8 mil mortes, as subnotificações mascaram a realidade da pandemia, certamente o números reais são muito maiores, mas só saberiamos se houvesse testagens massivas, inclusive testes para pessoas que morrem com sintomas de covid-19. O que segundo um estudo indica, teriamos cerca de 10 vezes mais casos do que o registrado.

As subnotificações também tentam mascarar a realidade racista do Brasil, de que negros por conta da condição de miséria, dos postos de trabalhos precários, menores salários em relação aos brancos, problemas psicológicos, condições precárias de saneamento e moradia, estão mais expostos ao vírus. A subnotificação junto a não declaração racial dos indivíduos infectados ou com sintomas também é uma forma de tentar mascarar por parte das secretarias de saúde e o MS a realidade racista e profundamente desigual entre negros e brancos frente a pandemia.

Ainda que seja importante uma decisão judicial que caminhe no sentido de relevar os marcadores raciais na pandemia, não podemos confiar na justiça burguesa, que ao mesmo tempo busca apenas computar e constatar os dados de pessoas negras vítimas da Covid-19, ao mesmo passo que vem aprofundando a precarização da vida dos negros em nosso país. Isso é possível ver no brutal aumento do trabalho precário das redes de entrega como Ifood, Rappi, Uber Eats, etc. Os trabalhadores negros estão entre os que possuem menos direitos, além de serem os alvos das demissões. Portanto, precisamos organizar uma saída dos trabalhadores, que se contraponha a política das grandes centrais sindicais que vem auxiliando as patronais a descarregar os efeitos da pandemia e da crise econômica nas nossas costas.

Por isso, só uma saída com independência de classe por levar a um enfrentamento da crise que salve vidas, e diga que as vidas negras importam, o que passa por levantar uma campanha democrática por testes massivos, proibição das demissões e pela centralização do sistema de saúde sob controle dos trabalhadores. Este último ponto é fundamental, pois sabemos que há um grande número de negras e negros na enfermagem, assim como na limpeza, sendo linha de frente do combate a pandemia. Esses trabalhadores que colocam suas vidas em risco para enfrentar esta situação são os que podem organizar racionalmente o sistema de saúde a serviço do interesse da maioria da população.




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