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Justiça determina expedição de mandado de busca e apreensão para que USP forneça documentação referente à consultoria americana

A Associação de Docentes da USP – Adusp, entrou em 2016 com uma ação na justiça, baseada na Lei de Acesso à Informação, em que questionava as tratativas suspeitas da Universidade de São Paulo com a empresa americana de consultoria McKinsey&Company para implementação do projeto “USP do Futuro”. A decisão de 29 de janeiro determina a expedição do mandado de busca e apreensão dos documentos.

Patricia Galvão

Trabalhadora da USP e integrante da Secretaria de Mulheres do SINTUSP

quarta-feira 31 de janeiro| Edição do dia

Em setembro de 2016 uma denúncia anônima feita à Associação de Docentes da USP que denunciava o projeto intitulado USP do Futuro como uma tentativa de privatização da Universidade de São Paulo. A empresa norte-americana de consultoria McKinsey&Company estaria desenvolvendo o projeto, que seria financiado por ex-alunos da USP.

Conforme a denúncia o objetivo seria: “criar um novo modelo de captação de recursos e gestão de orçamento para a universidade” e haveria um “Termo de Doação do trabalho dessa consultoria, no qual a Mckinsey consta como anuente” e a Mckinsey já teria apresentado um plano de 20 semanas de trabalho com objetivo de planejar “o futuro da universidade” e “criar um novo modelo de captação de recursos e de gestão do orçamento”, o que “indica uma possível mudança de legislação, bem como uma possível cobrança de mensalidade em cursos oferecidos pela USP”

Leia aqui: Diana Assunção "Não à privatização da USP"

A Mckinsey recebeu para isso a quantia de 5 milhões de reais “doados” por um pool de ex-alunos organizados em uma organização social chamada Comunitas, cuja presidente, Regina Célia de Siqueira, atuou junto ao PSDB e o governo FHC entre os anos de 1996 à 2002. Em entrevista à Federação do Comércio, também em setembro de 2016 ela afirmava: “Gestão pública precisa atuar junto da iniciativa privada”. Também compõe a Comunitas os empresários Pedro Passos (Natura), Pedro Wongtschowski (Ultra), Roberto Setúbal (Itaú) e Rubens Ometto (Cosan). O próprio governado Geraldo Alckmin (PSDB) recebeu os grupo de deu sua benção ao acordo em 5 de setembro de 2016.

Por que a alta cúpula da burguesia estaria interessada na USP? Certamente, não é pelo zelo à educação pública gratuita e de qualidade para todos. Mas a pesquisa desenvolvida na USP é sim um negócio bastante lucrativo para as empresas privadas.

No início da semana, tomou posse o novo reitor da USP, Vahan Agopyan. O novo já nasceu velho, e está metido até o pescoço com o projeto USP do Futuro, Mckinsey e Comunitas. Ele fazia parte da gestão anterior, era vice-reitor de Marco Antônio Zago.

No dia 30/1 também denunciamos aqui que o recém nomeado prefeito do campus é filiado ao partido do golpista Temer, dono de construtora e diretor de uma fundação privada.

Veja aqui: Novo prefeito da USP é empresário e filiado ao PMDB

Também essa semana, o Sindicato dos Trabalhadores da USP, o SINTUSP, denunciou novos passos para a desvinculação e privatização do Hospital Universitário, que desde 2014 estava na mira da gestão Zago-Vahan.

Saiba mais aqui: Sindicato da USP recebe informação de que novo reitor quer desvincular o Hospital Universitário

Há tempo nós do Esquerda Diário impulsionado pelo Movimento Revolucionário de Trabalhadores (MRT) denunciamos o projeto privatista em curso na USP que está em consonância com os ataques à classe trabalhadora e a juventude em nível estadual e nacional. O combate a essa política passa por fortalecer a mobilização dos trabalhadores e estudantes, em defesa da educação pública contra o projeto privatista de Vahan, Alckmin, Temer e dos ricos empresários. Somente confiando em suas próprias forças e unindo-se a luta contra os ataques. 2018 mal começou, mas os ataques não param. Por isso, nossa mobilização é urgente!

Leia mais: Reforma trabalhista e nova reitoria: quais as tarefas para os trabalhadores da USP em 2018




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