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Justiça arbitrária volta a perseguir festas na Unicamp com multa de 50 mil

O Centro Acadêmico de Ciências Humanas (CACH) do IFCH na Unicamp foi informado por ofício da universidade que a 2ª Câmara de direito público do tribunal de justiça de São Paulo negou recurso à Unicamp sobre medidas referentes à realização de festas. Segundo consta, o Ministério Público prevê que a universidade pode pagar até 50 mil reais por cada festa e deve perseguir e reprimir as atividades culturais e espaços de convivência dos estudantes.

segunda-feira 3 de setembro| Edição do dia

Em 2014, a promotoria de justiça de São Paulo já havia acatado ação civil do ministério público de 2010 que tratava de coibir as festas declarando a sua ilegalidade, se utilizando de argumentos como “uso irregular do solo urbano e provocam poluição sonora”. A decisão previa que a universidade tomasse providências contra as festas, podendo abrir sindicância contra os organizadores, expulsá-los do campus ou mesmo desligar a luz ou aparelhos sonoros, e caso não fosse cumprido medidas de repressão, a universidade poderia ser multada em 50 mil reais.

A Unicamp entrou com uma apelação à decisão que foi negada agora dando provimento à ação do Ministério Público, abrindo então mais espaço a perseguição das atividades culturais dentro da universidade, num cenário onde já há perseguição da reitoria aos estudantes que lutaram contra os cortes e pelas cotas étnico-raciais em 2016.

Essa ação do ministério público é impulsionada também pela AMOC, Associação de Moradores da Cidade Universitária, que é composta pelo alto escalão da burocracia da Unicamp, que junto à reitoria se colocam contra a vivência no campus ao não legalizar as festas dentro da universidade, dando suporte para que elas aconteçam e assim evitando quaisquer problemas que possam ocorrer.

A justiça arbitrária, que hoje diante das eleições está atacando até mesmo o direito do povo decidir em quem votar, dentro da universidade dá um passo adiante em fechar ainda mais as portas da Unicamp à população, já que muitas vezes os jovens de Campinas só conhecem a Unicamp pelo hospital e pelas festas, que são gratuitas e de acesso livre, e encontram no vestibular uma barreira social enorme para acessar o ensino.

A reitoria de Knobel junto com seus burocratas são totalmente coniventes com essas medidas, perseguem os espaços de convivência organizados pelos estudantes para que a vida na universidade seja voltada ao produtivismo de uma conhecimento que sirva às empresas e não que tenha espaço de convivência entre estudantes,trabalhadores e a população.

Se utilizam do debate da “segurança” para coibir as festas, mas só pelas orientações do Ministério Público é possível perceber que não tem nenhuma responsabilidade com a segurança de ninguém quando falam de desligar a luz dos espaços, além disso a “segurança” deles é para reprimir a juventude e definir quem pode ou não estar no campus da universidade, abrindo espaço para mais casos de racismo.

Vitória Camargo que faz parte da gestão do CACH pela chapa minoritária “Uma flor nasceu na rua” declarou que “diante desse cenário, que também se expressa em todo o país com perseguição de espaços de lazer da juventude por parte dos governos, os estudantes não podem se deixar calar por essa justiça arbitrária que hoje também processa o IFCH pelo curso do golpe que foi organizado por professores no início do ano, também não podemos acreditar na demagogia hipócrita da reitoria e seus burocratas que só querem uma Unicamp mais fechada, por isso precisamos lutar pela legalização das festas para que elas aconteçam à serviço da vivência dentro da universidade, com toda garantia necessária por parte dos organizadores da limpeza do espaço e atividades onde a opressão aos negros, mulheres e lgbts não tenha vez, também lutando por espaços assim em toda a cidade de Campinas onde a juventude possa ter direito de se divertir, e de se expressar, servindo aos artistas e a produção de cultura na cidade.”




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