ELEIÇÕES RIO 2018

Juízes decidirão quem será o novo governador do Rio, cassando o sufrágio universal

As eleições de 2018 no Rio de Janeiro estão marcadas pelo bonapartismo, que é quando o estado assume formas mais autoritárias para manter a estrutura de poder vigente. Desde a intervenção federal até a não resolução do assassinato de Marielle por responsabilidade do estado, a situação deu mais um salto no bonapartismo com a manipulação do judiciário para escolher quem será o governador do estado.

quarta-feira 3 de outubro| Edição do dia

Fotos: Agência Senado e Agência Globo

O bonapartismo do regime aumenta à cada dia que passa no Rio de Janeiro, o novo salto no autoritarismo do estado é sem precedentes: serão os juízes que escolherão o novo governador. Com a inelegibilidade de Garotinho, um dos governadores responsáveis pela decadência do Estado do Rio de Janeiro tendo iniciado os processos de ataque ao serviço público estadual, quem saiu mais favorecido foi o candidato do DEM, Eduardo Paes, herdeiro político de Sérgio Cabral e Pezão, que aprofundaram a crise fiscal do Estado do Rio de Janeiro enquanto forneciam isenções bilionárias aos grandes capitalistas ao mesmo tempo que conduziam uma política de segurança assassina contra o povo negro e pobre nas favelas.

Segundo o Datafolha recebe 30% de transferência de votos que iriam para Garothinho, mais do que o dobro do recebido pelos outros candidatos.

Eduardo Paes, por sua vez, está na mira do Vice-Procurador-geral eleitoral, Humberto Jacques de Medeiros, que pediu ao TSE a derrubada de liminar que permite a candidatura de Paes. A liminar havia sido concedida por Jorge Mussi, do TSE, em 10/05/2018. Antes dessa liminar (decisão provisória), Eduardo Paes e Pedro Paulo (ambos agora no DEM) haviam sido condenados pelo TRE-RJ por abuso de poder político-econômico, considerados inelegíveis por terem usado material pago pela prefeitura na eleição passada.

Com relação à Garotinho houve uma acordo conjunto, a decisão foi unânime pela inelegibilidade, há 6 dias atrás, e teve o aval do STF por via do Ministro Celso de Mello que negou o recurso do candidato.

Jorge Mussi, que concedeu os direitos políticos a Paes é um dos 6 juízes que votou pela impugnação da candidatura de Lula. Em publicação datada de 15/08 na página do TSE, Mussi e o Ministro Luís Roberto Barroso expõem seus objetivos políticos: "retomar o processo de menor polarização no país, e de construção de uma agenda suprapartidária e de avanço institucional, econômico e social", diz Barroso, sinalizando ao extremo centro golpista defensor da Lava Jato representado pelo DEM.

Já o Ministério Público Eleitoral, pela via de seu Vice-Procurador-geral eleitoral Humberto Jaques de Medeiros, sinaliza o desembarque do DEM em direção à setores mais duros da Lava Jato. A ação de Medeiros fortalece a candidatura de Romário, que seria o terceiro colocado com 14%. Romário é do partido Podemos, um partido basicamente criado para surfar na onda golpista da Lava Jato, tendo o reacionário Álvaro Dias como candidato à presidência.

Humberto Jaques de Medeiros é Lava Jato dos pés à cabeça, tendo sido um dos 12 assessores escolhidos por Raquel Dodge para seguir a operação golpista em 2017. Além disso, foi o escolhido para apaziguar a disputa jurídica iniciada pelo desembargador Rogério Fravetto, que tentou soltar Lula. Medeiros condenou aquela ação e enviou o processo ao STJ "para evitar novas surpresas". Mas não para por aí, o vice de Romário é o ex PM Marcelo Delaroli do PR, que já declarou apoio à Bolsonaro.

Esse mesmo Vice-Procurador do MPE, por sua vez, já atuou em favor de Bolsonaro, no dia 31 de agosto ele e todo o MPE enviaram um parecer com a assinatura de Humberto Jaques de Medeiros pedindo defendendo o aval à candidatura de Bolsonaro, que responde à duas ações penais no STF. No parecer, Medeiros escreve que: "No presente caso, à data da formalização do pedido de registro, o candidato atendeu às condições de elegibilidade e não incidiu em nenhuma das causas de inelegibilidade previstas na ordem jurídica."

Seria pouca coisa se Sérgio Moro e sua esposa não entrassem com tudo para favorecer Bolsonaro, com o vazamento da delação de Palocci e com o apoio explícito da esposa de Moro à Bolsonaro.

Pelo direito do povo votar em quem quiser

Com tudo isso, a eleição para governador do Rio de Janeiro tem as cartas marcadas, completamente manipuladas pelo judiciário golpista e pela Lava Jato. A decisão favorável ou contrária impugnação da candidatura de Eduardo Paes só servirá para sinalizar se o judiciário está com Podemos e Bolsonaro, ou se está com Eduardo Paes e o DEM. O judiciário jogou o direito do povo decidir em que votar no lixo em mais um avanço bonapartista.

A mesma coisa fizeram com a inelegibilidade do Lula, avançando no golpe institucional e aprofundando o autoritarismo com super poderes para os juízes, que não foram eleitos por ninguém, mandarem na política. Tudo isso montado através da operação Lava Jato e do falso discurso de combate à corrupção. Sabemos que nem Eduardo Paes, nem Garotinho, nem Romário ou Bolsonaro são flores que se cheire, no entanto depositar confianças na Lava Jato só aprofunda ainda mais a intervenção judicial nas eleições e no regime, que está se tornando cada vez menos democrático apesar dos juízes tentarem manter a aparência.

É tarefa de toda a esquerda defender este direito elementar e minimo que é o direito ao voto, em oposição ao autoritarismo dos juízes da Lava Jato. Para os casos de corrupção defendemos juris populares, e que todos juízes sejam eleitos e revogáveis à qualquer momento pelo voto direto, recebendo o salário de uma professora.




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