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JUDICIÁRIO

Juiz que fechou o Instituto Lula foi afastado da operação Zelotes por ajudar sonegadores

quarta-feira 10 de maio| Edição do dia

Em decisão dada dia 5 e divulgada ontem, a um dia do julgamento de Lula em Curitiba, o juiz da 10ª Vara Federal de Brasília Ricardo Leite ordenou o fechamento do Instituto Lula, no Ipiranga, em São Paulo (saiba mais).

Frente a essa medida, bem como as proibições de manifestação e de acampamentos em Curitiba, Diana Assunção, dirigente do MRT e editora do Esquerda Diário escreveu um artigo chamando a repudiar fortemente esse autoritarismo que pode ser usado contra os trabalhadores em luta contra Temer e as reformas. Leia aqui o editorial: No Brasil da Greve Geral, Justiça proíbe manifestações em Curitiba e reforça medidas autoritárias}.

A declaração para o fechamento do Instituto é um claro exemplo de "nenhuma prova, mas muita convicção", o que por si só já evidencia o caráter parcial do juiz que a emitiu. No entanto, a situação se aprofunda ainda mais ao olharmos para seu histórico.

Ricardo Leite comandou a 10ª Vara Federal durante anos. Essa vara é especializada em julgar casos de lavagem de dinheiro e sonegação de impostos por parte das grandes empresas.

Sua atuação lenta foi essencial para congelar entre 2010 e 2012 a operação “Vampiro” e impedir que os cofres públicos recuperassem dinheiro que havia sido enviado para contas na Suíça pelos réus naquele processo.

Em 2015, Ricardo Leite foi afastado da condução da operação Zelotes. Essa operação da Polícia Federal tinha como objetivo investigar casos de sonegação de impostos e de corrupção dentro do Ministério da Fazenda. Ele era o juiz responsável por emitir mandados para essa operação,. Só que não estava fazendo nada disso, emperrando a apuração e permitindo que milionários sonegadores de impostos continuassem impunes.

Com seu afastamento, saiu dos holofotes da mídia, passando a julgar apenas casos menos conhecidos, e não se sabe exatamente o dano que pode ter causado.

Pode-se dizer que o nome de Ricardo Leite, apesar de pouco conhecido, está por trás de boa parte da impunidade dos corruptos no Brasil. Frederico Paiva, procurador que investigava casos de corrupção como os da Zelotes chegou a afirmar em 2015: "Ele [o juiz] tem um histórico de acúmulo de processos, um comportamento que chama atenção e deveria ser examinado de perto".

Novamente dizemos, nenhuma confiança no judiciário, que é tão ou mais sujo que aqueles que julga. Lula e o PT escolheu governar reproduzindo todos os mais corruptos métodos dos partidos capitalistas do país, agora a justiça e a mídia tomam por alvo não em um suposto combate à corrupção mas para generalizar medidas repressivas contra os trabalhadores. O juiz que mandou fechar o Instituto Lula é a expressão viva de um judiciário que salva sonegadores milionários e ao mesmo tempo toma medidas autoritárias.




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