Política

DESASTRE DE MARIANA

Juiz e Fundação Renova ameaçam famílias que lutam por direitos após desastre de Mariana

Em áudio de reunião com atingidos da cidade de Naque (MG), advogada da Fundação Renova, formada por Vale, Samarco e BHP Billington, diz, em nome do Juiz Mário de Paula, que se acontecessem outras manifestações, os pagamentos de indenizações seriam interrompidos.

segunda-feira 1º de março| Edição do dia

Mais de 5 anos depois do rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana (MG), muitas famílias atingidas, ao longo de toda a Bacia do Rio Doce, não receberam sequer uma indenização das mineradoras responsáveis, a Vale e a BHP Billington.

No dia 17 de janeiro, a comissão de atingidos da cidade de Naque organizou uma manifestação que fechou a linha férrea da Vale. Quatro dias depois, em reunião convocada por Viviane Aguiar, chefe do departamento jurídico da Fundação Renova, a comissão de atingidos foi ameaçada abertamente pela advogada:

“Eu vou reforçar uma coisa e deixar muito clara: se tiver manifestação, manifestação onde vocês colocarem pessoas em risco, vocês paralisarem ferrovia, vocês fecharem… Enfim, manifestação que não seja pacífica, isso vai parar. (...) Não sou eu que estou falando isso, é o juiz dono do processo que está falando. Se tiver manifestação, a manifestação vai parar.”

Os áudios foram divulgados pela Agência Pública. As indenizações estão pagas através do Sistema Indenizatório Simplificado, chancelado pelo juiz Mário de Paula, da 12ª Vara da Justiça Federal, de Belo Horizonte.

Não satisfeitos em promover a tragédia de Mariana e Brumadinho e não pagar nenhuma indenização aos atingidos, a Vale ainda ameaça quem se manifesta contra esses absurdos. E para isso contam com a cobertura do judiciário, mostrando claramente a quem esse poder serve.




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