Opinião

SOBRE JULGAMENTO DO LULA

Juiz Moro é "insuspeito para julgar"? Vazamentos provam o contrário

quarta-feira 24 de janeiro| Edição do dia

O desembargador João Pedro Gebran Neto, do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF4), não se cansa de afirmar durante o julgamento que o juiz federal Sérgio Moro não é suspeito para julgar Lula. Por volta das 10h30, Gebran Neto passou a ler seu voto no julgamento que analisa a sentença de nove anos e seis meses de prisão imposta por Moro ao ex-presidente no caso tríplex.

O esprit de corps ("espírito de corporação") do judiciário comunga do mesmo nível de indecência que o mesmo espírito dentro do Congresso. Qualquer avaliação sensata sobre o papel de Sérgio Moro e suas conexões políticas - como mostramos no Esquerda Diário - revela a absoluta parcialidade de um juiz federal que representa o golpismo a ingerência estrangeira na política nacional.

Sérgio Moro, responsável primário pelo golpe institucional, está por trás da continuidade do golpe (seu silêncio recente é mais eloquente que qualquer declaração). Os desembargadores de Porto Alegre, da 8ª turma do TRF4, atuam como seus exímios funcionários.

Sérgio Moro tem claras relações com o Departamento de Estado estadunidense, assim como o Departamento de Justiça dos EUA. O Wikileaks vazou documento secreto que revela que Washington criou curso para formação de juristas brasileiros, com a participação de Sérgio Moro. Essas relações internacionais garantiram que Moro não tocasse os interesses de grandes multinacionais que atuam junto à Petrobrás, como a Halliburton, Schlumberger, Skanka e a Transocean, que se beneficiam do escândalo de corrupção da estatal.

O imperialismo certamente está de olho na privatização do pré-sal e de toda a Petrobras, já encaminhada pelo governo golpista, e também em ocupar o lugar no mercado de empreiteiras como Odebrecht, tendo Sergio Moro como seu aliado nesta empreitada.

Nada "parcial" uma atuação como essa. A 12 de julho de 2017, dia em que Moro condenou Lula a 9 anos e 6 meses de prisão, o chefe de Curitiba disse “Registre-se que a presente condenação não traz a este julgador qualquer satisfação pessoal, pelo contrário. É de todo lamentável que um ex-presidente da República seja condenado criminalmente, mas a causa disso são os crimes por ele praticados e a culpa não é da regular aplicação da lei. Prevalece, enfim, o ditado “não importa o quão alto você esteja, a lei ainda está acima de você” (uma adaptação livre de “be you never so high the law is above you”)”.

Nenhuma satisfação pessoal? O chefe da "República de Curitiba" também montou, junto a seus procuradores, uma verdadeira indústria de dinheiro com as delações premiadas. Como afirma procurador do Ministério Público do Paraná, Carlos Fernando Lima, à Folha de S. Paulo, essa junta de procuradores definiram "sem nenhum critério científico" uma alíquota de cada uma das delações - "de 10% para acordos maiores e outra de 20% para acordos de menor valor" - embargando parte do dinheiro que deveria ser entregue de volta à Petrobrás ou à União. Os cordos de leniência da Andrade Gutierrez e da Camargo Corrêa, multadas em R$ 1 bilhão e R$ 700 milhões, respectivamente, determinam 10% para a equipe de procuradores de Sergio Moro. Isso significa uma arrecadação total de R$ 170 milhões aos procuradores da Lava Jato, se considerados somente estes dois processos!

A “República de Curitiba” não precisa estar em nenhum contracheque para mesmo assim compartilhar ideias que sejam funcionais aos interesses norte-americanos. É conhecido no jargão da geopolítica a ideia de “soft power” como um poder de atração que prescinde das “armas” ou das “cenouras”: os treinamentos, os seriados de TV e toda uma ideologia fazem agentes sem que esses precisem estar formalmente arrolados.

Por esse "honrados serviços prestados" - e réditos financeiros obtidos - Moro recebeu congratulação do alto comando do Exército. Homenageado com a Ordem do Mérito Militar pelo general Eduardo Villas Boas, recrutado pelo exército em plena ditadura militar em 1967, Moro foi distinguido com espécimes tão ilustres como o tucano João Dória - que ordenou o racionamento de merenda das crianças da rede pública - e ninguém menos que o racista William Waack.

Repetidas vezes demonstramos neste diário como nem Moro, nem o conjunto do poder Judiciário, nem a operação Lava Jato, arcarão com a tarefa de combater a corrupção no Brasil. Isso porque os ministros e juízes não atuam em nome dos interesses da maioria da população ou em nome da boa utilização do dinheiro público: atuam para substituir um esquema de corrupção com a cara petista com um esquema com o rosto da direita.

O desembargador Gebran Neto não conta com o auxílio da imaginação para defender Sérgio Moro de sua esdrúxula arbitrariedade, hoje a serviço de impedir que a população vote em quem quiser em 2018.




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