Teoria

ELEIÇÕES 2018

Judiciário persegue sindicatos e universidades para favorecer seu candidato: Bolsonaro

A cada dia surgem novas censuras por parte do judiciário de censura a medidas em oposição a Bolsonaro em sindicatos e universidades. De fato, é o judiciário atuando para favorecer seu candidato favorito, Jair Bolsonaro.

sexta-feira 26 de outubro| Edição do dia

O Tribunal Superior Eleitoral, que isentou Bolsonaro de qualquer aborrecimento depois da fraude eleitoral de Caixa 2 - em que dezenas de empresários compraram pacotes milionários de disparo de "fake news" por Whatsapp, contra Haddad - agora persegue sindicatos e universidades contra trabalhadores e estudantes que se manifestam contra o reacionário candidato do PSL. Algo inédito em 30 anos.

Até agora, são dezenas de universidades atacadas pelo TSE e o braço armada da Lava Jato, a Polícia Federal, para favorecer Bolsonaro. Algumas delas podemos citar: UFGD (Dourados), UEPA (Iguarapé-Açu), UFCG (Campina Grande), UFF (Niterói), UEPB, UFMG, Unilab (Palmares), SEPE-RJ, Unilab-Fortaleza, UNEB (Serrinha), UFU (Uberlandia), UFG, UFRGS, UCP (Petropolis), UFSJ, UERJ, UFERSA, UFAM, UFFS, UFRJ, IFB, Unila, UniRio, Unifap, UEMG (Ituiutaba), UFAL, IFCE, UFPB, UFRPE (Serra Talhada), UNESP (Botucatu).

Na UFF, o escândalo não tem paralelo: a juíza Maria Aparecida da Costa Barros, do TRE-RJ, ameaçou prender o reitor caso uma faixa "contra o fascismo" não fosse retirada da fachada da Faculdade de Direito. Uma aberração digna do mais puro autoritarismo judicial.

É preciso lembrar que o pleito eleitoral de 2018 é absolutamente "digitado" pelo autoritarismo judicial, do início ao fim. A prisão e o veto arbitrário à candidatura de Lula foram a continuidade do golpe institucional que derrubou Dilma em 2016; o "sequestro" de Lula no cárcere, isolando-o da vida política e proibindo-o sequer de enviar mensagem de voz em apoio a Haddad; o roubo de milhões de votos (especialmente do PT, no Nordeste) através da biometria; o impedimento ilegal da veiculação de entrevista a Lula; a quebra de sigilo da delação de Palocci na semana prévia ao primeiro turno, cortesia de Sérgio Moro, cuja esposa declarou voto em Bolsonaro; todas estas e outras medidas - com a tutela indisfarçada do Alto Comando das Forças Armadas - fizeram do judiciário o principal agente do golpe dentro de uma numerosa legião de instituições golpistas.

Como viemos analisando no Esquerda Diário, Bolsonaro não era o "candidato nº 1" do golpe institucional; mas foi se tornando na mesma medida em que a direita tradicional, encarnada pelo PSDB, foi derretendo. Há atritos e ruídos entre o judiciário e Bolsonaro (assim como movimentos do Supremo para discipliná-lo); mas isso se dá no interior de objetivos compartilhados: aplicar em curto prazo os mais duros ajustes econômicos para escravizar os trabalhadores a bel-prazer dos capitalistas.

As perseguições sindicais - com a PF apreendendo materiais contra Bolsonaro votados em assembleias de trabalhadores, estudantes e professores - e as ameaças à autonomia universitária, revelam a continuidade do golpismo judicial na defesa da candidatura de extrema direita de Bolsonaro.

Repudiamos essas intervenções que cheiram a aspirações ditatoriais, e que tem como alvo principal as organizações do movimento operário e estudantil. "Há ainda juízes em Berlim", e estão sedentos pelos ajustes que Bolsonaro fará contra a população.

É fundamental criar comitês de base e colocar de pé uma campanha contra as medidas autoritárias do judiciário que quer nos censurar. Há forças para lutar. Um grande setor de trabalhadores odeia Bolsonaro porque sabe que essa figura, autoritária e pró-imperialista, vem para colocar um fim a todos os nossos direitos. Essa força de combate precisa ser organizada, e não impedida pelas burocracias sindicais.

Exigimos das centrais sindicais (especialmente a CUT e a CTB) e entidades estudantis (especialmente a UNE) assembleias e a construção e massificação de milhares de comitês de base para preparar um plano de luta que culmine em uma forte paralisação nacional que nos prepare para os ataques que estão por vir após as eleições, mas também todo o plano do golpe institucional.

Isso significa revogar a reforma trabalhista, a PEC do teto dos gastos, a lei da terceirização irrestrita e impedir que seja aprovada a reforma da previdência e as privatizações, além do não pagamento da dívida pública fraudulenta. Essa frente única na ação permite que seja a classe trabalhadora que articule uma saída à esquerda para a crise, contra o programa ultraneoliberal de Bolsonaro e Paulo Guedes.

Nós, do MRT e do Esquerda Diário, declaramos voto crítico em Fernando Haddad, por ver como muito legítimo o rechaço contra Bolsonaro e para ser parte deste ódio. Contudo, não damos nenhum apoio ao projeto político do PT e não depositamos nossa confiança nesta estratégia eleitoralista que já se mostrou impotente para enfrentar a extrema direita, as reformas e o golpismo.

O Esquerda Diario atingiu 5 milhões de acessos em apenas 30 dias na batalha contra Bolsonaro. Nesses últimos dois dias de eleição vamos multiplicar nossas energias para derrotar Bolsonaro, colocando à frente a luta pela construção de milhares de comitês de base por todo país, para que os capitalistas paguem pela crise, e para que não descarreguem a crise nas costas dos trabalhadores e da juventude; para enfrentar verdadeiramente Bolsonaro, a extrema-direita e tudo que representam contra mulheres, negros e LGBTs; contra o golpismo e contra as reformas.




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