Política

DESIGUALDADE E PRIVILÉGIOS

Judiciário e privilegiados ocupam 6 das 10 profissões mais bem pagas do país

Entre as dez categorias profissionais mais bem remuneradas do País, seis fazem parte de funções como promotores, procuradores e juízes, cargos privilegiados na estrutura estatal.

segunda-feira 10 de outubro| Edição do dia

Foi elaborado um ranking pelo pesquisador José Roberto Afonso, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), usando base de dados o relatório "Grandes Números", divulgado recentemente pela própria Receita Federal a partir de declarações de imposto de renda pessoa física de 2015, com valores de 2014. A categoria recordista em ganhos é titular de cartório, seguidas, em segundo, terceiro e quarto lugares, bem como sexto, sétimo e oitavo, estão promotores e procuradores do Ministério Público que ganham anualmente, em média, quase R$ 530 mil. Juízes e integrantes dos tribunais de contas, mais de R$ 512 mil. Diplomatas, R$ 332 mil, na média, por ano.

Diante de dados como esse é inegável o nível de privilégios proporcionado com dinheiro publico, principalmente ao judiciário, contudo tanto a mídia como o governo vem tentando girar o discurso para responsabilizar os gastos do estado à todo o funcionalismo público indiscriminadamente se é um juiz ou um professor. Nesse final de semana, em recente nota do Jornal Estado de São Paulo argumenta “Com o tsunami de contratações, era inevitável que os gastos com pessoal crescessem em progressão geométrica. Mas eles aumentaram em ritmo ainda mais acelerado que ao das contratações, em decorrência da concessão de aumentos salariais bem acima da inflação para o funcionalismo. O “rombo” existente hoje nos orçamentos do governo federal e de vários Estados e municípios é decorrente, em boa medida, do inchaço da folha de pagamento nesse período.” Seguindo o argumento como o aumento no setor público foi mais que o dobro do privado. Esses argumentos ainda visam criar uma massa critica que apoie as privatizações e jogar a opinião pública contra as justas greves do funcionalismo.

Ao fazer uma divisão simples do bolo, o pesquisador Afonso chegou à conclusão de que a fatia da população brasileira que declara imposto de renda ganha, na média, por ano, R$ 87 mil. Detalhe: 58 categorias recebem acima desse valor e 77, abaixo disso. Nessa ótica, promotores, procuradores, juízes e integrantes de tribunais de contas recebem cerca de seis vezes mais que a média dos declarantes de imposto de renda no País.

Afonso atribui a disparidade, entre outras razões, à dinâmica do orçamento e dos gastos entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário: "A crise fiscal atual revela que o debate das dificuldades está concentrado no poder Executivo, enquanto os demais poderes seguem gerindo as suas folhas salariais e os seus orçamentos como se nenhuma crise estivesse ocorrendo no País", afirma. "Reajustes fortes têm sido dados para essa elite do setor público, enquanto a imensa maioria dos servidores públicos não é tão beneficiada”. Ou seja, são os próprios juízes e parlamentares que votam seus aumentos, por outro lado sãos os mesmo que incriminam greves ou legislam contra o aumento salarial da ampla camada de servidores públicos e mesmo trabalhadores de empresas privadas.

Essa disparidade mostra como o estado governa para manter os próprios privilégios, vivendo como empresários, enquanto o discurso de crise e corte de gastos vale apenas para a camada trabalhadora.




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