Judiciário abre caminho para que Boeing demita trabalhadores da Embraer

Em uma decisão liminar, a justiça negou pedido do Ministério Público do Trabalho de que o acordo entre a Boeing e a Embraer fosse atrelado à garantia dos empregos brasileiro.

Iaci Maria

Estudante de Pedagogia da PUC-SP

quinta-feira 26 de julho| Edição do dia

São 26,6 mil postos de trabalho que estão em jogo. Ou seja, 26,6 mil famílias que estão correndo o risco de perder seu sustento a partir da firmação do acordo entre a brasileira Embraer e a estadunidense Boeing. O acordo, anunciado no início do mês, é chamado de joint venture, o que significa que as duas empresas se juntarão para formar uma nova empresa para produção de aviões comerciais, onde a Boeing deterá 80% da empresa e a Embraer os outros 20%. Esse acordo já se configura como um verdadeiro entreguismo da autonomia e tecnologia da empresa brasileira para o capital estrangeiro.

Agora, a Justiça do Trabalho de São José dos Campos, através do juiz do trabalho Bernardo Moré Frigeri, negou o pedido feito pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) contra a União, em que estava exigindo que a venda de parte da Embraer à Boeing estivesse condicionada à manutenção dos empregos no Brasil. Segundo o MPT, nesse acordo entre as fabricantes há o risco da Boeing transferir a produção brasileira para o exterior, o que ameaçaria os 26,6 postos de trabalho. Além desse pedido na Justiça do Trabalho, o MPT também exigiu da União que assegurasse a manutenção da produção no país e dos empregos, mas a resposta obtida em audiência, através do vice-chefe do Estado Maior da Aeronáutica Heraldo Luiz Rodrigues, que é um dos membros do grupo governamental de trabalho criado para acompanhar as negociações, foi o absurdo de que a preservação dos empregos da Embraer não é uma preocupação do governo federal.

Mais uma vez, o judiciário golpista mostra sua cara e como não está ao lado dos trabalhadores, preservando os interesses imperialistas da empresa norte-americana, ameaçando o sustento de 26,6 mil famílias brasileiras. Junto à essa justiça nada neutra e contra os trabalhadores, está também o governo golpista, que possui poder de veto na Embraer apesar da sua privatização em 1994, mas escolhe dizer com todas as letras que não está preocupada com o emprego de dezenas de milhares de trabalhadores, apenas com a entrega do país ao capital imperialista, entregando inclusive uma alta produção tecnológica que hoje é feita a partir da produção na Embraer.




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