Juventude

OCUPA BRASÍLIA

Jovens relatam sua experiência na marcha histórica em Brasília

O Esquerda Diário conversou com alguns jovens militantes da juventude Faísca - Anticapitalista e Revolucionária para ouvir deles como foi a experiência de participar de uma ato tão marcante quanto a Ocupa Brasília e quais as expectativas deles para os próximos passos dessa luta em defesa do nosso futuro.

sábado 27 de maio| Edição do dia

Na última quarta-feira, 24 de maio, Brasília foi palco de uma massiva mobilização e resistência protagonizada pela classe trabalhadora e a juventude de diversos cantos do nosso país. Nem mesmo a brutal repressão policial do governo golpista de Temer, que chegou a autorizar o exército nas ruas da capital federal, foi capaz de conter a força e a luta das centenas de milhares que marcharam pelas ruas da cidade, contra as reformas que a burguesia quer impor.

Os jovens são um grande alvo dessas reformas, principalmente os jovens trabalhadores que hoje ocupam os piores postos de trabalho, no telemarketing, nos fast-foods, como professores precários. Que sofrem com os cortes e a precarização da educação publica, e que pra poder estudar ficam completamente sem vida, trabalhando durante o dia, estudando a noite, perdem horas no caos dos transportes públicos lotados e seja pelos baixos salários ou pelo desemprego, não possuem dinheiro para o lazer. AQuerem terceirizar nosso futuro, nos obrigar a trabalhar até morrer, sem direito a aposentadoria. Por isso milhares de jovens também foram parte da massiva manifestação em Brasília, o Esquerda Diário conversou com alguns jovens militantes da juventude Faísca - Anticapitalista e Revolucionária para ouvir deles como foi a experiência de participar de uma ato tão marcante quanto a Ocupa Brasília e quais as expectativas deles para os próximos passos dessa luta em defesa do nosso futuro.

"No dia 24 estive em Brasília, para luta pela saída do presidente golpista TEMER e exigir uma constituinte livre e soberana realizada pela base e construir uma greve geral com toda classe trabalhadora para acabar com todos ataques a classe trabalhadora. Foi muito gratificante ver as ruas de Brasília lotada de pessoas corajosas e ver a juventude resistente contra a polícia repressora e violenta, isso me dá esperanças de continuar a luta e acreditar no futuro."
Guilherme, estudante de história da UERJ

"“Minha jornada pra Brasília teve início no dia 23/05 a partir das 17hs, horário em que todos os estudantes do meu curso que iriam para marcha deveriam se reunir em frente ao Sintusp, Sindicato dos Trabalhadores da USP, na própria cidade universitária, para se organizarem nos ônibus e partirem á Brasília. Depois de todos em seus devidos ônibus seguimos em direção à capital do país numa viagem que duraria em torno de 14 horas, o que era pouco se comparado ao grande desejo de se derrubar o governo golpista de Temer e lutar por nossos direitos, pois, sabemos que, conseguir ou não barrar as reformas influi diretamente em termos ou não que trabalhar até a morte. Chegando em Brasília, nós da Juventude Faísca de São Paulo, corrente para qual milito, nos unimos com o restante da Juventude de outras cidades e, juntamente com milhares de pessoas que já estavam alí, começamos nossa marcha rumo ao Congresso Nacional. Estiramos nossas bandeiras e com palavras de ordem e músicas contra o governo golpista, que eram cantadas de forma intensa por todos, seguimos marchando. Não demorou muito e recebemos a notícia de que perto da Esplanada dos Ministérios estava tendo forte repressão policial. Isso não fez com que parassemos. Utilizamos o que tínhamos disponível, vinagre, leite de magnésio e lenços, que servem para conter o excesso de gás lacrimogêneo normalmente jogados pela PM na população em atos, e assim seguimos em frente, possivelmente ao encontro da repressão. Chegando mais perto da Esplanada recebíamos notícias de feridos pela PM, um caso até de um homem que foi ferido por arma de fogo. Parecia ser uma guerra. E quanto mais perto eu estava do local da repressão mais parecia ser realmente um cenário de guerra, com muita fumaça, barulho de bombas e um helicóptero da PM que sobrevoava constantemente nossas cabeças. Não paramos de cantar, de resistir ao gás, todos nós sabíamos o que estava em jogo, eram os nosso direitos que estavam sendo tirados por um presidente golpista que usa de sua impopularidade pra fazer passar ataques contra a população, e que no fim, ficamos sabendo, que até o exército havia sido convocado por ele para reprimir todos os civis que ali estavam lutando pelos seus direitos. Depois de horas na marcha e na resistência à repressão policial, já no fim da tarde, o ato foi retornando para perto do Estádio Mané Garrincha, onde estariam os ônibus que levaram grande parte dos manifestantes para o ato. E assim foi. Mais quarenta minutos de caminhada, não desanimados, muito pelo contrário, cantando, gritando palavras de ordem, desafiando o governo ilegítimo, com o sentimento de que a luta valeu a pena. Se Temer não renunciar, nós o tiraremos, se preciso for, voltaremos á Brasília, se for necessário entrar em combate com a PM, de forma desigual já que somos apenas civis lutando contra a polícia fortemente armada, que é enviada por Temer para atacar a população, estaremos em combate. Faço um chamado á toda população para que se una e lute, cada um da maneira que lhe for possível, pois não podemos perder nossos direitos por conta de políticos corruptos que, no governo ilegítimo de Temer, fazem passar as reformas. Por uma greve geral até cair Temer e as Reformas e por uma Contituinte livre e soberana imposta pela luta! Lutemos!”
Juliane Santos, estudante do curso de letras da Universidade de São Paulo

“A marcha em Brasília no 24M foi minha primeira experiência com minhas companheiras e companheiros da faísca, pão e rosas, nossa classe e MRT espalhados pelo Brasil, e seguramente me encheu de esperança e ainda mais vontade de derrubar Temer, revogar as reformas e destruir o capitalismo. Foi incrível estar em um bloco das mulheres negras, LGBTs, operários e professoras que gritavam "por assembleia constituinte já" e "o capitalismo que morra". Me sinto parte na missão de desmascarar esse regime burguês e seus mandantes que colocaram a polícia e o exército para reprimir a juventude e os trabalhadores lutando por nem um direito a menos. Total repúdio à polícia assassina, a Temer e as reformas, três frutos do apodrecido sistema capitalista. Por uma assembleia constituinte imposta pela luta JÁ pra revogar as reformas, estatizar empresas corruptoras como a JBS e fazer com que todo político ganhe como uma professora. Para isso, comitês em todos os locais de trabalho e estudo e eleições? Só se for para escolher delegações que imponham a constituinte.”
Maria Eliza, estudante de Biologia UFMG

"Em Brasília se reuniram milhares de jovens universitários, secundaristas e trabalhadores de todo o Brasil pra protestar contra esse governo, contra o Temer que está atacando os jovens pobres e a classe trabalhadora com essas reformas absurdas que a mídia tenta nos converter que é a boa coisa. Os trabalhadores não pode pagar por uma crise que não foi eles que criaram. Brasília foi cenário de guerra, é mesmo assim a juventude resistiu junto com os trabalhadores, não aceitamos pagar por essa crise, e não vemos a diretas já como saída pros trabalhadores, levando em consideração todos os anos do PT, tudo que sofremos. O Lula 2018 não é o caminho para uma população que precisa se libertar de todos os ataques. Queremos a nova constituinte livre e soberana imposta pela luta.
Lá do gramado dá praça dos três poderes eu pude ver o helicóptero dá polícia reprimindo brutalmente os manifestantes, os barulhos das bombas caindo eram estrondosos, eu vi pessoas feridas injustamente, e a gente respirando toda aquela fumaça. Foi lindo, foi emocionante, lutamos, todos juntos, nós resistimos e vamos resistir. Greve geral até derrotarmos Temer e suas reformas."
Lari, estudante de Ciências da Computação na UNICAMP

"A ansiedade reinava no dia anterior, imaginando se as centrais sindicais haviam conseguido mobilizar gente o suficiente para continuar rachando a burguesia como começamos no 28A. Depois de tantas horas de viagem, pela minha primeira vez em Brasília, de cara, voz e corpo com todos aqueles trabalhadores e juventude o frio na barriga e a vontade de lutar só aumentaram.
Não imaginava aquela quantidade de pessoas, até por saber que a APEOESP no mesmo dia estava em plena eleição e por isso faltavam ali centenas de professores que poderiam estar junto a nós nessa luta tão importante e histórica.
Mas ainda sim foi o maior ato em que já estive. O ato em que resisti da Polícia por mais tempo e em que vi ao meu lado uma truculência da mesma, de modo assustador. O ato em que a cada bala, a cada bomba, mais vontade de continuar tocando aquela caixa na bateria no nosso bloco eu sentia, mais vontade de continuar gritando para que a gente anule todas as reformas impostas por esse governo golpista, por FORA TEMER eu tinha.
Na volta ouvindo a conversa de um dos ônibus da base da CUT, ouvi um grupo de trabalhadores desabafando entre si, entre eles falavam contra o caminhão de som da CUT e CTB, do modo em que eles dirigiram o ato para que todos recuassem. Ouvi como eles não ficaram satisfeitos, pois queriam ocupar o maior número de ministérios possíveis, naquela conversa havia muita força de luta e aquilo me deu mais força e mais vontade de repercutir Brasil a fora que a saída não é recuar, é ir sempre em frente lutando por um objetivo revolucionário e anticapitalista, lutando para que toda a nossa luta não seja em vão a ponto de terminar em votar pelos políticos inalcançáveis e conciliadores de classe. A luta só termina quando a burguesia e os capitalistas pagarem pela crise! Eu luto por uma Assembleia Constituinte livre e soberana e Brasília foi só começo!"
Lana, estudante de Pedagogia na USP




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