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JUVENTUDE TRABALHADORA

Jovens rejeitam a reforma trabalhista de Temer, indica pesquisa

Uma pesquisa divulgada pelo Valor realizada com jovens de São Paulo e do Rio de Janeiro revela que os jovens preferem trabalhar sob o modelo CLT, na comparação com um possível modelo mais flexível, que a recém aprovada Reforma Trabalhista tornará regra, pondo um fim na CLT.

Ítalo Gimenes

Campinas

segunda-feira 17 de julho| Edição do dia

Segundo levantamento da empresa de recrutamento executivo Signium e divulgado pelo Valor, a maioria dos jovens entrevistados "desejam uma futura carreira como uma fonte de desenvolvimento pessoal e realizações". Em outras palavras, que não seriam facilmente aceitas tanto pelo Valor ou pelos realizadores da pesquisa, a juventude hoje está contra a Reforma Trabalhista do governo Temer.

A pesquisa foi realizada com 600 pessoas de 18 a 25 anos, nos Estados do Rio de Janeiro e de São Paulo, a maior parte dos quais está em meados ou já terminou o ensino superior. Um quarto era apenas estudante, e 63% trabalhavam no período da pesquisa, realizada em abril.

A juventude hoje é um dos setores mais abalados pela crise econômica, de modo que se enfrentam com o maior índice de desemprego, da mesma forma que lidam com empregos em serviços terceirizados ou bastante precarizados, como os de telemarketing, supermercados, vendedores nos shoppings, garçons, entre uma série de outros exemplos. Essa realidade atinge profundamente a juventude em especial negra e LGBT.

Pesquisa

Segundo a pesquisa, metade dos entrevistados considera a CLT o modelo de trabalho mais adequado para o Brasil nos próximos 10 anos. Cerca de um terço (34%) dizem preferir um modelo inspirado no americano, considerado mais flexível, com pagamento por hora e diversas fontes de renda. Já 17% consideram ambos inadequados.

Mais da metade (58%) almeja oportunidades de crescimento, 49% querem salários e benefícios generosos e 29% estão em busca de estabilidade. A maioria (59%) se vê trabalhando por mais de sete anos na mesma empresa - cerca de 40% se imagina, inclusive, atuando por mais de uma década no mesmo lugar.

O que a pesquisa revela, portanto, é que a Reforma Trabalhista foi aprovada na última semana a contragosto das perspectivas da juventude no Brasil. Nós jovens não queremos ter que trabalhar entre 8 e 12h para poder manter nossos estudos em universidades que sugam nossos salários para dar aos grandes monopólios de educação (isto é, se nos sobrar tempo e forças para fazer alguma graduação).

Nós queremos poder ver nossos amigos, explorar nossa sexualidade, ter tempo e dinheiro para poder assistir a uma peça, ir ao cinema, fazer mais que submeter as nossas vidas às viagens de ida e volta do trabalho, que não nos serão pagas, e aos mandos e desmandos de patrões que buscam nos explorar, pagando menos que um salário mínimo. Com essa reforma, essa realidade que já existe na vida de muitos de nós, poderá ser não apenas generalizada, mas elevada a condições ainda mais revoltantes.

Nós jovens não devemos aceitar que nossas vidas sejam sugadas desde cedo pela fome insaciável de lucro dos patrões. Precisamos lutar junto aos trabalhadores que mostraram toda sua força na greve geral do dia 28 de Abril, no sentido de denunciar que suas direções sindicais querem impedir que eles derrotem essa absurda reforma. Nosso tempo, nossa juventude, nossas vidas valem mais que o lucro deles!

Leia também: Precisamos lutar para anular a nefasta reforma trabalhista




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