Sociedade

VIOLÊNCIA POLICIAL

Jovem preso é violentado por policiais e morre em cela após 4 dias pedindo socorro

A barbárie da violência policial e do encarceramento mostram o caráter completamente desumano do Estado e de suas instituições. Marlon, é mais um jovem assassinado pelo Estado racista.

quarta-feira 29 de janeiro| Edição do dia

De acordo com o boletim de ocorrência da Polícia Militar do Estado do Mato Grosso, Marlon teria sido apontado por outro rapaz, Paulo Gomes de Lima, como autor do roubo de um carro. Paulo ofereceu aos policiais o nome de Nairton, e os policiais afirmaram ter encontrado o suposto autor do crime em um hospital, internado, vítima de um acidente de carro.

Nairton, foi preso no hospital, e depois os policiais registraram novo boletim de ocorrência, alegando que Nairton, na realidade era Marlon Fernando Pereira Campos. Assim, em sua ficha havia um mandado de prisão em aberto por roubo e foi decretado pelo juiz sua prisão imediata.

Assim, Marlon e Paulo foram para a penitenciária de Rondonópolis, no dia 19 de dezembro. De acordo com Paulo, Marlon teria reclamado durante todo o trajeto de dores. “Toda hora ele [Marlon] pedia para ir devagar, mas não foi devagar. A todo momento os caras [policiais] falavam que ele ia morrer, que ele era matador de polícia”, contou Paulo. Na ficha de Marlon não havia qualquer associação à homicídio.

Paulo também afirmou que Marlon foi agredido pelos policiais ao ser preso. Outro preso, Manuel Augusto, estava no corredor e relatou que Marlon passava muito mal e os policiais só retiraram as algemas após o jovem cair no chão. “Ele dobrava tudo e gritava, gritava que não aguentava de dor nas costas. Daí, depois ele pediu para sair para fora para vomitar, daí veio e vomitou na grama. Ele só espirrava sangue”, descreveu.

Veja também: Três presos são torturados por dia nas bárbaras prisões do Rio, aponta Defensoria Pública

O carcereiro Gerson Delmiro afirmo que Marlon reclamava de dores na costela e foi encaminhado à UPA. Entretanto, o prontuário afirma que o jovem foi levado ao centro de atendimento morto. “Paciente trazido por agentes penitenciários, em viatura, sem profissional de saúde, chega em óbito, pupilas midriáticas fixas, ausência de sinais vitais, sem sinais respiratórios ou de gasping, apresentando escoriações”, descreve o documento. No atestado de óbito foram indicadas como causa da morte “septicemia, peritonite fecal, perfuração intestinal”, relata prontuário.

Marlon foi assassinado pelos policiais. O socorro foi veementemente negado ao jovem, que sofreu quatro dias na cela sem ser ajudado. Presos relatam o sofrimento de Marlon na cela e o rapaz só foi tirado e encaminhado ao hospital após morrer. Penitenciárias lotadas, péssimas condições de higiene, são situações frequentes pelo Brasil, mostrando o nível da crueldade extremo do Estado e seus aparatos repressivos.

Veja também: Superlotação e falta de higiene em presídio causam terrível doença que ’come’ pele

Em Roraima, presos estão sendo comidos vivos por doença desconhecida, que causa paralisia e deforma partes do corpo. O sistema carcerário, muito ao contrário do que propagandeia a "democracia burguesa" na teoria, os presídios não são moldados para "reformar" indivíduo algum, e são, na prática um método de extermínio principalmente contra a população negra, que são maioria das pessoas em situação de cárcere.

Num cenário onde as perspectivas de recessão se multiplicam junto com as estatísticas de desemprego e sub-emprego, com cortes na educação, saúde, a política deste governo é o controle social através da repressão e o encarceramento em massa que coloca na mira a população jovem e negra, mais atingida com a crise.

Informações de A Agencia Pública




Tópicos relacionados

Mato Grosso   /    Encarceramento   /    Sociedade

Comentários

Comentar