Gênero e sexualidade

DIREITO AO ABORTO

Jovem morre em clínica clandestina de aborto. Uma voz anticapitalista para fortalecer a luta pelo direito ao aborto legal!

quarta-feira 24 de agosto| Edição do dia

Foto: Juan Pablo Diaz

Na última sexta mais uma jovem morreu ao passar pelo procedimento de aborto numa clínica clandestina no Rio de Janeiro. Caroline tinha 28 anos, e assim como Jandira, Elisângela, que também morreram nestas condições, são parte do retrato da realidade de milhares de mulheres que passam pelo procedimento de aborto em condições insalubres de clínicas clandestinas com médicos, policiais envolvidos que só pensam no dinheiro ou em procedimentos com agulhas que as próprias mulheres utilizam levando-as à morte.

Caroline de Souza Carneiro viajou sozinha de Paraíba do Sul, cidade do Centro Fluminense, para realizar o aborto em uma clínica em Benfica na Zona Norte do município do Rio de Janeiro, e não voltou mais para casa. Estava com 5 meses e como muitas jovens por medo do julgamento e moralismo, não contou para a família. Foi encontrada morta nas ruas de um bairro de Duque de Caxias, cidade da Baixada Fluminense.


Foto: Reprodução/ Caroline de Souza Carneiro

O Estado e regime político legitimam esta realidade contando com políticos conservadores e reacionários que tentam passar projetos de lei, como o PL 5069 do Cunha, que retrocedem inclusive no direito ao aborto legal em casos de estupros e risco de vida das mulheres, e querem ditar as regras das vidas e corpos das mulheres claramente com uma política machista que impõe uma situação de opressão, violência e morte para as mulheres. O governo golpista de Temer já mostrou que atacará os direitos das mulheres e não avançará na legalização do aborto, assim como o PT não avançou nos anos de governo e aliança com os políticos conservadores.

No final de 2015, na Alerj, foi aprovado um relatório final da CPI do aborto de autoria do deputado Jânio Mendes (PDT) que entre as propostas está contido o encaminhamento de um projeto de lei que exige a notificação à polícia de qualquer atendimento em hospitais relacionado a aborto, inclusive os espontâneos e os previstos em lei. Ou seja, uma verdadeira caça as bruxas que vai resultar na criminalização das mulheres.

O candidato à prefeitura Marcelo Crivella (PRB), que está em primeiro lugar nas pesquisas, já deixou claro que é contra a legalização do aborto. Numa entrevista à Carta Capital de 2014 chegou a dizer que se fosse mulher e estivesse grávida, não faria aborto em casos de estupro e nem com risco de vida. Ele nunca saberá o que é ser mulher e passar por estas situações e ainda naturaliza a violência, claramente com um discurso de naturalização de que a mulher deve levar adiante uma gravidez em casos de estupro. Sem contar que entre os candidatos à prefeitura, tem o Pedro Paulo, agressor de mulher e protegido pelo partido do governo golpista.

Essa é a cara do que o capitalismo e seus políticos reacionários que vivem de privilégios têm a oferecer as mulheres. Por isso nossa candidatura é para fortalecer a luta pela legalização do aborto, e caso seja eleita, defender este direito contra os reacionários na Câmara de vereadores. Dia 28 de setembro, é o dia latino americano e caribenho pela legalização do aborto, e devemos impulsionar uma forte campanha nos locais de trabalho e estudos, e nas ruas com o movimento de direitos humanos e de mulheres, retomando a força da Primavera das Mulheres na luta por este direito elementar.




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