Política

JOSÉ SERRA NA LAVA JATO

José Serra aparece nas delações da Odebrecht e da OAS

segunda-feira 11 de julho de 2016| Edição do dia

Serra aparece nas duas megadelações que estão sendo negociadas, as da Odebrecht e OAS. As duas empreiteiras revelarão histórias de propinas em obras públicas nos tempos em que Serra era governador de São Paulo, entre 2007 e 2010.

No caso da OAS, a história a ser relatada gira em torno de uma propina negociada (e paga) diretamente entre Léo Pinheiro, sócio e ex-presidente da empreiteira, e uma pessoa muito próxima de Serra, que dizia falar em nome do então governador.

A delação da Odebrecht sobre Serra é relativa ao Rodoanel, a maior obra viária de São Paulo.

A Odebrecht disse que irá detalhar a propina que teria dado a Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, ex-diretor da empresa que administrava a construção de rodovias no estado.

Serra é sucinto sobre o conteúdo das delações: "Não cometi nenhuma irregularidade, tampouco autorizei terceiros a falar em meu nome".

Os governos tucanos em São Paulo estão praticamente blindados da Lava Jato por Gilmar Mendes, mas também por Teori Zavascki e o procurador Rodrigo Janot (que avança até o limite do nome de Aécio Neves, do tucanato mineiro). Essa proteção interessada da Lava Jato, cujo objetivo é simplesmente substituir um esquema de corrupção petista por um com a cara da direita, não impede entretanto de ver os inúmeros esquemas de corrupção do PSDB.

A mais recente é o escandaloso caso de desvio das verbas para a merenda das escolas públicas do estado de São Paulo, envolvendo o presidente da ALESP, o tucano Fernando Capez, estreito aliado de Alckmin. O Judiciário passou longe de abrir inquéritos contra a máfia da merenda, que ocorria em meio à consumação do golpe institucional na Câmara.

Mas não termina aí. Serra está diretamente envolvido na fraude de licitações para o metrô paulista, o chamado "trensalão". Empresas estrangeiras como Alstom, CAF, Daimler Chrysler, Siemens e Bombardier se beneficiaram de fatias das malhas metroviárias e ferroviárias em troca de propinas a distintos políticos tucanos. A ampla cobertura midiática dada aos desvios de verba da Petrobrás não chega ao cartel dos trens, também conhecido como propinoduto tucano, que se encontra relegado a notas secundárias nos principais jornais do país.

Nas inúmeras planilhas encontradas nos escritórios do doleiro Alberto Youssef são citadas diversas construturas, entre elas Camargo Correa e OAS (detentoras do grupo CCR, responsável pela Linha 4-amarela do Metrô, o Rodoanel e a rodovia Dutra), a Queiroz Galvão e até mesmo a multinacional canadense Bombardier, que é mencionada nas planilhas de uma das empresas fantasmas de Youssef, a Santa Tereza Services Limited Partnership, criada na Nova Zelândia e que, segundo a investigação da PF, teve suas contas usadas para movimentar milhões desviados de obras públicas, inclusive da obra do monotrilho da Linha 15-Prata.

Nada disso, entretanto, foi capaz de furar o bloqueio do Partido Judiciário e da grande imprensa que - principalmente antes da confirmação do impeachment no Senado - divergem apenas nos métodos de como defender o PSDB das investigações, delações, conduções coercitivas e prisões preventivas, os antidemocráticos métodos da Lava Jato agora usados generalizadamente.

Aécio Neves foi o bode expiatório dentro do PSDB para que a Lava Jato não parecesse "muito seletiva". Contra a blindagem total conferida por Gilmar Mendes dentro do STF, Zavascki representa uma ala no judiciário disposta a sacrificar um tucano para preservar o "aviário" todo. Mas mesmo assim Aécio nunca foi condenado pelo escândalo de Furnas em Minas Gerais.

Serra está envolvido nos esquemas paulistas, e não precisamos de nenhuma Lava Jato para saber disso. É preciso exigir que os bens destes políticos corruptos, tanto do PT, PMDB como do PSDB (para não mencionar o fisiologismo em estado puro do chamado "novo Centrão") sejam confiscados e investidos no orçamento da saúde e da educação. Todas as empresas envolvidas nos esquemas devem ter suas contas abertas e investigadas por comitês de trabalhadores empregados nelas e por especialistas eleitos nas universidades públicas. Que os crimes de corrupção sejam julgados por juris populares, e não por ricos ministros do STF cheios de privilégios.




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