Juventude

GREVE NA UFRJ

Jornal O Dia manipula informação contra os grevistas da UFRJ

Em matéria intitulada “Reitor e grevistas da UFRJ atacam professores que criticam a paralisação”, publicada neste sábado (29), o jornal O Dia fornece uma narrativa bastante distorcida da realidade da greve que acontece na universidade, e que teve como estopim os cortes que chegaram a 13 bilhões no orçamento da educação. A distorção começa pelo próprio título.

quarta-feira 2 de setembro de 2015| Edição do dia

Na matéria, o jornal diz que “A paralisação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) abriu uma guerra entre docentes que defendem o retorno das atividades e grevistas que contam com apoio da Reitoria.”, e descreve o pedido de intervenção, enviado em carta por 25 professores eméritos ao MEC, como um pedido de “providências” ao MEC. A última vez que o MEC interviu na UFRJ, depois da Ditadura Militar, foi em 98, e o caso repercutiu na saída e aposentadoria de centenas de professores contra a “providência” tomada por Paulo Teixeira, Ministro da Educação na época.

Aqueles que procurarem ler o resto da matéria verão que todos os verbos estão conjugados a favor dos 25 professores que pedem a intervenção do MEC e contra os grevistas da UFRJ, chegando a transformar a defesa do direito de greve contra a reivindicação de práticas autoritárias e anti-sindicais ser narrada como um “ataque” aos 25 professores “críticos” à greve. Até matemática deixou de ser ciência exata para o jornal, já que para O Dia, 25 professores parecem ser mais expressivos do que os 400 trabalhadores que votaram a continuidade da greve na última assembléia.

Mas não para por aí, o referido jornal também tinha que noticiar alguém que estivesse de fato sendo prejudicado pela greve, e para isso entrevistou o estudante Felipe Felizardo, reproduzindo na matéria apenas aquilo que interessava à sua linha editorial.
Reproduzimos o trecho abaixo:

A paralisação das aulas virou uma dor de cabeça para os alunos. É o caso do estudante de História da Arte Felipe Felizardo, de 28 anos, que perdeu a inscrição em uma Bienal de arte por não ter acesso ao número de sua matrícula. “Esqueci qual era o meu número e não há funcionário na Secretaria para me informar”, lamentou.

Procurado pela redação do Esquerda Diário, Felipe disse que o jornal selecionou apenas o que lhe interessava da entrevista inteira. Reproduzimos abaixo o depoimento com autorização de Felipe, grifado pelo redator deste artigo:

“Mais uma vez o filtro que a grande mídia utiliza para fazer suas matérias se mostra um filtro tendencioso. Dia 28 estive na EBA para fazer inscrição no último dia para a Bienal de arte e como não possuía alguns dados que precisava para acessar o sistema.
Eu deixei para pega-los na secretaria, em cima da hora, que já estava fechada quando cheguei. Ao sair fui fotografado e posteriormente entrevistado por telefone por uma repórter do jornal O Dia. Ela me perguntou o q fazia lá e de que forma a greve me prejudicava. Contei a ela como havia acabado de ser realmente prejudicado, mas que isso era um problema maior meu, que havia deixado para última hora e esquecido a matrícula e senha, do que dos funcionários que não estavam lá presentes durante a greve. Ressaltei que a greve é um movimento válido para os trabalhadores reclamarem sobre as condições de trabalho, pois não há outra forma de questionar o sistema, já que não há diálogo a não ser dessa forma. Em seguida fui questionado se isso prejudicava as aulas a resposta obviamente foi sim. Mas o porém eu já havia dito. A matéria que saiu com o título de "Sem técnico e sem matrícula" esqueceu a parte em que me posiciono a favor da greve mesmo ficando sem aulas.”

Não foi a primeira vez, não será a última

Este tipo de manipulação dos fatos para criar uma narrativa tendenciosa contra greves e manifestações em geral não é novidade, nem é exclusividade do O Dia. Nas Jornadas de Junho, o jornal O Globo foi um dos mais criticados pela juventude que saiu às ruas e enfrentou a repressão dos governos. Na criminalização dos protestos e movimentos sociais, os diferentes governos contam com a ajuda da imprensa burguesa para propagar um senso comum contra as manifestações, que facilite a repressão ou ao menos combata os questionamentos e abafe as crises políticas que os governos vêm enfrentando. Contra isso, é necessário impulsionar ferramentas independentes dos governos e dos patrões, que informem de dentro das greves com o olhar dos trabalhadores, da juventude e dos setores oprimidos. O Esquerda Diário, impulsionado pelo MRT, se propõe a ser uma ferramenta nesta luta pela informação e abre as suas páginas para todo tipo de denúncias.




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