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Jornadas de luta da juventude sacodem França, Argentina e Chile

André Acier

Natal | @AcierAndy

sexta-feira 20 de maio de 2016| Edição do dia

Para a juventude brasileira em luta pela educação e que se enfrenta com a repressão policial de um governo golpista, é fundamental assimilar as experiências da onda de mobilizações que sacodem a França, Argentina e Chile.

Há meses a juventude secundarista e universitária francesa desafia a violência policial nas principais cidades do país decidida a derrubar a Reforma Trabalhista do governo Hollande, que busca retirar diversos direitos, aumentar a semana de trabalho e terminar com os convênios coletivos. O ódio à polícia se massificou nas mobilizações, um trunfo estratégico. Desde o início do movimento, a articulação entre os estudantes e trabalhadores conferiu uma poderosa marca às jornadas de luta. Os portuários, ferroviários, aeroportuários e o setor emblemático das refinarias participam em atos unificados com a juventude, paralisando alguns dos centros da economia e serviços estratégicos, motivo pelo qual a polícia e o governo buscam dividir o movimento entre manifestantes “pacíficos” e “vândalos”, como em Junho de 2013 no Brasil, para impedir a coordenação entre jovens e trabalhadores.
Esta explosão de resistência contra o “estado de exceção” e os ajustes marca o retorno da luta de classes na França depois da derrota do movimento contra a reforma das aposentadorias em 2010.

No Chile a juventude, que foi temperada na histórica luta pela educação gratuita de 2011, se mobiliza em solidariedade aos trabalhadores de Chiloé, cuja fonte de renda foi contaminada por um desastre ambiental provocado pelos empresários. Na Argentina 40 mil estudantes e professores marcharam em Buenos Aires contra os ataques do governo Macri à educação, pela valorização da carreira docente e pelo passe livre estudantil. “Colocando a universidade nas ruas”, os estudantes argentinos paralisam a principais universidades do país, colocando a luta contra a precarização do ensino à cabeça da resistência contra o avanço da direita, numa dinâmica que se liga com a batalha da juventude brasileira pela educação que poderá colocar os trabalhadores de volta ao centro da cena como em 2014.

Por distantes que pareçam estar, estas lutas nos distintos países compartilham um destino comum e estão indissociavelmente ligadas. Uma vitória dos estudantes e trabalhadores franceses fortalecerá a luta da juventude latinoamericana. Em sua forma, nossa luta no Brasil é nacional, mas o seu real conteúdo é internacional. Nos solidarizamos com cada uma das lutas de nossos irmãos na América do Sul e na Europa contra os ataques capitalistas. Nossa luta não tem fronteiras.




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