Jonas ameaça ato de domingo em Campinas ao mesmo tempo que avança na reabertura do comércio

Jonas Donizette (PSB), prefeito de Campinas (SP), ameaçou com multas e repressão a manifestação antirracista que ocorrerá na cidade nesse domingo. Ao mesmo tempo o prefeito avança com seu plano de reabertura do comércio.

domingo 7 de junho| Edição do dia

O prefeito da cidade de Campinas (SP), Jonas Donizette (PSB), ameaçou com
repressão e multa o ato antirracista que foi chamado para esse domingo no Largo do Rosário (15 hrs). Os atos antirrascistas tomaram as ruas dos EUA e do mundo desde o brutal assassinato de George Floyd pela política supremacista de Trump. Jonas afirma que é necessário evitar aglomerações diante da COVID - 19. Um verdadeiro demagogo, visto as declarações e o próprio plano de reabertura do comércio proposto pelo prefeito.

De longe, o que Jonas quer é evitar aglomerações e sinalizar que está preocupado com os desdobramentos da pandemia na cidade. Sua real intenção é conter quaisquer possibilidades de manifestação e atos de rua que questionem tanto o Estado racista quanto a sua própria gestão. O prefeito indicou que a polícia estará a postos e autorizada a reprimir o ato caso necessário para conter a aglomeração.

Campinas é a maior cidade do interior de São Paulo, estado que sequer alcançou
o pico da pandemia e já possui mais de 8 mil mortes. No que tange a Campinas, os dados subnotificados da prefeitura municipal indicam 100 óbitos e quase 3 mil casos de contaminação. Mesmo com esse cenário, Jonas prepara uma maior reabertura das atividades econômicas nada essenciais (como shoppings e o comércio de rua) para essa segunda-feira (08).

A abertura é mais ofensiva que o próprio plano de João Dória (PSDB),
governador do Estado, que busca se diferenciar do negacionismo de Bolsonaro, mas segue sem promover políticas de combate à e que aplaudiu, assim como Jonas, as medidas ultra antipopulares, como a “MP da Morte” de Bolsonaro, que preserva o lucro dos patrões e ataca os direitos e salários dos trabalhadores.

Desde o assassinato de George Floyd por um policial supremacista branco nos
Estados Unidos, a fúria negra tomou centenas de cidades norte-americanas e
transbordou para vários lugares do mundo, expressando de várias formas as mazelas do racismo estrutural do capitalismo, como o trabalho precário que têm rosto negro, as atrocidades das forças de repressão do estado contra os negros e trabalhadores, o desemprego, as precárias condições de trabalho e vida etc. Diante da política de extermínio do povo negro foram chamados atos em várias cidades do país.

Em Campinas, o ato ocorrerá no domingo (07, às 15h. Sua concentração será no
Largo do Rosário, região central da cidade. Nós, do Esquerda Diário, cobriremos o ato e chamamos a todos que não são grupos de risco a comparecer a manifestação tomando as devidas precauções de prevenção, tais como, o uso de máscaras, levar álcool gel, etc.

Jonas afirmou em live nesta quinta-feira (04) que não “quer” enfrentamento
policial, deixando, na prática, indicada a possibilidade de repressão policial e multa aos organizadores. O prefeito quer usar repressão policial e judicial contra manifestantes para evitar aglomeração, mas está enérgico para liberar quaisquer atividades econômicas, culturais, religiosas na cidade. Situação que levará certamente a partir dessa segunda-feira milhares de pessoas nas ruas, ônibus, etc.

Fica evidente que Jonas está preocupado em garantir os lucros dos empresários e pouco se importa com a vida dos negros e moradores da cidade.

Vale recordar aqui o assassinato de Jordy no início da pandemia, jovem negro de
15 anos do bairro Reforma Agrária. Jordy tomou um tiro nas da polícia de Jonas
enquanto estava se divertindo com seu irmão e alguns poucos amigos. É dessa forma, com bala, que o Jonas quer “enfrentar” a pandemia na periferia, local onde ela mais se alastra. A repressão aos atos é apenas mais uma mostra de que Jonas não se importa com a vida dos negros.

Pode interessar também: Ato na comunidade do Oziel em Campinas-SP, pede justiça por Jordy assassinado pela polícia de Jonas Donizette

O Esquerda Diário e o Quilombo Vermelho estarão nas manifestações desse
domingo. Basta de o povo negro morrer pela bala da política, pela covid-19 e pela sede de lucro dos patrões. Fora Bolsonaro e Mourão. Sem nenhuma confiança nos golpistas que são contra a nossa classe e os setores precários. Por Assembleia Constituinte Livre e Soberana para o povo discuta e decida sobre as principais questões de vida e trabalho. Estaremos nas ruas porque as #vidasnegrasimportam.




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