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Jobim o presidenciável que foi ministro de FHC e Lula, o bonaparte perfeito?

quarta-feira 24 de maio| Edição do dia

FHC e Lula tem muito em comum. São pilares do regime de 88. Além de garantir o aumento do lucro dos bancos, do agronegocio, a expansão do trabalho terceirizado eles também tem outra coisa em comum, o ministro Nelson Jobim. "Más" ou corretas línguas do jornalismo pátrio colocam os dois ex-presidentes como fiadores da condução de Jobim à presidência da Republica em eleição indireta.

Um governo derrubado pela somatória de luta dos trabalhadores e delação da JBS não poderia ser melhor substituído do que por um homem crítico aos "excessos das greves" e membro do conselho de administração do BTG Pactual denunciado na mesmíssima Lava Jato. Um homem responsável por criar os super-poderes do judiciário e quem tem atuado de conselheiro a reus da Lava Jato. O homem de todas as canoas, desde que sejam as da elite.

Jobim o árbitro perfeito, sem voto, com bom trânsito em todos lados e com boa dose de autoritarismo

Jobim foi ministro da justiça de FHC de 1995 a 1997, de lá, tal como Alexandre de Moraes pulou para o STF. No STF chegou a presidência em meio ao escândalo do Mensalão, do Supremo pulou para a cadeira de ministro da defesa de Lula e depois de Dilma. Com trânsito na toga e no coturno conjuga a aprovação dos poderes sem voto. No empresariado também é bem aceito, é interventor de "compliance" no BTG Pactual, do qual passou a ser sócio. É defensor da reforma da previdência e assessorou Temer em como defender a mesma. Teria o "aceite" empresarial. E, como bônus, é alguém de bom trânsito com Lula, que poderia construir um pacto nacional. Renan Calheiros defendeu seu nome para a presidência indireta justamente com essas atribuições.

Poucos nomes que podem trazer a mesma mesa tucanos e petistas tem dado entrevistas onde reafirma uma mesma ideia, sem unir Lula e FHC teremos um Trump. Para evitar Trump a solução é ele mesmo. Como um bom candidato a bonaparte, oferece o problema e a única resposta "eu mesmo".

Quem é Nelson Jobim

Nelson Jobim reune características e uma trajetória política ímpares. Relator na Constituinte tentou diminuir os poderes de Sarney sobre a mesma e foi derrotado pela tropa do presidente. Na "batalha" ganhou a cara de "progressista e autêntico". Votou, no entanto com boa parte do "centrão" em temas chave para os capitalistas: foi contrário a fixar a jornada semanal de trabalho em 40horas, foi contrário a estabelecer limites a propriedade privada. Depois disso, como deputado federal foi parte importante da ruptura do PMDB com Collor para alçar Itamar ao poder, tendo sido o relator do processo de impeachment.

Depois, ministro da justiça de FHC foi um dos responsáveis diretos e indiretos do Massacre de Eldorado de Carajás e pela ocupação militar das refinarias da Petrobras em meio a greve dos petroleiros em 1995. Depois se indispôs com seu PMDB por tentar implodir convenções partidárias para garantir o apoio de seu partido à emenda constitucional que permitiria a reeleição de FHC. Desgastado em seu partido e com a missão de debelar a oposição do STF a PEC da reeleição virou ministro do Supremo.

No STF ficou conhecido por junto a Lula criar os Conselhos de Justiça que instituiram os super-poderes dos magistrados para escaparem de qualquer controle que não o de sua própria casta. Também foi um dos responsáveis por "aconselhar" que o Ministério Público controlasse a si mesmo e elegesse o Procurador Geral. O resultado são Rodrigo Janot e outros homens acima da lei. Também atuou nos seus últimos dias no STF ajudando o PT a não sofrer processos em meio a crise do Mensalão.

Ministro da Defesa de Lula e Dilma foi responsável e entusiasta da ocupação militar do Haiti, pelo começo do uso do exército para repressão da população civil utilizando o conceito de "Garantia da Lei e da Ordem".

Homem da "ordem", inimigo dos trabalhadores

Político das sombras como mostramos nessa breve resenha é um político conhecido por se meter "nas bolas quadradas" do regime. A reeleição de FHC, a repressão às greves em 1995, o mensalão. Sua atuação em prol dos militares e também dos poderes do judiciário o gabaritam para ser um nome apoiado por todas alas do regime político. Seria um bonaparte perfeito. E como bonaparte, goza de boa predisposição a vestir tanto o verde-oliva como a toga, promete "mão dura" para quem o contrariar. Os primeiros a contrariarem o presidenciável são os trabalhadores em luta contra as reformas e contra um regime político cada vez mais despido de cara democrática.




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