Política

ELEIÇÕES 2016

Empresário de direita João Dória vence e abre espaço a fortalecimento do PSDB

Após eleições marcadas pelas leis restritivas do regime, a falta de debates e tempo extremamente reduzido na TV, Radio e espaços para discussões políticas, o candidato do PSDB, João Dória, vence em São Paulo em primeiro turno, com 91,72% das urnas apuradas, Doria tinha 53,28% dos votos válidos, contra 16,64% do prefeito Fernando Haddad (PT).

Fernanda Montagner

São Paulo

domingo 2 de outubro| Edição do dia

A principal expressão da direita privatista empresarial, com histórico de envolvimento com sonegação de imposto internacional, e uma série de afirmações conservadoras com relação aos direitos das mulheres além de apoiador do projeto Escola sem Partido.

Com resultado inesperado, as eleições de São Paulo se decidiram com a vitória do direitista João Dória (PSDB) para prefeito da capital, queda de Russomanno, favorito no inicio da campanha, e Marta Suplicy, cuja queda foi um enorme revés para o governo Temer. Haddad teve no último momento um leve crescimento nos votos, contudo não sendo suficiente para ir para o segundo turno, apesar de ter terminando em segundo colocado. Oscilações resultado de uma eleição marcada pela crise de representatividade, na qual o PSDB apostando no perfil do empresário "gestor, e não político", conseguiu conquistar além da direita um setor amplo da população que está desgastado com as corrupções do regime e com os políticos tradicionais.

Para o PSDB é uma considerável vitória, que fortalece o partido em uma eleição que foi uma pré-arena das eleições nacionais em 2018. Geraldo Alckmin emplaca seu candidato com mais força do que o pupilo de Aécio, que venceu o primeiro turno mas terá de disputar o segundo com o PHS em Belo Horizonte. Isso coloca o tucano paulista bem posicionado na corrida pela candidatura do PSDB à presidência.

Os principais debates estavam relacionados a crise nacional, a grande crise nas demandas sociais, como saúde, transporte e educação, somada a tentativa de Marta, Russomanno e Dória buscarem abarcar politicamente o setor desgastado com o PT após o golpe institucional e a baixa aprovação do antigo prefeito do PT, Haddad.

Para o PT, apesar do crescimento de última hora por parte de Haddad, é uma importante derrota, ainda mais com Dória vencendo sem necessidade de segundo turno. Haddad era a principal aposta para recompor o partido após a derrota do impeachment. Durante as eleições o PT ainda sofreu desgaste pela Lava Jato com a perseguição a Lula, precisando dividir forças entre Lula e a campanha de Haddad. Ainda esta em aberto o quanto essa derrota abrirá caminho para uma ofensiva da Lava Jato contra o petismo, que foi o grande derrotado nacionalmente nas eleições municipais, desiludindo amplos setores com sua conciliação com a direita e os ataques aplicados contra os trabalhadores.

Esse resultado eleitoral do PSDB vencendo em primeiro turno, fato que desde a redemocratização nunca ocorreu na cidade de São Paulo, coloca um grande desafio à esquerda. Haverá uma unidade política entre a prefeitura e o governo de São Paulo, com Alckmin, parte da vitória do novo prefeito tucano é resultado do próprio apoio do aparato estatal do governo do estado, assim como o pelo próprio autofinanciamento do milionário Dória.

Essa votação de Dória não significa, entretanto, um "cheque em branco" à direita, nem mesmo a atenuação da enorme crise de representatividade que segue forte em todo o país. A exemplo disso, a soma de brancos, nulos e ausentes foi de 3,096 milhões, número superior ao número de votos do tucano.

A unidade tucana na prefeitura e no governo do estado representa um anúncio a maiores ataques aos trabalhadores, com as propostas as privatizações desde o metro de São Paulo, aos corredores de ônibus e parques. Assim como é o fortalecimento político do principal partido que vem discutindo a necessidade de uma reforma trabalhista e da previdência, assim como da reforma política que visa restringir ainda mais a esquerda.

A candidata a vereadora de São Paulo, Diana Assunção afirmou “para nossa campanha foi central o combate a essa direita tucana, fizemos diversos artigos e respostas as propostas de direita do tucano, frente a crise do PT - e o fracasso de sua estratégia de conciliação de classes, que se aliou a direita para atacar os trabalhadores - é fundamental a esquerda se colocar a tarefa de impedir que a crise de representatividade seca capitaneada a direita, parte de expandir as idéias de esquerda é combater incansavelmente essa direita privatista e que apesar do discurso de eficiência, o que o tucano defende é que se aprove uma série de medidas antipopulares. Nossa campanha foi parte de erguer essa voz de combate a direita. Queremos organizar a resistência aos ataques com esta força anticapitalista e milhares mais que busquem uma saída independente de classe”.




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