Política

IMPUNIDADE E DELAÇÃO

Joalherias do esquema de Cabral sairão impunes após delação e multa

quinta-feira 5 de outubro| Edição do dia

Foto: divulgação/ Polícia federal. Jóias apreendidas na operação Calicute.

As joalherias do esquema de corrupção de Cabral chegaram a receber mais de R$ 200 milhões de isenção fiscal do governo.

Para a H. Stern, a primeira a fechar acordo de delação, as isenções entre 2008 e 2013 atingiram R$117,2 milhões. Isso sem falar no lucro obtido com a venda das jóias propriamente: somente as notas da compra de quatro anéis e um colar obtidas pela operação Calicute da Polícia Federal totalizavam R$ 2,1 milhões. Já a gerente da loja no Shopping da Gávea, Vera Lúcia Guerreira, afirmou que o esquema de vendas para Cabral e sua esposa rendeu à loja R$ 5,1 milhões.

Contudo, no acordo de delação que fecharam, quatro membros da cúpula da joalheria se comprometeram a pagar em multas, ao todo, R$ 18,9 milhões de reais em multas. O que deixa à empresa um lucro de pelo menos R$ 100 milhões no esquema de Cabral, além da garantia da justiça de total impunidade. Um excelente negócio.

Motivado por esse lucrativo acordo, agora a joalheria Antonio Bernardo decidiu também entrar no esquema da delação. A joalheria recebeu apenas em isenções do governo, entre 2008 e 2013, R$21,1 milhões. E, o acordo de delação homologado pelo juiz Marcelo Bretas estipula que o dono da joalheria pagará uma multa de R$ 10,1 milhões (e parceladamente, para dar uma "ajudinha extra") enquanto sua irmã pagará R$ 500 mil. Sobram, sem contar o lucro das vendas ao governador, estimadas num valor de R$3 milhões, pelo menos R$ 10 milhões de lucro no esquema de Cabral, e a certeza da impunidade.

Fica mais uma vez demonstrado que o judiciário, a polícia e o Estado, mesmo quando "mostram serviço" colocando a nu uma pequena parcela de toda a montanha de corrupção que azeita a engrenagem da política desse regime, estão sempre defendendo os lucros e privilégios dos capitalistas.




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