Política

OPOSIÇÃO SENADO

Jaques Wagner (PT) e oposição no Senado culpam atos antifascistas por autoritarismo de Bolsonaro

Em nota divulgada na última quinta-feira, 4, assinada pelo senador do PT, Jaques Wagner, em conjunto com líderes de outros partidos no senado - inclusive de direita - Rede, PDT, PSB, Cidadania, PSD, tentam desencorajar os trabalhadores de participar dos atos antirracistas e antifascistas que acontecem neste domingo, 7, em diversas cidades do país. Eles afirmam que não podemos sair às ruas nesse momento com a justificativa de que devemos colocar nossa vida em primeiro lugar, redobrar nossos cuidados pessoais de saúde, respeitando o distanciamento social para impedir o crescimento da pandemia. Eles afirmam que se manifestar nesse momento significa ceder ao que deseja o bolsonarismo 'o ambiente para atitudes arbitrárias'.

Juca Amorim

estudante de Design da UFRN e militante da Faísca

domingo 7 de junho| Edição do dia

Os atos que estão sendo convocados no Brasil reverberam a revolta que está ocorrendo nos Estados Unidos, por causa da violência policial racista que tirou a vida de George Floyd, em Minneapolis, que tem se espalhado por todo o mundo. Aqui no Brasil, se somam aos atos antirracistas e antifascistas a revolta causada pela mesma violência da polícia racista de Witzel que vitimou João Pedro, na periferia do RJ, em São Gonçalo, a qual os senadores apagam o fato de que o distanciamento social não impediu que os policiais entrassem na casa dele para assassiná-lo, entre tantos outros jovens negros como João Victor e Rodrigo, mesmo durante a pandemia.

Além disso, a fúria negra antirracista inflou nos amplos setores do país o sentimento contra o reacionarismo do governo Bolsonaro, com sua política negacionista e genocida, com a retomada das ruas, que vinham sendo dominadas pelos atos da extrema-direita bolsonarista.

É demagógico a afirmação de Jaques Wagner de que eles estão preocupados com as vidas das pessoas, enquanto nos Estados governados pelo PT os trabalhadores mais precarizados estão em situação de vulnerabilidade, faltam testes e EPIs para os agentes de saúde e terceirizados, e os sistemas de saúde atualmente começam a entrar em colapso por falta de leitos de UTIs, como no Ceará e Rio Grande do Norte, com mais de 80% de leitos de UTI para covid ocupados, ao mesmo tempo que implementam medidas de reabertura gradual do comércio e da indústria, que no RN, governado por Fátima Bezerra, teve apoio da Federação de comércio (Fecomércio e Fiern).

Essa nota foi contestada pelo PT, assinada por Gleisi Hoffmann, que afirma “somos solidários aos que participam destes atos e sofrem os ataques da repressão e de provocadores”, no entanto não colocam um chamado aos trabalhadores e aos setores oprimidos para participar das manifestações, além disso ainda afirma que ‘os militantes democráticos que participam destes atos devem também resistir às provocações e isolar os infiltrados, que já vêm agindo para tentar desvirtuar o caráter das manifestações e dar pretexto à repressão e ao discurso de fechamento do regime.’ faz uma generalização com a acusação de um setor das manifestações não pacíficos de serem responsáveis pela repressão policial, condenando de antemão qualquer radicalização que possam ter os atos.

Da mesma forma, as direções das burocracias sindicais da CUT e CTB se negaram a organizar os trabalhadores a tomarem para si a luta antirracista e antifascista nos atos, quando deveriam cumprir a função de unir a massa de trabalhadores com os setores oprimidos para lutar contra Bolsonaro, Mourão e os militares. Ao contrário disso, tanto o PT, PCdoB quanto as burocracias sindicais, orientam os trabalhadores e os setores mais oprimidos no sentido de defender uma frente ampla, com representantes da elite econômica no congresso e no STF, que se colocam como oposição ao governo Bolsonaro, porém defendem igualmente ataques da burguesia aos trabalhadores, como FHC, Luciano Huck e Maia.

Lamentavelmente, essa também tem sido a política do setor majoritário do PSOL, com Freixo, Boulos e parlamentares do MES, que defendem uma aliança com setores da direita, como Joice Hasselman, para tirar Bolsonaro de qualquer jeito, inclusive com impeachment, um acordão dos setores mais reacionários do Congresso para que Mourão assuma a presidência.

Ao contrário do que diz Jaques Wagner e demais líderes da oposição no senado, temos que participar dos atos antirracista e antifascista tomando todas as medidas recomendadas, como o uso de máscara e o distanciamento social. Para derrubar as políticas racistas e genocidas dos capitalistas representadas pelos governos Bolsonaro, Witzel e Trump, além dos atos é fundamental unir os trabalhadores e os movimentos sociais dos amplos setores oprimidos numa ampla frente única operária com independência de classe, assim construindo a unidade daqueles que sentem ódio de Bolsonaro, mas também identificando os interesses centrais das classes no interior do regime.

Dessa forma, a luta antirracista e antifascista não deve se limitar ao ‘Fora Bolsonaro’, mas também ‘Fora Mourão’, que defende a herança da ditadura militar e representa os setores mais reacionários do regime, sem confiança no STF que mantém 40% da população carcerária presa sem julgamento. Por isso, defendemos que os trabalhadores, a juventude, negras e negros, mulheres e todos os setores oprimidos levantem a Assembleia Constituinte Livre e Soberana para colocar na ordem do dia todos os debates sociais, econômicos, ambientais fundamentais para derrubar o conjunto do regime que é parte de um sistema de exploração e opressão e dar um basta às mortes por coronavírus no país, pelas balas das forças repressivas do Estado e pelo lucro dos capitalistas.




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