Política

Ditadura/Japonês da federal

“Japonês da Federal” foi espião infiltrado da ditadura.

Newton Ishii, mais conhecido como “Japonês da Federal” contou um pouco de sua trajetória suja de repressão e perseguição à esquerda. A participação em processos reacionários não é de hoje. O policial revelou que o amor pelo golpismo faz parte de sua vida desde muito cedo.

Castor

Estudante Ciências Sociais USP

sexta-feira 17 de agosto| Edição do dia

Um dos grandes ícones do golpe institucional, o “Japonês da Federal”, figura emblemática assim como os patos da FIESP, participou do programa “Conversa com Bial” da Rede Globo, uma versão piorada e de direita do antigo “Programa do Jô”.
Na oportunidade, Newton Ishii, mais conhecido como “Japonês da Federal” contou um pouco de sua trajetória suja de repressão e perseguição à esquerda. A participação em processos reacionários não é de hoje. O policial revelou que o amor pelo golpismo faz parte de sua vida desde muito cedo.

O tão reverenciado pela pequena burguesia e batedores de panela, aclamado pela sua presença em várias fotos das operações policiais da arbitrária Lava-Jato, revelou que durante a ditadura foi um verdadeiro cachorrinho em defesa do regime militar:

“Trabalhei, na época da ditadura militar, em diretório estudantil como infiltrado entre os estudantes. Frequentava as reuniões e depois passava as informações”.

Newton Ishii foi um espião dos torturadores, seu “trabalho” fez parte da perseguição, tortura e mortes de militantes de esquerda na década de 70. O exemplo do passado do policial é ótimo para mostrar como a ditadura não é algo superado, há muitos militares, políticos advogados, policiais, médicos e funcionários que vivem tranquilamente com as mãos sujas de sangue, graças a lei da “Anistia” que diz que ambos os lados - militares e oposição - cometeram seus “excessos”.

O cômico é que o policial federal, após ter sido sacramentado como um santo da direita golpista pelo seu verdadeiro combate à corrupção, foi preso em 2016, acusado de envolvimento em esquemas de contrabando nas fronteiras do Brasil. Quebrar a cara é algo rotineiro dos apoiadores do golpe, só lembrarmos de Ronaldo vestindo uma camiseta escrito “Eu não tenho culpa, votei no Aécio” para que tempos depois vazassem áudios do político gangster cogitando um suposto assassinato de seu primo para impedir uma possível delação.

O trágico é que figuras do mesmo calibre do “Japonês da Federal”, que na entrevista disse que “Tudo tem sua época. Mas democracia é essencial. Sou contra direita e esquerda” afirmação que demonstra a completa ignorância reacionária, continuam a ditar os rumos da política no país. A Lava-Jato de Sérgio Moro assim como o STF fazem de tudo para dar continuidade ao projeto golpista, mantendo Lula arbitrariamente preso - enquanto Newton já se encontra livre - porque pretendem escolher a dedo o próximo presidente para o país, a arbitrariedade do judiciário mostra que longe de combater a corrupção, seu objetivo é impedir o direito da população votar em quem quiser.




Tópicos relacionados

Polícia Federal   /    Golpe militar   /    Golpe institucional   /    "Partido Judiciário"   /    Operação Lava Jato   /    Ditadura militar   /    Política

Comentários

Comentar