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Janot tenta justificar o injusticável: tem um corrupto bilionário de estimação

Tentando justificar os benefícios concedidos aos empresários corruptos, o procurador-geral da república, Rodrigo Janot, deixa seu recado: melhor bilionário solto e impune e garantir que projetos políticos sigam andando, e, de quebra garantindo cada dia mais inovações repressivas do MPF.

Rafaella Lafraia

São Paulo

terça-feira 23 de maio| Edição do dia

Em primeira manifestação à imprensa após a vinda à tona da celebração do acordo com os irmãos Joesley e Wesley Batista e outros executivos do grupo, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, defendeu o acordo firmado com os empresários do Grupo J&F, justificando que a concessão de imunidade penal aos delatores - que não serão denunciados pelos crimes que revelaram - é a decisão correta. São bilionários, lucraram até mesmo com a delação, e isso mesmo é bom que fiquem impunes!

Em outras palavras: Para o procurador é mais importante tocar os projetos políticos em andamento e, para tal, é necessário deixar bilionário à solta! Obviamente, já que Janot e Ministério Público Federal (MPF), junto a Globo, tem como projeto político atual tirar o golpista Michel Temer para colocar outro presidente que conduza reformas e, até mesmo projetos mais ambiciosos de "renovar a política", mas que poupam os capitalistas!

Outra "conquista" da Janot no episódio é que se naturaliza mais um pouco o uso de escutas ilegais e toda a mídia comece a tratar com naturalidade "República Grampeada" como diz O Globo há dias.

Janot acrescenta em artigo publicado, apontando que os benefícios a Joesley e os demais 6 delatores da J&F "podem parecer excessivos", mas que a outra alternativa seria a não celebração do acordo de delação, o que acabaria sendo pior ao País. E ainda acrescenta como justificativa que se “um acordo sido recusado, os colaboradores, no mundo real, continuariam circulando pelas ruas de Nova York, até que os crimes prescrevessem, sem pagar um tostão a ninguém e sem nada revelar, o que, aliás, era o usual no Brasil até pouco tempo".

Nenhuma palavra sobre facilitar a transferência da empresa para os EUA, nenhuma palavra como seu acordo facilita que a JBS dê o calote sobre o que a justiça brasileira determinar de multa, pois agora será uma empresa americana.

Ainda no texto, o procurador diz que "não teve outra alternativa" senão conceder a imunidade penal aos delatores, utilizando de premissas para admitir o benefício: "a gravidade dos fatos, corroborados por provas consistentes; a certeza de que o sistema de justiça de que o sistema de justiça criminal jamais chegaria a todos esses fatos pelos caminhos convencionais de investigação; e a situação concreta de que, sem esse benefício, a colaboração não seria ultimada e, portanto, todas as provas seriam descartadas." E ainda acrescenta que acha que tal acordo não é algo tão beneficente para os empresários, já que a J&F está sendo instada a pagar multa de R$ 11 bilhões pelo acordo de leniência que negocia com o Ministério Público Federal. Em dez anos! Alcançando nem 6% do faturamento da empresa. Isso se ela pagar pois está transferindo sua sede aos EUA.

E para encerrar, Janot coloca que o questionamento sobre os benefícios concedidos pela Procuradoria-Geral da República a Joesley, Wesley e os demais executivos é um ponto "secundário", já que a questão central é "o estado de putrefação de nosso sistema de representação política".

A podridão da política capitalista alcança as nuvens, mas para ele a dos empresários bilionários não existe. Mesmo quando esses mesmos empresários lucram com a corrupção. Um mundo fantástico. A política podre corrompe o pobre Joesley.

Em outras palavras, (as reais palavras), o procurador-geral da República tenta enrolar a todos para justificar os benefícios dados aos grandes capitalistas, poupando-os, para que os mesmos mantem seus lucros e seus acordos após a vitória no novo projeto de “renovação política” – já que Temer não responde mais aos anseios dos capitalistas para passar as reformas.

Não devemos aceitar! Devemos ir por mais! Depois de um forte dia 28A e com um 24M a frente, devemos nos fortalecer e exigir das centrais sindicais uma greve geral e que, a partir desta impormos uma assembleia constituinte para derrubar as reformas e anular todos os ataques, expropriar a JBS, a Odebrecht e todas as empresas capitalistas que lucram com a corrupção sistêmica.

Janot também tem seus corruptos de estimação, são bilionários. Os trabalhadores precisamos expropriar essas empresas, garantindo empregos e que seus recursos atendam as necessidades da população.

Leia também: 5 motivos para defender a expropriação da JBS




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