Janot apresenta segunda denúncia contra Temer nesta quinta-feira

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, concluiu a nova denúncia contra o presidente Michel Temer, que será acusado dos crimes de organização criminosa e obstrução de Justiça. A tramitação da denúncia na câmara, porém, não é imediata, e depende do aval do Supremo. A decisão sobre isso está pendente para a quarta-feira da semana que vem (20).

quinta-feira 14 de setembro| Edição do dia

O texto desta segunda denúncia ao presidente Temer, pelos crimes de organização criminosa e obstrução de Justiça, tem de mais de 200 páginas e a previsão é que seja apresentada até o fim da tarde desta quinta-feira (14) ao STF (Supremo Tribunal Federal).

Além do presidente, Janot citará a cúpula do PMDB da Câmara, alvo do relatório da Polícia Federal, que foi entregue ao Supremo na segunda-feira.

O documento da PGR tem como base as delações de executivos da JBS e do corretor de valores Lúcio Funaro, que teve a Delação Premiada homologada, na qual afirma que o presidente da República, Michel Temer, dividiu a proprina da Odebrecht com Geddel, que está preso em Brasília desde a semana passada, depois que a Polícia Federal encontrar R$ 51 milhões em notas escondidas num apartamento da capital baiana.

As acusações contra Temer foram fortalecidas com dados fornecidos por Funaro à Procuradoria.

A primeira denúncia contra Temer, por corrupção passiva, foi barrada no início de agosto pela Câmara. Esta é a segunda denúncia contra o peemedebista apresentada por Janot com base na delação de executivos da JBS, que se desenrolou numa de uma crise que levou dois delatores, os executivos Joesley Batista e Ricardo Saud, à prisão, por omitirem informações em suas delações e, desse modo, romperem com o acordo que lhes garantia imunidade e impunidade total.

A colaboração de ambos foi suspensa pelo ministro Edson Fachin, relator do caso no Supremo, mas Janot declarou que isso não invalida as provas obtidas com a colaboração dos mesmos.

O tramite para a denúncia, no entanto, não é imediato. Antes da denúncia começar a tramitar na câmara, é necessária a confirmação, por parte do Supremo, de se é possível ser realizada uma segunda denúncia a Temer, e de que as provas obtidas com a colaboração de Joesley e Saud permanecem válidas depois do acordo de colaboração firmado com esses empresários ter sido revogado. A decisão sobre isso está pendente para a quarta-feira da semana que vem (20).

O crime de obstrução de Justiça é caracterizado pela PGR no episódio em que Temer, segundo Janot, deu aval para Joesley comprar o silêncio de Funaro e Eduardo Cunha, ambos presos pela Lava Jato. O crime de organização criminosa está caracterizado pela atuação da chamada "quadrilha do PMDB da Câmara". A Polícia Federal aponta Temer como tendo o "poder de decisão" no grupo.

O presidente nega as acusações.

O mandato de Janot à frente da PGR termina neste domingo (17). No seu lugar, assumirá Raquel Dodge, indicada pelo próprio presidente Temer.

Sabemos que a corrupção não será combatida por Janot, nem por Raquel Dodge, nem pelo Judiciário arbitrário, STF, ou Lava-Jato, pois estes fazem parte do mesmo jogo que gera acordos espúrios. Avançam e travam investigações conforme interesses políticos, podem mirar algum empresário ou político mas sempre advogam pela impunidade dos capitalistas.

Por isso defendemos que todos os políticos e altos cargos de governo ganhem o mesmo salário que uma professora, que seus mandatos sejam por eleições por sufrágio universal e que possam ser revogáveis pelos seus eleitores. Esta proposta é uma forma de acabar com os privilégios e combater a corrupção. Isso só pode ser garantido pela luta dos trabalhadores e jovens pelo poder político, a partir de um intenso enfrentamento com esse sistema capitalista corrupto. Para lutar por essas e outras medidas o Esquerda Diário defende uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana que seja imposta através da força da luta.




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