PELA EXPROPRIAÇÃO DA JBS

JBS bate recorde de lucro sobre trabalho precário e envolvimento em corrupção

A JBS anunciou ao mercado nesta segunda-feira, 13, o melhor resultado de sua história, apesar dos recentes escândalos de corrupção. No último trimestre, a gigante obteve um lucro líquido de R$1,9 bilhão, valor considerado sem levar em conta os gastos com o Programa Especial de Regularização Tributária (Pert).

terça-feira 14 de novembro| Edição do dia

A empresa precisou renegociar mais de R$20 bilhões com os bancos sob o risco de não conseguir “honrar compromissos”. O endividamento era um o principal ponto de preocupação dos investidores. Apesar disso, a empresa reportou corte de R$4,8 bilhões da dívida líquida. Mais da metade deste valor veio do dinheiro gerado na operação. A venda de ativos, como a operação em países do Mercosul, também teve papel importante.

Com isso, a JBS conseguiu reduzir o endividamento para 3,4 vezes da sua capacidade de geração de caixa (a chamada Ebtida, que inclui lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização). A meta é levar esse número para baixo de 3.
Esse resultado coloca a empresa em patamar de endividamento mais confortável que o dos rivais brasileiros e em igual com os estrangeiro, segundo a própria JBS.

O crescimento da empresa, porém, vem sobre a exploração dos trabalhadores e desrespeito às leis trabalhistas. Em 2015, A JBS demitiu a trabalhadora Andreia Pires alegando “justa causa”, quando é sabido que o motivo foi sua participação junto a outros trabalhadores em um abaixo-assinado contra o corte do vale-alimentação anunciado pela empresa que apresenta altíssimo número de acidentes de trabalho na planta de Osasco (leia mais sobre este caso aqui.

Em abril de 2016, a gigante do ramo da carne foi obrigada a pagar R$ 1,075 milhão de multa e mais R$ 500 mil em ação movida pelo Ministério Público do Trabalho de Criciúma (MPT), SC, por danos morais devido a uma fábrica da marca Seara em Forquilhinha contratar empresa que explorava mão de obra infantil no processo de pega de frangos. A denúncia do MPT ainda aponta que o trabalho era feito durante a noite.

A empresa já apareceu em investigações da Lava Jato em 2015 por doações feitas a empresa de fachada do doleiro Carlos Habib, preso em 2015. Em 2017, o CEO da empresa Wesley Batista foi preso por manipulação do mercado financeiro investigada na Lava Jato. Seu irmão Joesley Batista foi condenado a pagar multa por compra de deputados e compra do silêncio de Eduardo Cunha. Também neste ano, veio a público a denúncia de que as carnes da JBS continham papelão, demonstrando enorme insalubridade na empresa. Wesley Batista foi sustituído pelo próprio pai, José Batista sobrinho, fundador da JBS, desde o dia 13 de setembro quando foi preso.

André Nogueira, presidente da JBS nos EUA afirmou que “As perspectivas seguem positivas. Os mercados americano e canadense serão beneficiados pelo aumento de renda e queda do desemprego. Na Austrália, há perspectivas melhores após a seca que atingiu o país”. Enquanto Gilberto Tomazoni, diretor de operações da empresa no Brasil declarou “No Brasil, temos capacidade ociosa e podemos crescer ainda mais".

Apesar do envolvimento em todos esses escândalos, a gigante JBS segue batendo recordes de lucro, o que demonstra que as operações da Lava Jato não solucionam até o fim os casos de corrupção, deixando as empresas livres para seguir lucrando sobre a superexploração dos trabalhadores.

Existem múltiplas razões, portanto, para que a JBS seja expropriada e colocada sob controle dos trabalhadores, sem nenhuma indenização aos irmãos Batista. Isto é parte do combate, da mesma forma, contra a enorme precarização do trabalho e o alto índice de acidentes de trabalho existente na JBS. Este programa elementar, que deve reverter os lucros acumulados pelos Batista para os serviços públicos como moradia, saúde, educação e transporte, é parte de um combate de conjunto ao regime político e a associação inerente entre políticos burgueses e empresários na corrupção.

Com informações da Agência Estado.
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