Gênero e sexualidade

LGBT

Ivan é espancado em novela no horário nobre, somos centenas nas ruas e nas esquinas

E não aguentamos mais.

Virgínia Guitzel

ABC Paulista | @virginiaguitzel

sexta-feira 13 de outubro| Edição do dia

Na quarta-feira (11/10), Ivan, personagem transgênero da novela “A Força do Querer”, na Rede Globo, foi espancado na rua no caminho para uma balada. Simplesmente por esbarrar quando passava, e não aceitar os gritos homofóbicos, foi agredido até apagar na rua e por sorte do personagem, houve gente que o acudiu, separou os agressores dele e chamou uma ambulância. O episódio foi amplamente assistindo, chegando a 43 pontos, mesmo passado após o jogo. E deixou um gosto amargo há milhares de expectadores que apesar da maior visibilidade conquistada nos últimos anos, ainda não acreditam na brutalidade com que as pessoas trans são violentadas, agredidas e, infelizmente, assassinadas.

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É então uma oportunidade para mostrar que o drama de Ivan, de ser constantemente chamado pelo nome de registro que não reconhece como seu, no feminino, sua dificuldade para conseguir um simples emprego, a burocracia para depender de um Juiz para autorizar suas mudanças de documentos, a dificuldade para fazer um tratamento hormonal seguro, assim como seu espancamento é um retrato do que é enfrentado pelas LGBTs no país do transfeminicidio. Que bate recordes de assassinatos, apesar ser transgênero não ser considerado crime. Os números de agressões não é nem registrado. Os Trending Topics foram tomados pelo impacto dessa violência nas telas do "plim plim". E mostraram como um amplo setor da sociedade rechaça todo o tipo de violência contra as pessoas trans.

Morte e Vida, realidade e ficção: a violência não cai do céu

Enquanto a Globo, pela efervescência da questão do gênero e da sexualidade, é obrigada a retratar no seu horário nobre a situação de um homem trans, apenas para que este tema não seja tratado por fora dela. Ela se apoia nas conquistas de anos de luta de pessoas trans por visibilidade e esvazia de qualquer conteúdo subversivo, como por exemplo o amplo questionamento a polícia que deu origem a luta LGBT nas revoltas de StoneWall. Enquanto na novela "A Força do Querer", a protagonista é uma policial, a realidade se mostra ainda mais brutal na vida de centenas de travestis e pessoas trans como denunciam em São Paulo, o ataque cotidiano da Polícia Militar no Largo do Arouche e na Zona Sul. O cotidiano destas está marcado por bombas, agressões e ameaças de morte por parte do Estado que parece querer resgatar a Operação Tarântula, da ditadura militar, que curiosamente teve a Rede Globo como pilar fundamental.

Apesar de muitos programas globais começarem a tratar o tema da transsexualidade, e demonstrarem a profunda violência que vivemos, com dados alarmantes, o faz sempre sob uma ótica "médica" que visa reforçar a visão de "enquadrar nos corpos certos" segundo as próprias normas de gênero já estabelecidas. Mas pior do que isso, a Globo busca reforçar a ideia que somos impotentes para mudar radicalmente esta situação.

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O que a Globo não diz é que essa cadeia de violências que Ivan denuncia a milhares de brasileiros pela televisão, é uma reprodução necessária para a ordem capitalista que se aproveita da opressão de grupos sociais como a comunidade LGBT, para aumentar sua dominação, favorecendo a exploração capitalista, mas também controlando os corpos, a sexualidade e os nosso desejos. O desejo, assim como nossas possibilidades de construção de nossa identidade de gênero, assim como a própria sociedade está em disputa.

A violência contra pessoas trans parece aumentar com os ataques reacionários que o governo golpista consegue aplicar, apesar de não ter nem 3% de aprovação. Temer e seus aliados, ou aqueles que são ainda mais reacionários que eles, apesar dos índices de aprovação despencando, conseguem legitimar a violência contra os setores oprimidos de conjunto. Ainda assim, nas redes sociais, as denúncias sobre as condições de vida e violência que são submetidas as LGBTs são cada vez mais frequentes e geral revolta. Assim quebram o segredo dos castigos que as pessoas trans são condenadas pelo capitalismo.

Não aceitamos mais nenhuma forma de violência! E por isso, seguimos lutando por um Plano de Combate a Violência aos LGBT e o transfeminicidio! Nenhum a menos!




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