Internacional

XENOFOBIA IMPERIALISTA

Italia colocará barcos militares nos portos para bloquear os imigrantes

O ultradireitista ministro do interior Matteo Salvini respondeu com a militarização dos portos e mares frente ao resgate de imigrantes por parte de ONGs solidárias.

quinta-feira 11 de julho| Edição do dia

Matteo Salvini, o ultradireitista ministro do interior, que sentiu a derrota depois da libertação de Carola Rackete, capitã do barco Sea Watch que resgatou 40 imigrantes no Mediterrâneo, contra as ordens da Polícia, no porto italiano de Lampedusa.

Salvini tomou a questão como pessoal em poucos dias, respondeu com uma política ainda mais xenófoba e racista contra a chegada de imigrantes na costa italiana.

Anunciou que disponibilizará barcos militares nos portos para bloquear a possível chegada de embarcações com imigrantes.

O comitê nacional de ordem e segurança, presidido por Salvini, resolveu dispor, na noite de segunda feira 09/07, disponibilizar a “presença de barcos da Marinha e da Guarda de finanças para defender os portos italianos”, anunciou o comunicado do gabinete.

Entre as medidas com as quais a Itália buscará reforçar sua política de “portos fechados”, está também o “aumento do controle para reduzir as saídas” nos principais países de origem do fluxo imigratório marítimo, como a Tunísia e a Líbia.

Como justificativa, Salvini garantiu que se trata de buscar “tornar a luta contra o tráfico de seres humanos mais eficaz e aumentar as penas aos traficantes” de pessoas.

O vice premier, líder da direitista Liga, defende que autorizar o desembarque das ONGs nos portos italianos favorece a imigração clandestina e da uma oportunidade aos traficantes para atravessar pessoas pelo Mediterrâneo.
Segundo os dados do Ministério de Interior, as políticas da linha de Salvini (em seu cargo desde 1 de junho de 2018) fizeram com que as desembarcações passassem de 17 mil no ano passado a cerca de 3 mil este ano.

A realidade no entanto é o oposto do que Salvani aponta. O “controle” nas costas do norte da África faz com que as redes de tráfico se multipliquem em países como a Líbia, onde as redes de tráfico de pessoas, daqueles e daquelas que fogem da miséria e das guerras em seus próprios países. Situações que em muitos casos são provocadas pelas potências imperialistas europeias em sua rapina por recursos e os vestígios do seu passado colonial e o perverso sistema que freia o fluxo imigratório com medidas discriminatórias, racistas e xenófobas.

Por outro lado, o impedimento para que os imigrantes possam chegar às costas europeias (não só italianas, mas também as espanholas ou francesas), volta para o mediterrâneo com os imigrantes em um caixão, onde ONGs atuam com uma capacidade claramente limitada para o nível da crise imigratória atual.
A decisão anunciada se da em meio à polêmica do governo italiano com as ONGs que incluiu a detenção da capitã do barco Sea Watch e o confisco do veleiro Alex, da ONG Mediterrânea, com acusações de “favorecimento da imigração ilegal” por ter desembarcado pessoas sem permissão em Roma.

Segundo dados das Nações Unidas para Refugiados, Acnur, este ano morreram ou desapareceram 666 pessoas no Mediterrâneo, enquanto outras 27.959 chegaram ao continente europeu pela via marítima.

O endurecimento das condições para os imigrantes, que são o elo mais débil da rapina em todo o mundo, se repetem não só na Europa, mas também nos Estados Unidos, onde o governo Trump implementa leis mais restritivas e aumenta o financiamento da patrulha fronteiriça que administra verdadeiros campos de concentração de imigrantes na fronteira com o México.

O mundo se comoveu na semana passada com as imagens do jovem de El Salvador com sua filha, mortos no rio Bravo, quando tentavam chegar nos Estados Unidos. Mobilizações em mais de 180 cidades norte-americanas exigiram o fim dos maus-tratos aos imigrantes e o desmantelamento dos campos de detenção. Ao mesmo tempo, em todo o mundo, os pedidos de libertação para a capitã Carola Rackete aumentaram, contra a tentativa de Salvini de aplicar uma pena exemplar à ela.

As demonstrações de solidariedade e de indignação internacional que esta política xenófoba gera, são uma mostra de como começar a enfrentar esta barbárie imposta pelas potências imperialistas de todo o mundo: Nenhum ser humano é ilegal.




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